Mais carne vermelha e mais carros. Os homens causam mais gases que provocam o efeito de estufa do que as mulheres, conclui um estudo francês com 15 mil pessoas, divulgado nesta quarta-feira pela LondonSchoolofEconomicsandPoliticalScience, realizado em colaboração com o Center for Research in Economics and Statistics.
Sendo a alimentação e os transportes responsáveis por metade da pegada de carbono de um francês médio, os investigadores concluíram que os homens são responsáveis por mais 26% da poluição que aquece o planeta do que as mulheres. Quando se consideram outros fatores como os rendimentos e a educação a percentagem desce para 18%.
São principalmente dois os motivos que explicam esta diferença, explica uma das autoras do estudo, que é economista na London School of Economics and Political Science. Ondine Berland diz que os resultados “sugerem que os estilos de vida tradicionalmente associados aos géneros, como os que ligam o consumo de carne vermelha e a condução de carros aos homens, têm um papel significativo na pegada carbónica de cada um”.
Segundo os autores, comer carne vermelha e conduzir automóveis explica entre 6,5% a 9,5% da diferença de emissões entre homens e mulheres mesmo quando se têm em conta outros fatores socioeconómicos. Mas essa disparidade não se registou nas viagens de aviões, em que eles não se distinguem delas.
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A carne vermelha, por exemplo, representa apenas 13% da pegada alimentar média, mas é responsável por 70% da diferença de emissões entre homens e mulheres. Já os carros são responsáveis por toda a diferença nas emissões dos transportes, presumindo-se que os homens conduzam mais sozinhos e utilizem automóveis mais poluentes.
Por outro lado, o facto de os homens tenderem a ingerir mais calorias e a percorrer distâncias mais longas, não explica totalmente a diferença entre os géneros. Os investigadores perceberam que depois de controlar estas diferenças, se mantinha um fosso relevante que explicam pela forma como as pessoas consomem e não apenas pela quantidade.
Mesmo dentro de grupos de rendimentos semelhantes, os homens apresentam sistematicamente hábitos alimentares e de deslocação mais poluentes.
O estudo sugere que a preocupação com o meio ambiente pode levar as mulheres a cortar nas suas emissões de carbono. Marion Leroutier, co-autora do estudo, refere que é necessário mais investigação, de modo a compreender estas diferenças nas pegadas de carbono e se o impacto das mulheres advém “da preocupação com o meio ambiente e na sua maior probabilidade em adotar comportamentos mais sustentáveis no dia-a-dia”.