Donald Trump quis um novo sistema anti-míssil para os Estados Unidos e a estratégia usada para o obter foi simples: apresentou a ideia a quem dele iria usufruir primeiramente e teve logo concordância. A história foi contada pelo próprio esta terça-feira, quando anunciou a Golden Dome, uma estrutura de defesa aérea inspirada na Iron Dome israelita.
Segundo a Reuters, um jornalista na Sala Oval perguntou se algum dos principais comandantes militares tinha pedido um sistema deste género. Trump respondeu prontamente: “Bem, deixem-me pôr as coisas de outra forma. Sugeri-o e todos disseram: ‘Adoramos a ideia, senhor'”.
“Hoje tenho o prazer de anunciar que selecionámos oficialmente uma arquitetura para o sistema de ponta que irá utilizar tecnologias da próxima geração em terra, no mar e no espaço, incluindo sensores e intercetores baseados no espaço”, afirmou o Presidente dos EUA, citado pela Reuters numa conferência na Sala Oval que contou com a presença do secretário para a Defesa, Pete Hegseth.
Sem definir como funcionaria o sistema, Trump afirmou que iria custar “cerca de 155 mil milhões de euros” e que seria totalmente feito nos Estados Unidos, apontando um prazo “entre dois e meio a três anos” para estar concluído, estando no máximo pronto até ao fim do mandato, em janeiro de 2029.
Ainda não é claro também que empresas irão participar neste empreendimento. Em abril, a Reuters noticiou que o principal candidato seria a SpaceX de Elon Musk, mas a agência noticiosa avançou agora que a empresa tecnológica Palantir pode também participar.
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Nem Trump, nem Hegseth abriram o jogo na conferência de imprensa, mas o secretário da Defesa indicou que “várias empresas podem entrar” no sistema, pois “integra tecnologias existentes que podem falar umas com as outras, de modo a avançar rapidamente, ao mesmo tempo que investe em intercetores de maior alcance e baseados no espaço”.
Pete Hegseth, num comunicado publicado no site, disse que a estrutura de defesa era “um investimento histórico na segurança americana e cumpre o nosso dever de proteger a pátria acima de tudo” e que vai “proteger progressivamente a nossa nação de ataques aéreos de qualquer inimigo”.
“Nas últimas quatro décadas, os nossos adversários desenvolveram armas de longo alcance mais avançadas e letais do que nunca, incluindo mísseis balísticos, hipersónicos e de cruzeiro capazes de atingir a pátria com ogivas convencionais ou nucleares”, sublinhou o secretário.
O programa vai ser entregue ao general do exército americano Michael Guetlein, o vice chefe da Space Force norte-americana, que considerou que o anúncio deste sistema que reforça “a proteção da pátria”.