A palavra foi forte porque Ruben Amorim assim quis. Na semana anterior à final da Liga Europa, com apenas mais duas jornadas por disputar na Premier League, o treinador português fez as contas e percebeu que só ganhou seis dos 26 jogos que disputou com o Manchester United desde que chegou a Old Trafford. Por isso mesmo, revelou-se “envergonhado”.

Ora, vergonhas à parte, a verdade é que o Manchester United voltava a entrar em campo esta sexta-feira, a poucos dias da crucial final da Liga Europa contra o Tottenham onde para além da conquista do troféu também se disputa o apuramento para a Liga dos Campeões da próxima temporada. Em Stamford Bridge, a casa do Chelsea, os red devils procuravam encerrar uma série de sete jornadas sem ganhar — mas a notícia da semana foi outra.

“É difícil encontrar outra palavra: estou realmente envergonhado por ter seis vitórias na Premier”, assume Ruben Amorim

Com a final europeia a aproximar-se, Ruben Amorim decidiu contornar os constrangimentos financeiros do Manchester United e pagou do próprio bolso as deslocações das famílias de 30 elementos do staff do clube a Bilbao, o local do jogo. Na antevisão da visita ao Chelsea, confirmou a notícia e limitou-se a explicar que a decisão foi “simples” de tomar.

“Vocês sabem que há muita coisa a acontecer. Pessoas a sair, muitas mudanças no staff. Para um clube como o nosso, às vezes é difícil perceber o momento certo para dar algo ou para retirar algo. Torna-se complicado para o clube, é uma situação muito difícil. Explicaram-me as coisas e a minha reação foi ajudar. Não tem a ver com ser boa pessoa, é algo que não vai mudar a minha vida. Falei com os jogadores e eles tiveram a mesma ideia. Toda a gente quer que o staff lá esteja, mas é difícil gerir as coisas aqui dentro”, atirou o treinador português.

Neste contexto, esta sexta-feira e em Londres, Ruben Amorim lançava Højlund como referência ofensiva, apoiado por Mason Mount e Amad Diallo, com Bruno Fernandes (que nos últimos foi eleito o jogador do ano do clube pela quarta vez) e Casemiro em zonas mais interiores. Do outro lado, num Chelsea que também ainda tem a final da Liga Conferência e que procurava carimbar o apuramento para a Liga dos Campeões, Enzo Maresca apostava em Tyrique George na ausência de Nicolas Jackson e Nkunku, com Pedro Neto, Madueke e Cole Palmer a surgirem nas costas do jovem avançado inglês.

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Numa primeira parte sem golos, Madueke teve a primeira grande oportunidade para marcar ao atirar por cima na cara de André Onana depois de um bom cruzamento de Cole Palmer na direita (5′). Harry Maguire acertou na baliza com um desvio na área após passe de Bruno Fernandes, mas o golo foi anulado por fora de jogo do central inglês (17′) e o Chelsea era constantemente mais perigoso, com Reece James a acertar no poste com um remate de fora de área (25′) e Enzo a falhar escandalosamente, ainda que em posição irregular (45+1′). Ao intervalo, porém, estava tudo empatado em Stamford Bridge.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e Bruno Fernandes teve a primeira verdadeira situação de perigo da segunda parte, com um remate de fora de área que passou pouco por cima da baliza de Robert Sánchez (55′). O árbitro da partida ainda assinalou uma grande penalidade de Onana sobre Tyrique George à passagem da hora de jogo, com o lance a ser revertido após intervenção do VAR, e Ruben Amorim foi o primeiro a mexer ao lançar Alejandro Garnacho e Manuel Ugarte.

A cerca de 20 minutos do fim, porém, tudo foi desbloqueado. Reece James cruzou descaído na direita depois de um delicioso pormenor individual e Marc Cucurella apareceu, soltou de marcação, a cabecear para abrir o marcador (71′). Ruben Amorim deu a ideia de que estava mais preocupado em gerir o plantel do que propriamente em ir atrás do resultado, devido à final da Liga Europa na próxima quarta-feira, e ainda tirou Bruno Fernandes e Luke Shaw antes do apito final.

No fim, o Chelsea venceu o Manchester United em Stamford Bridge e os red devils somaram a oitava jornada sem ganhar, mantendo-se no 16.º lugar da Premier League antes da final da Liga Europa contra o Tottenham — que também perdeu esta sexta-feira, com o Aston Villa.