O Millennium BCP começou o ano de 2025 com uma subida de 3,9% nos resultados do primeiro trimestre, para 243,5 milhões de euros, informou o banco em comunicado enviado à CMVM nesta quarta-feira. Apesar da desaceleração da margem financeira, os lucros na atividade em Portugal subiram 7,6% para 218,9 milhões, acrescenta o banco liderado por Miguel Maya.

Além desta atividade principal no mercado português, o banco obteve lucros de 42,8 milhões na operação que tem na Polónia, apesar de ter continuado a registar provisões elevadas na Polónia por causa dos créditos indexados a francos suíços que o banco concedeu antes da crise financeira e que, neste trimestre, obrigaram a mais 130,8 milhões em encargos que subtraíram ao lucro daquela operação estrangeira.

A margem financeira manteve-se com um crescimento positivo, algo que não aconteceu em todos os grupos bancários a operar em Portugal, com um crescimento de 3,6%. Trata-se, ainda, de uma desaceleração da margem financeira, que é o indicador que representa, em termos simples, a diferença entre os juros pagos pelo banco para se financiar (depósitos, sobretudo) e os juros cobrados nos créditos que concedeu.

Com a descida das taxas de juro, que se reflete de forma gradual nos resultados do banco (à medida que os créditos se ajustam às taxas mais baixas), a margem financeira desacelera ou, mesmo, recua, que é o que já está a acontecer em vários bancos. Na outra rubrica do chamado “produto bancário”, as comissões aumentaram 2,1% para 201,4 milhões de euros. Essa é uma variação que o banco justifica com “mais clientes” e “maior envolvimento, mais transações” feitas pelos clientes.

Os recursos totais de clientes (grupo), que incluem os depósitos, cresceram 6,1% para 104,6 mil milhões e o crédito a clientes aumentou 2,2% para 58,1 mil milhões face a março de 2024.

Do lado dos custos, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados Miguel Maya disse que apesar do controlo dos custos houve um aumento superior a 10% nos custos operacionais, para quase 340 milhões de euros. Ainda assim, o banco salienta que continua a ter uma “enorme eficiência”, com um rácio custos-lucros (cost to income) que continua a ser inferior a 40% (subiu de 35% para 37%).

BCP emprestou 280ME em crédito à habitação com garantia pública 

O BCP emprestou 280 milhões de euros em crédito à habitação garantido pelo Estado e gastou 20% da sua quota da garantia pública, disse hoje o presidente do banco na apresentação das contas do primeiro trimestre.

Segundo Miguel Maya, o BCP recebeu 5.700 pedidos de crédito com garantia pública no valor total de 1.100 milhões de euros. Destes, foram aprovados empréstimos que totalizam 280 milhões de euros.

Na garantia pública, cada banco tem uma quota que pode utilizar para atribuir empréstimos parcialmente garantidos pelo Estado, tendo o BCP já gasto 20% do total que lhe cabe. Dos 1.200 milhões de euros de montante máximo da garantia, a quota atribuída ao BCP é 185 milhões de euros.

Jovens que conseguem garantia pública no crédito têm rendimentos mais elevados, diz Banco de Portugal