Milhares de pessoas reuniram-se esta sexta-feira na capital da Sérvia para exigir eleições antecipadas, após sete meses de protestos anticorrupção que abalaram o governo do Presidente populista Aleksandar Vucic.
O protesto em Belgrado foi organizado por estudantes universitários sérvios, que têm sido uma força fundamental por trás das manifestações nacionais desencadeadas pelo colapso, em 1 de novembro, do telhado de uma estação ferroviária no norte do país, que matou 16 pessoas.
Muitas pessoas na Sérvia acreditam que o acidente mortal foi resultado de obras de renovação defeituosas no edifício da estação e associam o desastre à suposta corrupção do governo em grandes projetos de infraestrutura com empresas estatais chinesas.
Os estudantes universitários que protestam têm exigido responsabilização pelo acidente e o Estado de Direito na Sérvia, um país balcânico que está formalmente a tentar entrar na União Europeia (UE), mas onde os populistas no poder têm sido acusados de reprimir as liberdades democráticas.
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Após meses de protestos que atraíram centenas de milhares de pessoas, o movimento estudantil está agora a exigir eleições antecipadas, argumentando que o atual governo não pode satisfazer as suas exigências de justiça para as vítimas do acidente. As eleições presidenciais e parlamentares estão previstas para 2027.
Vucic, que os críticos acusam de governar de forma cada vez autoritária, apesar da proclamada candidatura à UE, inicialmente rejeitou eleições antecipadas, mas esta sexta-feira sugeriu que podem ser realizadas, embora sem dizer exatamente quando.
Ninguém foi condenado em relação à tragédia na cidade de Novi Sad, no norte do país. As autoridades indiciaram mais de uma dúzia de pessoas, mas prevalecem as dúvidas de que o processo irá revelar a alegada corrupção por trás do acidente.
Uma enorme e barulhenta coluna de manifestantes em Belgrado marchou em frente à procuradoria do Estado antes de chegar ao edifício do governo. Eles carregavam uma grande faixa pedindo eleições.
O governo de Vucic intensificou a pressão sobre os manifestantes e as universidades da Sérvia, alegando, sem provas, que eles foram instruídos por potências estrangeiras a organizar uma revolução no país.
Os estudantes estão a planear mais protestos em todo o país neste fim de semana.