A Polícia Judiciária deteve esta quarta-feira, na margem Sul do Tejo, o quarto jovem suspeito de violar uma menor em Loures, em fevereiro deste ano. O detido de 19 anos junta-se a um grupo de quatro influencers que terá violado uma adolescente de 16 anos e partilhado o vídeo no TikTok, onde foi visto por milhares de pessoas. Depois de ser presente a tribunal, ficou proibido de aceder a “quaisquer ambientes digitais” e obrigado a entregar, no prazo de 10 dias, todos os “telemóveis, tablets, computadores ou qualquer outro tipo de equipamento que [lhe permitam] o acesso a ambientes digitais, redes sociais, chats ou outros meios de comunicação digita”
No comunicado enviado às redações, a Polícia Judiciária detalha que este é o “último” detido desta operação comandada pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo. Os jovens são suspeitos da prática dos crimes de violação agravada e pornografia de menores.
Os três primeiros detidos foram presentes a tribunal em março e ficaram em liberdade (sujeitos a apresentações periódicas semanais e proibição de contactos com a vítima), o que motivou críticas que levou a comarca titular do processo a justificar as medidas como sendo as “proporcionais e adequadas” ao caso.
O Ministério Público revelou, já ao final da tarde desta quinta-feira, que foram aplicadas várias medidas de coação ao quarto suspeito de violar uma jovem em fevereiro. Ficou com termo de identidade e residência, ficando também sujeito a três apresentações semanais numa esquadra. Está proibido de contactar com a vítima, “ou de dela se aproximar, da sua residência ou estabelecimento de ensino a menos de 500 metros” e não pode contactar com os outros três arguidos do processo. Além disso, o tribunal decretou a “proibição de frequentar ou aceder a quaisquer ambientes digitais, por via das suas credenciais de acesso ou de terceiros” e a “obrigação de entregar no prazo de dez dias, quaisquer telemóveis, tablets, computadores ou qualquer outro tipo de equipamento que permita o acesso a ambientes digitais, redes sociais, chats ou outros meios de comunicação digital”, estando proibido de deter qualquer um desses equipamentos.
A investigação à violação em Loures teve início após uma participação do Hospital Beatriz Ângelo à Polícia de Segurança Pública (PSP), que avisou a PJ, dada a competência reservada para os crimes em causa.
Desde então, os suspeitos têm mantido a atividade nas contas nas redes sociais, onde têm um público muito significativo que alcança, em conjunto das várias contas, dezenas de milhares de seguidores. Um deles acusou a adolescente de “inventar uma grande história” por vingança; no entanto, ao contrário do que diz este jovem, o caso avançou por participação do hospital.
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A investigação da PJ também se centrou em outro dado relevante: os jovens partilharam um vídeo das agressões no TikTok que foi visto por milhares, mas que ninguém foi capaz de denunciar às autoridades, como revelou o Expresso.
A vítima era mais uma dos milhares de fãs destes jovens que usam as redes sociais para partilhar um estilo de vida ostensivo, que as autoridades acreditam provir de esquemas em pirâmide divulgados nas redes. Nessa noite de fevereiro, combinou encontrar-se com apenas um deles, o único que já conhecia.
Quando chegou ao local, o jovem de 17 anos estava acompanhado de amigos, “desconhecidos da vítima” que obrigaram a menor a “práticas sexuais” que foram filmadas sem consentimento.
“O local foi sujeito a inspeção judiciária, sendo recolhidos vestígios dos crimes pelo Laboratório de Polícia Científica e pela Unidade de Perícia Tecnológica Informática da PJ.”
“A investigação desenvolvida desde então, permitiu a identificação e a detenção de todos os autores”, acrescenta a PJ. Os primeiros suspeitos foram detidos em março e, meses depois, foi agora intercetado o último jovem, que será presente à autoridade judiciária para primeiro interrogatório e aplicação das medidas de coação.