O Millennium BCP está “fortemente empenhado” em “contribuir para a solução” da crise no acesso à habitação que existe em Portugal, onde os preços da habitação subiram na última década a uma velocidade muito superior aos rendimentos médios. Miguel Maya, presidente da comissão executiva, revelou nesta quarta-feira, na apresentação de resultados trimestrais, que o banco está a redobrar esforços para conceder mais crédito à construção imobiliária a custos moderados, bem como para cooperativas de habitação.
As declarações foram feitas na conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, que foram de uma subida de 12,6% nos lucros, para 874 milhões de euros. “O banco está pronto para ajudar, não só pronto como fortemente empenhado em apoiar”, afirmou Miguel Maya, sublinhando que o BCP quer “apoiar projetos de promoção imobiliária de múltipla natureza”, inclusive estar “mais próximo da construção a custo moderado”.
“Podem contar com o Millennium BCP”, sublinhou Miguel Maya, salientando que este é “um tema complexo, onde não há soluções simples” mas o banco quer “contribuir de forma ativa” para uma melhoria da situação.
Em termos concretos, o banco não revela exatamente o que está a fazer na promoção imobiliária, mas Miguel Maya diz que “o BCP tem uma unidade de negócio muito forte de pessoas a trabalhar nesta área”. E aí foram feitos “ajustamentos à própria unidade e o foco está muito colocado naquilo que são projetos que são para a classe média”, indicou o banqueiro.
“Estamos a reorganizar a área do crédito à promoção devido à nossa leitura daquilo que vai ser a procura, que vai ser sobretudo nessa área”, dos custos moderados, afirmou Miguel Maya, salientando que “os projetos para os quais [está] a olhar com mais urgência” são esses.
Além disso, questionado pelo Observador na conferência de imprensa, Miguel Maya afirmou que o banco tem neste momento “operações a serem analisadas de apoio para cooperativas”, aliás já foram fechadas operações com cooperativas de habitação. Por outro lado, está a trabalhar com “operações com os municípios que fazem parcerias com privados” para construir casas com rendas subsidiadas – não há, ainda, operações concretizadas nesta área mas já houve operações aprovadas.
O BCP salientou, também, que a garantia pública do Estado à compra de casa por jovens “é uma medida que não resolve mas ajuda um conjunto de clientes a ter acesso à habitação”.
Este banco tem cerca de 15% do montante total alocado pelo Ministério das Finanças e já utilizou 88% do valor disponível, entre crédito contratado e em fase de contratação. Miguel Maya revelou que o peso dos créditos com garantia na concessão de crédito à habitação própria permanente é de 44%, com taxas de esforço que são apenas um ponto percentual superior às taxas dos créditos sem garantia.
O incumprimento no crédito com garantia tem sido “absolutamente residual”, garantiu Miguel Maya, salientando que o incumprimento a mais de 90 dias em créditos com garantia é de 0,16% – houve apenas três casos, ligados “aos temas clássicos do desemprego, doença e divórcio”.
“Não há qualquer motivo de preocupação” nessa área, afirmou Miguel Maya, acrescentando que desde o aperto das regras macroprudenciais do Banco de Portugal, no verão, houve uma redução de apenas 1% na taxa de aprovação dos créditos à habitação.