O senhor que se segue aos comandos do gigante Stellantis será Antonio Filosa, que assumirá o lugar de CEO a 23 de Junho, posto que pertenceu ao gestor português Carlos Tavares, que abandonou o grupo franco-italo-americano no final de 2024, depois de quatro anos na liderança. De recordar que Tavares esteve desde 2014 à frente da PSA, o grupo francês liderado pela Peugeot e que deu origem à Stellantis ao fundir-se com os italianos da FCA (que já conciliava as marcas do grupo italiano Fiat com as do grupo norte-americano Chrysler).
Mais do que uma troca de liderança, tudo indica que a entrada de Filosa reflecte igualmente uma mudança na agulha do poder, que depois de favorecer os franceses da família Peugeot — que de início detinha paridade de poder com os italianos da família Agnelli dentro da Stellantis —, parece agora privilegiar os italianos, que entretanto se assumiram como o maior accionista do grupo, ao deter 15,5% do capital (através do seu fundo Exor), contra 7,74% da família francesa, com o 3.º maior accionista a ser o Bpifrance (6,65%), o banco público de investimento francês que investiu na então PSA durante a crise. A Stellantis possui agora o chairman (John Elkann é neto de Agnelli, o fundador da Fiat) e o CEO com fortes ligações aos italianos.
Antonio Filosa (à direita), que foi CEO da Jeep e que será o novo CEO da Stellantis, junto a John Elkann (da família Agnelli), o chairman da empresa
Antonio Filosa é um italiano de Nápoles, formado em engenharia e cuja carreira arrancou em 1999, na Fiat. Seguiu-se uma carreira internacional sempre ligada ao grupo italiano, que o levou à liderança da FCA na América do Sul, onde desempenhou o papel de director de operações, posição que manteve após a integração na Stellantis, até que em 2023 passou a CEO da Jeep, outra marca que pertencia ao universo FCA.
Filosa possui, de acordo com o grupo, um tipo de gestão mais colaborativo, ao contrário do carácter mais decidido e rigoroso de Tavares. Resta agora conhecer os resultados desta estratégia e da mudança da personalidade de quem está aos comandos, na expectativa de que a maior proximidade em relação às antigas marcas da FCA leve o novo CEO a afastar as nuvens negras que pairavam, nos últimos tempos de Tavares, sobre algumas marcas italianas, como por exemplo a Maserati.