O Sporting CP informou, esta quarta-feira, que está a investigar o caso do adepto que ficou cego de um olho devido a uma bala de borracha disparada pela Polícia de Segurança Pública (PSP) durante os festejos do campeonato no último sábado. Através de um comunicado, o clube admite adotar as “medidas adequadas”.

De Alvalade ao Marquês e de rezas viradas para Meca a uma benfiquista em cadeira de rodas. Festejos do Sporting tiveram tudo

“Relativamente ao caso que veio a público envolvendo o adepto Bernardo Topa, e face à gravidade das consequências associadas, o Sporting CP informa que, para além do contacto já estabelecido com o próprio, está a encetar todas as diligências possíveis e necessárias junto das autoridades competentes, com vista à investigação da ocorrência e à adopção das medidas que se revelem adequadas”, escreveram num comunicado. Ainda assim, elogiam “todos os intervenientes que tornaram possível a extraordinária celebração do Bicampeonato”.

A PSP confirmou ao Observador que numa intervenção da Unidade Especial de Polícia houve “necessidade de utilização de meios coercivos por parte da PSP, incluindo o emprego de arma antimotim com recurso a bagos de borracha”.

PSP abre inquérito após adepto do Sporting ter ficado cego de um olho devido a bala de borracha disparada nos festejos

A atuação policial desta noite — que a PSP descreve, inicialmente, como “tranquila e positiva” — contemplou ainda agressões de um agente a um adepto algemado (já tendo sido aberto um procedimento disciplinar) e a perseguição a um grupo que roubou a taça da Liga dos Campeões feminina.

Para evitar novos desacatos, nas vésperas do dérbi da Taça de Portugal que coloca, pela primeira vez desde o jogo do very light, Sporting e Benfica frente a frente no Jamor, os leões apelam “a todos para que adotem uma postura responsável, contribuindo para que o espetáculo seja isso mesmo — um espetáculo — dentro e fora das quatro linhas”.

Entretanto, a polícia instaurou um processo de inquérito aos “polícias intervenientes na reposição da ordem pública na Praça Duque de Saldanha”, onde Bernardo Topa foi atingido.

A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

O adepto tem 28 anos e é natural do Porto, de onde veio para celebrar o primeiro bicampeonato do Sporting em mais de 70 anos. Bernardo trabalha como comissário da TAP, foi nadador-salvador durante uma década e chegou a estagiar na SportingTV, revela o Record.

Inicialmente, segundo o MaisFutebol, as autoridades acreditavam que o sportinguista tinha sido atingido com pirotecnia, já que tinham rebentado vários petardos na zona. No entanto, o relato feito pelo adepto permitiu à polícia relacionar esse ferimento com uma “limpeza de área” que terá culminado na bala perdida que o atingiu.

Bernardo admite processar a PSP e o Estado português por negligência, depois de uma bala ter destruído o seu olho. “Saí dali a correr desesperado com dores e a escorrer sangue”, descreveu ao Record.