A Coreia do Norte iniciou uma investigação a um acidente ocorrido na quarta-feira, durante a cerimónia de lançamento de um novo navio de guerra, informou a imprensa oficial norte-coreana.
De acordo com a KCNA, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, descreveu como um “ato criminoso” um “grave acidente” que ocorreu durante o lançamento de um contratorpedeiro de cinco mil toneladas na cidade portuária de Chongjin. De acordo com os serviços de informação dos EUA e da Coreia do Sul, a “tentativa de lançamento lateral” do navio falhou.
O contratorpedeiro está atualmente inclinado na água, disseram os militares sul-coreanos. Imagens de satélite do local mostraram o navio deitado de lado, com a maior parte do casco submerso e coberto por capas azuis. A KCNA disse que uma inspeção subaquática e interna detalhada do navio de guerra “confirmou que, ao contrário do que foi inicialmente anunciado, não houve qualquer brecha no fundo do navio”.
No entanto, “o casco de estibordo foi riscado e um pouco de água do mar entrou na secção de popa pela saída de emergência”, acrescentou a agência, garantindo que os danos sofridos pelo navio de guerra “não foram graves”. “Por muito bom que esteja o estado do navio de guerra, o facto de o acidente ser um ato criminoso imperdoável permanece inalterado, e os responsáveis por ele nunca poderão esquivar-se à sua responsabilidade pelo crime”, disse uma comissão militar, citada pela KCNA. Hong Kil-ho, o diretor do estaleiro onde ocorreu o acidente, foi convocado pela comissão na quinta-feira, acrescentou a fonte.
Os especialistas norte-coreanos estimam que serão necessários “dois ou três dias para restaurar o equilíbrio do navio de guerra que bombeia água do mar da secção inundada”, disse a agência. A reparação do casco do contratorpedeiro deverá demorar cerca de dez dias, acrescentou.
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Kim Jong-un, que esteve presente na cerimónia de lançamento, disse que foi um “ato criminoso causado por negligência absoluta” que “não podia ser tolerado”. O nome do barco não foi especificado. Em abril, Pyongyang divulgou imagens de um navio contratorpedeiro de cinco mil toneladas, chamado Choe Hyon.
A Coreia do Norte alegou que o navio estava equipado com as “armas mais poderosas” e que “entraria ao serviço no início do próximo ano”. Segundo alguns especialistas, o Choe Hyon poderá ser equipado com mísseis nucleares táticos de curto alcance, embora a Coreia do Norte não tenha até ao momento provado ter a capacidade de desenvolver armas nucleares de pequena dimensão. O reconhecimento público de falhas técnicas ou administrativas é altamente invulgar na Coreia do Norte.
Para a construção deste contratorpedeiro, a Coreia do Norte poderá ter recebido assistência da Rússia, escreve o Washington Post, que cita as forças armadas da Coreia do Sul. Tal contribuição terá acontecido no âmbito da crescente cooperação militar entre os dois países. Na passada quinta-feira, a agência sul-coreana Yonhap também escrevia, num oráculo, que eram visíveis “marcas de influência russa por todo o navio”.
Notícia atualizada às 10h37 de dia 23 de maio