O Paquistão anunciou na noite desta sexta-feira (madrugada em Portugal) uma operação militar contra a Índia, na mesma altura em que o conflito na zona de Caxemira se vinha a intensificar. Ao início da tarde deste sábado, na sua conta pessoal da Truth Social, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou, no entanto, um “cessar-fogo total e imediato” entre os dois países.
“Depois de uma longa noite de negociações mediadas pelos Estados Unidos, estou satisfeito por anunciar que a Índia e o Paquistão concordaram com um cessar-fogo total e imediato“, afirmou Donald Trump, congratulando “os dois países por usarem senso comum e uma grande inteligência”. “Obrigado pela vossa atenção neste assunto.”
O secretário de Estado, Marco Rubio, deu mais detalhes no X sobre a proposta de cessar-fogo. O líder da diplomacia norte-americana explicou que ele e o vice-presidente, JD Vance, conversaram diretamente, nas últimas 48 horas, com os primeiros-ministros, o indiano Narendra Modi e o paquistanês Shehbaz Sharif, bem como com outros dirigentes políticos de ambos os países.
“Estou satisfeito por anunciar que o governos da Índia e do Paquistão concordaram com um cessar-fogo imediato e para começar negociações numa série de assuntos num local neutro“, revelou Marco Rubio, elogiando os primeiros-ministros dos dois países pela sua “sabedoria, prudência e sentido de estado em escolher o caminho da paz”.
Over the past 48 hours, @VP Vance and I have engaged with senior Indian and Pakistani officials, including Prime Ministers Narendra Modi and Shehbaz Sharif, External Affairs Minister Subrahmanyam Jaishankar, Chief of Army Staff Asim Munir, and National Security Advisors Ajit…
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) May 10, 2025
No X, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, confirmou o cessar-fogo. “O Paquistão e a Índia concordaram com um cessar-fogo imediato”, escreveu o líder paquistanês, acrescentando que o “Paquistão sempre procurou a paz e a segurança na região, sem comprometer a sua soberania e a integridade territorial”. A Índia ainda não reagiu oficialmente.
Minutos mais tarde, numa conferência de imprensa, citada pela Guardian, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia confirmou também o cessar-fogo, revelando que o mesmo vigora desde as 17h00 (12h30, hora de Lisboa). O alto diplomata Vikram Misri concorda que “ambos os lados concordaram parar todos os combates e a ação militar em terra, ar e mar”.
A contraofensiva paquistanesa desta madrugada
A contraofensiva “Operação Banyan Marsus” envolveu ataques às defesas aéreas indianas, segundo Islamabade — a informação não foi confirmada pelo governo indiano. Os correspondentes internacionais na zona de Caxemira também reportaram ter ouvido explosões, diz a BBC.
Horas depois, Nova Deli acusou o Paquistão de ter usado mísseis de alta-velocidade e drones para atingir bases aéreas indianas. A Índia acusa ainda o país vizinho de estar a preparar uma ofensiva maior — “estão a mover as suas tropas para áreas mais à frente [na linha de contacto em Caxemira], indicando uma intenção ofensiva para escalar ainda mais a situação”, afirmou uma porta-voz do Exército indiano.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou entretanto que o país vingou a morte de inocentes com uma resposta adequada à Índia, num conflito bilateral de décadas.
Com a “Operação Banyan Marsus” (que se traduz como “Edifício Compacto”), “o Paquistão atacou instalações militares indianas a partir das quais foram lançados ataques” contra o território paquistanês, afirmou Sharif, citado num comunicado do gabinete do primeiro-ministro.
Esta operação foi lançada durante a madrugada, de acordo com fontes de segurança paquistanesas.
“Hoje, demos à Índia uma resposta adequada e vingamos as mortes de inocentes”, sublinhou.
As autoridades paquistanesas em Caxemira indicaram que “11 pessoas, incluindo quatro mulheres e uma criança” morreram durante a madrugada “em intensos bombardeamentos indianos em mais de cinco locais ao longo da Linha de Controlo”, a fronteira de facto que separa este território entre Paquistão e Índia.
“Desde quarta-feira, 28 pessoas foram mortas e 125 ficaram feridas em bombardeamentos ou ataques com mísseis indianos” no lado paquistanês de Caxemira, acrescentaram.
Já o vice-primeiro-ministro do Paquistão, Ishaq Dar, declarou que a operação lançada este sábado pelo exército paquistanês vai terminar “de alguma forma” e que o desfecho está nas mãos da Índia.
“Esta operação que começámos hoje vai acabar de alguma forma. Tudo depende do que a Índia quer”, disse Dar, também ministro dos Negócios Estrangeiros, à Geo.tv, do Paquistão.
De acordo com o ministro, Islamabade “não tinha outra resposta” e adotou simplesmente uma postura defensiva, respondendo de forma “proporcional e ponderada” às ações militares indianas. A “Operação Banyan Marsus” vai “durar algum tempo”, acrescentou.
Por sua vez, o ministro da Defesa, Khawaja Asif, foi questionado sobre o uso de armas nucleares. O governante diz que essa opção está “presente”, mas deve ser encarada como uma “possibilidade muito distante”: “Não devemos discuti-lo no contexto imediato”. “Antes de chegarmos a esse ponto, penso que a temperatura tem de descer. Não há nenhuma reunião marcada na Autoridade do Comando Nacional, nem está nenhuma agendada”.
Paquistão encerra espaço aéreo e Índia parcialmente
A Autoridade Aeroportuária do Paquistão anunciou este sábado que o espaço aéreo do país vai estar encerrado “a todo o tráfego” durante parte do dia, depois de o Governo ter acusado a Índia de atacar “instalações militares” paquistanesas.
O anúncio surge depois de o Governo paquistanês ter alegado que a Índia disparou mísseis contra “instalações militares chave”, como as bases aéreas de Noor Khan, Shorkot e Murid. “Os sistemas de defesa aérea neutralizaram e intercetaram estes ataques hostis a tempo”, escreveu o Governo na rede social X.
As autoridades confirmam que não se registaram vítimas nem danos materiais. “A Índia deve preparar-se para a reação do Paquistão. As forças armadas do Paquistão estão totalmente preparadas para defender a pátria, o espaço aéreo e a segurança nacional”, lê-se na mensagem. Poucas horas antes, a Índia acusou o Paquistão de “utilizar os aviões civis como escudos” ao não fechar o espaço aéreo civil.
Neste sentido, a Índia também fechou parte do seu espaço aéreo no norte e oeste. O Ministério de Aviação Civil indiano divulgou este sábado de manhã que 32 aeroportos estarão encerrados até dia 15 de maio.
Países do G7 pedem “máxima contenção” à Índia e ao Paquistão
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do G7 exortaram entretanto a Índia e o Paquistão a exercerem “a máxima contenção”, na sequência de uma escalada de tensões que levou os dois países a trocarem ataques militares.
“Pedimos à Índia e ao Paquistão a máxima contenção. Uma nova escalada militar coloca a estabilidade regional em sério risco. Estamos profundamente preocupados com a segurança dos civis de ambos os lados”, lê-se num comunicado conjunto dos ministérios de Itália, Canadá, França, Alemanha, Japão, Reino Unido, Estados Unidos e da Alta Representante da União Europeia.
O grupo de países mais industrializados do mundo apelou ainda para “o diálogo direto” entre as duas potências nucleares, “com vista a uma saída pacífica”.
“Continuamos a acompanhar de perto os acontecimentos e manifestamos o nosso apoio a uma resolução diplomática rápida e duradoura”, concluiu-se na mensagem.
A crise entre as duas potências nucleares, desencadeada por um ataque terrorista mortal em 22 de abril que matou um grupo de turistas na Caxemira administrada pela Índia, tem vindo a agravar-se nas últimas semanas, tendo aumentado, na quarta-feira, com o bombardeamento, por Nova Deli, de bases terroristas suspeitas em território paquistanês.
O Paquistão respondeu na madrugada deste sábado com um ataque de mísseis contra várias instalações militares indianas no norte do país.