A Guarda Nacional Republicana (GNR) deteve esta quarta-feira dois dos seus militares no concelho de Tavira por suspeita de extorquir valores monetários, abuso de autoridade e uso excessivo da força contra cidadãos indostânicos. Em causa, estão os crimes de ofensas à integridade física, furto, falsificação de documentos e concussão, acrescentou ao Observador fonte oficial da GNR.
O crime de concussão, previsto no artigo n.º 379 do Código Penal, consiste em induzir a vítima em erro, ou aproveitar um erro da mesma, para tirar vantagem para o criminoso. Por exemplo, ao convencer alguém que está a cometer uma infração, multar essa pessoa e ficar com o dinheiro relativo a essa coima.
Em comunicado, a GNR adianta que os dois militares têm 23 e 25 anos, e que a operação “resultou de uma investigação interna prévia, em que foram detetadas condutas graves, imediatamente comunicadas ao Ministério Público”.
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Esta investigação surgiu do controlo e supervisão feito pela cadeia hierárquica da GNR aos seus militares, frisa fonte oficial. Ao verificar os procedimentos, foram “detetadas irregularidades, aprofundou-se a averiguação” e concluiu-se pela necessidade de um inquérito-crime.
Os dois militares vão permanecer detidos até serem presentes ao Tribunal Judicial de Faro para primeiro interrogatório e aplicação de medidas de coação ao longo do dia de amanhã.
“A Guarda Nacional Republicana reitera a mais absoluta intransigência relativamente a qualquer ato ou omissão que possa ferir a deontologia policial ou violar os princípios e valores institucionais, mantendo o firme compromisso de agir com a maior determinação, rigor e transparência, como sempre e neste caso em que são os seus próprios militares os presumíveis autores da atividade criminosa”, lê-se no comunicado.
A investigação foi feita pelo Núcleo de Investigação Criminal (NIC) do Comando Territorial de Faro em “estreita colaboração” com os Departamentos de Investigação e Ação Penal de Faro e de Tavira, sublinha fonte oficial da GNR ao Observador.
O inquérito-crime encontra-se sob segredo de justiça.