Sem nostalgias ou receios de virar a página, a loja conheceu várias localizações ao longo das últimas quatro décadas. Em 1985, o número sete de Avenida de Paris viu nasceu a Paris:Sete (a alusão não é uma coincidência). Lisboa fora, o design e os projetos de interiores fizeram casa na Calçadinha do Tijolo, na 24 de Julho, e ainda no Largo de Santos, onde no final do mês se encerra mais uma etapa na cidade de Lisboa. Agora, instala-se no nº 235 da Rua da Escola Politécnica, entre o Rato e o Príncipe Real, e onde as paredes celebram ícones do mobiliário que marcou o século XX e a própria história da casa fundada por Gustavo Brito.
Natural do Porto, cresceu entre a Boavista e a Foz, com fortes memórias da pequena fábrica de mobiliário do pai, em Gondomar, onde nasceu o fascínio pelo processo artesanal, e de onde saíram as primeiras peças que vendeu na capital. Rapidamente passou a representar marcas internacionais, antecipando tendências e apostando em nomes como B&B Italia ou Vitra. Boa parte dessas referências são fixadas no livro “40 Anos / 40 Peças”, uma publicação especial que assinala a data redonda. E o espaço físico recebe 20 destes ex libris do mobiliário nascidos e vividos com um outro tempo, feitos para durar, e durar, e durar. E para replicar junto do mercado de consumo acessível. Basta pensar nas declinações que peças como o candeeiro Cesta desenhado por Miguel Milá em 1962 conheceu. Ou nos Akari criados por Isamu Noguchi em 1951. Não faltam outros clássicos que encerram longas histórias, como a cadeira e o banco Wiggle de Frank Gehry, desenhados em 1972; a cadeira Standard de Jean Prouvé lançada em 1934; o centenário cadeirão Wassily com o cunho de Marcel Breuer; ou ainda a La Mamma, um marco de 1969 de Gaetano Pesce.
Podemos ir seguindo uma conversa guiada por esta mostra. Qual foi o critério para chegar a estas peças?
Há milhares de peças que todos gostamos imenso e queríamos ter. Pus-me a ver peças do século passado, que têm história interessante agarrada, algumas delas história connosco. Por exemplo, esta lounge chair do casal Eames. É uma cadeira preciosa para nós, da Vitra. Na altura tinha o propósito de ser uma luva de beisebol e é muito interessante porque a sua ergonomia foi ampliada e atualizada ao longo deste tempo todo, desde 1956. Até em articulação com os designers originais e com a fundação do neto dos Eames. Temos um cliente de há 30 anos que tinha tido um percalço com a pele da cadeira e ligou-me. ‘O que hei de fazer para não perder o valor que tem?’ É facil. É enviar para a Vitra e eles recuperam a cadeira.
À esquerda, alguns módulos do sofá Camaleonda, saído dos anos 70. À direita, a célebre cadeira lounge de Charles e Ray Eames inspirada numa luva de beisebol, um marco de 1956
É prática comum?
Fazem isso e com todo o gosto, porque o que eles querem é manter o património deles cá fora. No fundo são exercícios de manutenção de valor que eu acho que estes produtos têm de muito interessante. O senhor ficou todo contente com mais uns anos de cadeira. Repuseram o forro, a pele foi refeita, imaculada, respeitou-se a patine. Por exemplo, este sofá Cameleonda, do Mario Bellini, é de 1970, é uma reedição da B&B Italia. Vemos esta modularidade do sofá.
A introdução das formas redondas em sofás é um dos exemplos mais expressivos de evolução técnica do design?
É, e é muito interessante porque o tema da modularidade se coloca naquela altura. Tudo isto são elementos que acompanham a arquitetura, porque a maioria dos designers também eram arquitetos. Era raro haver o designer, designer, como profissão. O caso do meu pai, por exemplo, era arquiteto e depois tinha um hobbie, que era desenhar mobiliário.
Este camaleão/onda foi trazido para o nosso tempo.
O Camaleonda foi ao seu espólio e reinterpretou o sofá como ele era e a alteração de fundo que fez foi no interior. O forro em vez de ser poliuretano novo é reciclado. Mostra um sinal dos tempos e como temos novas soluções. Os tecidos também já são materiais reciclados. Há oportunidades de reintrodução das peças de uma forma extremamente atual. É fascinante.
Era claro para si desde o começo que esta devia ser uma montra do século XX? Sendo que a maioria das peças, como vamos vendo, se mantêm perfeitamente atuais?
Sim, sim, isso foi claro. Havia aqui um fio condutor já que estávamos neste alinhamento de peças. Elas são de tal maneira atuais e coerentes entre si.
E com muita longevidade?
Porque elas não se esgotam. Vou-lhe mostrar esta estante modular da USM, que acaba por ser um sistema que também tem uma historia muito interessante. No seu início, antes da II Guerra Mundial, esta empresa suíça fazia ferragens para janela. Com o fim da guerra, a Suíça como elemento neutro tinha bastantes unidades de produção. Concluíram que tinham que ter uma nova fábrica mas o seu tamanho era uma incógnita num cenário de pós guerra, seria um sucesso? Não? Iriam fazer muitos puxadores de janelas? Contrataram um arquiteto, o Fritz Haller, que desenvolveu um projeto para a fábrica que se expande através de uma malha, que acaba por ser um racional em que tudo funciona e bate certo. Acharam fantástico aquilo e pediram-lhe para fazer os móveis do escritório da fábrica. E ele seguiu o mesmo sistema.
E que também parecem janelas.
Criou isto, que é extraordinário [aponta para uma das estantes], que foi desenhado para resolver uma necessidade específica e sai um produto que 50 e tal anos depois se mantém fresco, vivo, ativo. Desde então e até hoje só têm feito melhorias de funcionalidade.
Em tons azeitona, uma novidade recente, o aparador modular Halser também se junta a esta montra
Por exemplo?
Introduziram a iluminação em led, novos sistemas de abertura de gavetas, mas que não saem da modularidade. Não saímos da imagem mas melhoramos significativamente a funcionalidade.
Temos falado da durabilidade, ou da esperança de vida de uma criação destas como traço essencial. Quando pensamos na produção de design a efemeridade também pode deixar a sua marca?
Eu sinto que a longevidade é fundamental sobretudo nos dias de hoje. Pelo menos na nossa perspetiva tudo tem que ser extremamente durável. Porque não podemos estar sempre a usar recursos e a produzir, produzir, consumir, etc. Sempre defendemos a qualidade e chegamos à conclusão que tudo o que produzimos e consumimos deve ter um propósito durável.
Apesar de o design ter tido ao longo desse século XX uma papel decisivo no consumo rápido e na democratização do acesso.
Exato, claro que sim. Mas tudo tem o seu tempo, inclusivamente estes produtos. Estas peças têm um protagonismo na casa das pessoas, adquirem uma estima diferente. Passamos a ter o culto da casa, que é outro dos nosso lemas. Em casa temos memórias, conforto, vivências e estas peças fazem parte.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]
Quase como um museu vivo?
É, sentimo-nos muito bem com isso. Veja a diferença do mesmo móvel, aqui já um aparador em verde azeitona. Esta cor e o bege são inovações que eles vão libertando no tempo lento, que também é algo interessante. O que sentimos nestes produtos todos é que têm um tempo que o século XX também tinha. Claro que a oferta que a Paris:Sete tem vai muito para além dos clássicos, também temos o design funcional, as novas edições, as peças novas. Mas este tipo de património, e já lhe chamamos património, está comprovado que são investimentos seguros. São muitas vezes elementos centrais nos projetos de interiores que fazemos. Mostro-lhe esta cadeira, a Wishbone,
As cadeiras que são outro espelho do progresso técnico.
Exatamente, e neste caso quando se começou a fazer a curvatura da cadeira com o vapor de água. Veja a forma como é tudo trabalhado, a textura da madeira, o encaixe, a parte artesanal da corda, tudo isto, enfim…
Muitas peças que ao longo das décadas foram sendo replicadas no mercado corrente, o que também testemunha o sucesso. Olho por exemplo para o candeeiro Cesta, que se encontra em tantos sítios.
Sim, e repare, a Vitra até faz uma coisa muito interessante, que é o culto levado ao extremo: são as miniaturas de móveis, deles e da concorrência. O design é o denominador. Veja esta cadeira da Knoll, ali em grande, aqui em pequenino. Ou a da Zanotta, que é outra marca. Esse legado e essa forma do design poder ser partilhado é fundamental. Quem nos dera que esse tipo de valores passasse para outro tipo de disciplinas. Na ciência isso já acontece, aqui também.
A edição que assinala estes 40 anos de Paris:Sete — e o mostruário repleto de miniaturas de mobiliário, um dos segmentos da Vitra
Falando dessa interligação de campos, quando pensamos em design, em interiores, numa experiência mais integrada de lifestyle, tudo isso era um OVNI em 1985?
Para nós? Foi uma evolução. Eu vinha do Porto, o meu pai era arquiteto, eles tinham uma fábrica de móveis, um associado que era um marceneiro. Havia aquele conceito do mestre, que desenvolvia o projeto de arquitetura, uma estalagem, um hotel, o que fosse, e desenhava todas as peças até ao fim. O Frank Loyd Wright fazia muito isso. Era outro tempo. Aliás, eu digo outro tempo e não outros tempos.
Falamos de ritmo e velocidade.
Havia outro tempo para as coisas, concretizavam os projetos até ao fim. O Mies van der Rohe faz a cadeira Barcelona depois do projeto do Pavilhão Universal. Antes de abrir a Paris:Sete venho para Lisboa estudar arquitetura e já tinha tido a experiência de interagir com a fabrica no norte, a produção em madeira, eu já vinha com qualquer coisa. Quando surge a oportunidade da loja vinha com a aprendizagem do Porto. Na produção já tínhamos alguma inspiração do norte da Europa a trabalhar a madeira.
Algo desenhado por si já?
Naquele momento, não. Era todo um legado transferido. Quando abro a loja já começamos a ter alguns desenhos em produções, nomeadamente estantes, mesas, aparadores, situações mais fáceis. E surge o momento em que começamos a ir fora ver como as coisas se poderiam processar futuramente. Havia todo um mercado de design por explorar, em Espanha, França, Itália, que era um bocadinho inacessível à bolsa dos portugueses.
Mas a morada é escolhida por razão especial?
Não, eu nem era especialista de Lisboa. Quem começa, começa da forma mais acessível possível. Mas a nossa proposta de facto era muito diferente do que havia no mercado. Conseguimos vingar logo numa primeira fase e a partir de uma certa altura quando descobrimos a Europa esse momento coincide com a economia portuguesa começar a sair.
Dá-se a adesão à CEE.
Ganhamos vantagem competitiva porque mesmo antes da entrada no mercado comum já estávamos com o pé fora de Portugal nos fornecedores. Depois da CEE já estávamos em velocidade de cruzeiro. É aí que definimos completamente a nossa estratégia e a defender as melhores marcas de Europa.
Mas como é o perfil desse cliente em Lisboa em meados dos anos 80?
Por vezes tentamos corporizar a forma de falar com um cliente. O que é que acontecia? Não havia catálogos, não havia mundo digital, havia fotos coladas em álbuns e o melhor intrumento que tinha para falar com os clientes era uma folha de papel branco e uma caneta. Tem piada porque quando me sentava com o cliente e perguntava como era a casa dele, ele lá começava a fazer uns rabiscos, dizia-me ‘olhe que eu não sei desenhar’, ‘ah, já me enganei’. Eu lá refazia o desenho mas tinha acontecido entretanto uma coisa maravilhosa: o cliente abria-se, explicava-se, falava, e eu ouvia, através do papel branco. É um elemento mágico de comunicação com o cliente.
E entendiam-se?
Percebia as zonas a que dava importância e desenhava uma perspetiva do que poderia ser a sala dele e ele ficava incrédulo por termos chegado ali. Ficava com a confiança completamente restabelecida. Mais uma vez havia esse tempo para a interação com o cliente.
Do Porto para Lisboa, Gustavo de Brito começou por vender peças fabricadas em Gondomar, na unidade da família. O salto para os fornecedores internacionais veio pouco depois
É também um tempo em que não há alternativas como as grandes cadeias de mobiliário já feito, a preço acessível.
Claro, e a pessoa tinha que esperar que os móveis fossem feitos. Tudo aquilo tinha um timing. É curioso porque hoje em termos dos projetos que fazemos tudo evoluiu em termos tecnológicos e aquilo que propomos aos nossos clientes são situações completamente diferentes daquela depuração que a altura proporcionava.
É de facto o principal fator de mudança em todo o processo?
Aqui vemos os sistemas de um roupeiro, abre a porta e acende a luz, mas não a vê porque há um led introduzido no perfil de alumínio. Tudo isto era impossível na altura. Até tem um sistema de autolimpeza. Carrego num botão e faço a renovação do ar dentro do roupeiro. Veja como tudo evolui, é outro mundo.
Quem desenha consegue antecipar possíveis revisões como estas? Do género: precisava mesmo disto, pena não se conseguir.
Uma das coisas que aprendi com o meu pai foi: antes de começares a desenhar um móvel vê lá se tens as ferragens ao lado. Aquilo era para não me pôr a inventar coisas não existiam, que depois não conseguiria solucionar.
É preciso responder ao presente.
Hoje claro que temos ferragens para tudo. É interessante vermos a evolução, os acabamentos. E conseguir fazer a ligação entre os clássicos do movimento moderno com o upgrade da tecnologia.
Há um momento em que sente que o cliente Paris:Sete já chega com outra cultura de compra?
Sim, aconteceu-me variadíssimas vezes interagir com clientes no inicio e a primeira coisa que íamos fazendo de forma subtil era quase um download de informação, isto é, darmos determinado tipo de tomada de consciência.
Uma família numerosa de Wooden Dolls desenhadas por Alexander Girard, em 1952
Um briefing prévio.
É quase estabelecer um protocolo, mas era feito de forma educada. O cliente a partir de certa altura percebia que a cadeira estava para além de uma coisa para sentar, que havia cadeiras e cadeiras, conforto e conforto. Hoje já temos a noção quase transversal de sustentabilidade mas na altura nem se pensava nisso. Tínhamos a preocupação inicial de instruir o cliente, o que acontecia mesmo em projetos de casas. Como é que vive? Como é o dia a dia? Fale-nos um pouco. Hoje as pessoas têm uma consciência plena do que são as marcas, a segmentação, como funciona o projeto. Com o digital os clientes já fazem o que chamamos de pré-compra. Uma vez tínhamos aqui um casal que discutia, saudavelmente, porque houve ali uma paixão por um sofá amarelo. E ele dizia à senhora que nunca tinha pensado na vida ter um sofá amarelo. Certamente nunca tinham falado daquilo no namoro. Hoje fazem trabalho de casa e quando chegam vêm informadas.
O lado afetivo cruza-se muito com a preocupação funcional no momento da decisão?
Felizmente. Hoje temos clientes que passam na montra e reveem-se nas peças. “Ah, eu tenho o candeeiro Tizio” [da Artemide].
Que foi curiosamente a sua primeira peça. Ainda o conserva?
Tenho, foi o meu candeeiro de estirador. Depois passei a usar um estirador plano. As pessoas chegam e demonstram essa relação afetiva, o que é extraordinário.
Quando decide instalar-se nesta rua?
Foi no início do ano. Já tínhamos pensado na necessidade de fazer a mudança, já vamos na nona loja. É sempre por circunstâncias, de uma maneira ou de outra. Quando fomos para Santos foi porque me apaixonei por uma loja no largo que tinha umas arcadas fabulosas e consolidou-se ali o cluster do design, que desapareceu. Identificámos que aqui neste eixo há uma frequência interessante. Já conhecia esta loja de há anos.
Uma Standard, de Jean Prouvé (1934), a Platner, de Warren Platner (1966) e os candeeiros Cesta de Miguel Milá (1962)
Também de móveis.
Era de um atelier de arquitetura que misturava com moda, antes disso foi a Conceição Vasco Costa [decoração de interiores], e os móveis Costa, como me disseram. Acho piada ter tido sempre esta vocação. Tem dimensão excelente para nos focarmos na área de projeto. E hoje temos um site transacional, catálogos digitais, etc. Uma casa onde se pensa as casas e as empresas.
Uma ajuda digital que não exclui a presença física?
As pessoas vêm e este quer ser um espaço de experiência, vai ter uma agenda para isso mesmo. Os clientes vão colecionando essas experiências connosco e nós apresentamos soluções.
Falava de clientes com 30 anos. Tem muitas histórias de relações comerciais tão longevas quanto boa parte destas peças?
Há 15 anos fizemos a Roche Farmacêutica, e acabámos de fazer a novabRoche, Basicamente com o mesmo produto. O arquiteto, o Luís Pedro Silva, pegou nas soluções e atualizou-as para criar um ambiente moderno e cosy de trabalho. É recorrente.
Mesmo no cliente individual, particular?
Sim, aí é temos a mudança geracional. Há uns anos fizemos uma casa na Comporta para uns clientes que moravam na Suíça. Fizemos num lado e gostaram tanto que fizemos no outro. São relações.
O cliente estrangeiro tem hoje um peso fundamental?
É, hoje a necessidade de novas casas vem muito do cliente estrangeiro mas também portugueses, inclusivamente gerações mais novas, uma das razões para vir aqui para cima.
Identifica alguma fase mais áurea no mercado nacional?
Sempre vivemos entre crises, nunca estivemos numa continuidade pujante. Temos que nos adaptar e vamos nos adaptando sempre.
Segredavam aqui há pouco que ontem teve aqui uma visita especial.
Eu estava aqui com uma cliente a mostrar soluções e às tantas olho para a entrada e está o [arquiteto e designer italiano] António Citterio a espreitar, que conhecemos há anos de visitas a Itália. Estava com a mulher, que eu tinha conhecido no ginásio de um hotel. Gritei “Antonio!”. Até temos aqui e temos aqui o seu sofá Diesis.
E a coincidência de apanhar a exposição.
Ficou contente mas também triste porque a foto que ali está é de 1970, quando ele era um miúdo. “Bora tirar uma foto!”. Deixei a cliente abandonada (risos) mas a senhora viu-me de tal maneira excitado com ele que às tantas até foi ela que nos tirou a foto. Costumamos ser discretos porque as pessoas gostam de estar no seu território privado, mas com ele, tinha que lhe dar um abraço. É dos arquitetos deisgners que mais produziu para todas as marcas. Só aqui tínhamos variadíssimas coisas dele.
Há peças icónicas que nunca chegou a ter na loja?
Não, gostaria era de ter mais pintura, mais arte. E é qualquer coisa que vai acontecer, apesar de estar mais ligada às galerias. É aí que acho que vamos criar uma solução diferente para ter arte nas paredes, escultura.
Então faço outra pergunta: que obras gostaria de apreciar aqui na parede, sentado num sofá Citterio, por exemplo?
Não sei, mas repare, podia falar em milhares de autores mas é sempre tendencioso. Por exemplo, mesmo em casa, tenho um quadro do Mário Bismarck, por acaso é perto de um sítio onde me sento, e todos os dias eu descubro mais qualquer coisa naquele quadro e tenho-o há…aliás, esse quadro abriu a Paris:Sete, tem 40 anos. Ainda tenho coisas desse tempo, nomeadamente esse quadro. São as memórias, nós somos feitos de memórias.