A gigante do comércio eletrónico Amazon negou que vá avançar com a informação do impacto das tarifas nos preços dos produtos que vende na sua plataforma na internet.
A informação de um suposto cálculo sobre o impacto das tarifas lançadas por Trump no preço de cada produto foi avançada nesta terça-feira pelo jornal norte-americano PunchBowl News, que citou uma fonte conhecedora deste processo. Uma porta-voz da Casa Branca já reagiu, acusando a Amazon de estar a preparar um “ato político”.
O plano passaria por colocar uma indicação – em valor ou em percentagem – sobre quanto do preço final pago pelo comprador seria resultado da aplicação das tarifas na importação daquele produto.
Durante uma conferência de imprensa realizada esta terça-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a medida da Amazon como um ato “hostil e político” – e questionou a empresa sobre porque é que não tomou uma medida semelhante, durante o governo de Biden, quando a inflação atingiu o número mais alto em 40 anos.
Citada pelo jornal The Guardian, Leavitt defende que esta é, portanto, “mais uma razão para os americanos comprarem produtos americanos. É mais uma razão pela qual estamos a deslocalizar cadeias de abastecimento críticas aqui no nosso país, para reforçar a nossa própria cadeia de abastecimento crítica e impulsionar a nossa própria produção”.
Entretanto, perante a reação hostil da Casa Branca, um porta-voz da empresa criada pelo multimilionário Jeff Bezos já veio negar que esteja a preparar a indicação dessa informação nos preços, acrescentando que a ideia foi apenas equacionada para o serviço Amazon Haul.
Esta é uma recente plataforma de venda de produtos de baixo custo da empresa, que foi lançada no final de 2024 para responder à concorrência de outras empresas de comércio eletrónico, nomeadamente a chinesa Temu. “A equipa que gere a nossa loja de ultra baixo custo Amazon Haul considerou a ideia de listar as taxas de importação em determinados produtos”, afirmou um porta-voz da empresa, citado pela Reuters.
A CBS News noticiou no fim de semana que, desde a segunda semana de abril, os vendedores que usam a plataforma da Amazon aumentaram os preços de quase 1.000 produtos. Segundo os dados da SmartScout, uma ferramenta de software de análise de preços, houve um aumento médio do preço de quase 30%.
Os preços aumentaram numa vasta gama de artigos, desde acessórios tecnológicos, como carregadores de telefone, até vestuário feminino, disse o presidente da SmartScout, Scott Needham, à CBS. A Anker, uma marca líder de vendas na Amazon que vende acessórios móveis, aumentou os preços de cerca de 25% dos seus produtos no site.
À CBS, fonte oficial da Amazon disse que os mais de 900 produtos cujos preços aumentaram refletem apenas 1% dos 100.000 produtos mais vendidos na plataforma de e-commerce. A empresa fundada por Jeff Bezos acrescentou que o aumento de preço mais comum foi de apenas 6%, e que o valor médio de 30% avançado pela SmartScout foi distorcido por “um número relativamente pequeno de produtos que tiveram aumentos muito grandes”.