A Azul, presidida por David Neeleman, entrou com um pedido de proteção contra credores, ao abrigo do Capítulo 11 (chapter 11) da lei de insolvências dos Estados Unidos da América. Uma decisão que já foi tomada com o acordo de alguns desses credores e parceiros.
Em comunicado, a Azul explica que inicia assim o processo para reestruturação. Garantiu já o apoio da AerCap, com quem tem o leasing dos aviões, e dos parceiros United Airlines e American Airlines.
O objetivo é a reorganização financeira, com redução da dívida, e garantir liquidez. A intenção é limpar dois mil milhões de dólares de dívida, mas obtendo já 1,6 mil milhões de empréstimo para reestruturação (servirão para refinanciar dívidas existentes e garantir 670 milhões em liquidez). Além de limpar essa dívida, a empresa quer renegociar os contratos de leasing e “otimizar a sua frota”, não indicando de que forma.
Pretende que no final do projeto entrem na empresa 950 milhões de dólares de injeção de capital. Segundo é referido, “está prevista a amortização do DIP [financiamento para reestruturação] com os recursos de uma oferta de subscrição de ações de até 650 milhões de dólares, com garantia firme dos referidos investidores, além de um possível investimento adicional de até 300 milhões de dólares por parte da United Airlines e American Airlines, sujeito a determinadas condições. Esse pacote completo de financiamento viabiliza uma saída estruturada e acelerada do processo”.
“A Azul continua a voar — hoje, amanhã e no futuro”, acrescenta no comunicado, para garantir que continuará a funcionar e que entra no processo de insolvência com o apoio “já formalizado de grande parte dos stakeholders estratégicos”. Durante todo o processo de reestruturação, “a Azul continuará voando e operando normalmente, enquanto mantém seus compromissos durante este processo”.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]
Há cerca de duas semanas, a Azul tinha anunciado um prejuízo de 1,82 mil milhões de reais (282 milhões de euros) no primeiro trimestre.
A empresa acredita que o endividamento líquido será reduzido de 5,1 vezes o EBITDAR em 2025, para 1,7 vezes em 2027. A Azul ainda estima na sua projeção de liquidez o recebimento das obrigações que adquiriu da TAP SGPS, agora Siavilo.
Em 2016 a agora Siavilo fez um empréstimo obrigacionista, a 10 anos, convertível em até 130.800 ações especiais de conteúdo patrimonial de 120 milhões de euros. A primeira série, no valor de 90 milhões de euros, foi subscrita apenas pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras, e a segunda, no valor de 30 milhões de euros, pela Parpública. Entretanto, abdicaram da conversão em ações. Em 31 de dezembro de 2024, as séries ascendem a 173 milhões de euros e 57 milhões de euros, respetivamente. Entretanto, tal como o Eco avançou, a Siavilo foi considerada formalmente em incumprimento desse empréstimo.