O Ministério da Educação previa divulgar, até ao final do mês de março, o resultado da auditoria externa “aos dados dos serviços do Ministério em relação aos alunos sem aulas ao longo do ano letivo 2023/2024”, que foram erradamente anunciados em novembro e 2024. No entanto, um “atraso na contratação da auditoria externa” trocou as voltas à pasta liderada por Fernando Alexandre.
“Verificou-se um atraso na contratação da auditoria externa, pelo que se espera que a parte relativa ao número de alunos sem aulas esteja concluída durante o mês de abril“, adianta o Ministério da Educação em resposta escrita ao Observador. E acrescenta que, “posteriormente”, será apresentada “a parte relativa às propostas para a melhoria do sistema de apuramento do número de alunos sem aulas para os diferentes momentos do ano letivo”.
Foi em novembro que o ministro Educação, Fernando Alexandre, fez um ponto de situação do plano de emergência para a Educação, avançando que, desde o início do ano letivo, mais de 2 mil alunos estariam sem aulas a uma disciplina, valor que caíra 89% face a 2023. O problema surgiu cerca de seis dias depois, quando o responsável pela pasta assumiu que os dados apresentados estavam errados.
A declaração de Fernando Alexandre surgiu depois de várias pessoas terem levantado dúvidas relativamente à contagem feita pelo Governo. As dúvidas partiram do seu antecessor socialista, o antigo ministro da Educação João Costa, que acusou o Governo de “faltar à verdade” e garantiu que o número em causa rondava os 21 mil e nunca os 2 mil.
Face ao erro, o Ministério da Educação decidiu avançar com uma auditoria externa. O concurso, com caráter de “urgência”, foi então aberto, a 4 de dezembro — e devia ter terminado no final do mês passado.