“Um registo de segurança absolutamente espantoso”, é assim que José Correia Guedes descreve a performance do modelo de avião — o Boeing 787 — que se despenhou após a descolagem na Índia, com mais de 240 passageiros a bordo.

Em declarações à Rádio Observador, o ex-comandante da TAP diz mesmo que esta é a primeira vez que há um acidente com vítimas mortais civis com um avião deste tipo.

O Boeing 787 é um avião americano de fuselagem larga desenvolvido e fabricado pela Boeing Commercial Airplanes. Em 8 de julho de 2007, foi lançado o primeiro protótipo do 787, com o seu voo inaugural a acontecer dois anos depois, a 15 de dezembro de 2009. O modelo entrou nas rotas de serviço comercial em 2011.

GettyImages-2219127564 AFP via Getty Images

“É o avião mais avançado da Boeing, que é construído em ligas especiais, com materiais compósitos e que já não usa as velhas tecnologias do alumínio na construção do avião. São ligas muito mais leves e resistentes”, descreve ainda.

O avião de dois motores é, por isso, descrito como “muito económico e muito fiável”, reforça o especialista em aviação. Aquando do seu lançamento, a Boeing pretendia que o 787 consumisse menos 20% de combustível em comparação com aviões como o Boeing 767.

“Se pensarmos nas centenas de milhões que estes aviões já transportaram nos últimos 15 anos é um registo de segurança absolutamente notável e não creio que exista um problema de segurança com o modelo do avião”, afirmou ainda.

“Melhorou drasticamente a experiência de viajar de avião”, diz Boeing

O ex-comandante remete ainda para um vídeo em que se vê o avião a “descolar e depois a planar até ao chão”. “Isto não é suposto acontecer, há obviamente uma perda de energia e os motores não conseguem fazer com que o avião suba. É patente, nem o trem de aterragem foi recolhido”, descreve.

“Em menos de 14 anos, a frota do 787 Dreamliner transportou mais de mil milhões de passageiros, mais rapidamente do que qualquer outro avião widebody na história da aviação. A tecnologia líder do sector do avião cria oportunidades notáveis para as companhias aéreas de todo o mundo e melhorou drasticamente a experiência de viajar de avião”, descreve a Boeing na página de apresentação do modelo de aviação.

“O 787 abriu mais de 425 novas rotas sem paragens em todo o mundo, muitas que nunca tinham sido servidas antes”, refere ainda a Boeing.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 4.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]

Há um ano um denunciante falava em “consequências devastadoras”

Em junho de 2024, um denunciante alertou a Boeing sobre alegadas falhas nos aviões 787 que poderiam ter “consequências devastadoras”, avançou a CNN Internacional.

Richard Cuevas, mecânico da Strom, uma empresa contratada pela Spirit Aerosystems, parceira de produção da Boeing, afirma ter testemunhado buracos perfurados de forma inadequada nas anteparas de pressão dianteiras de aeronaves do modelo 787.

Revelava, então, que partes dos aviões Boeing 787 Dreamliner “foram construídas de forma insegura”. Dizia ter apresentado uma queixa em outubro de 2023 à Boeing e à Spirit sobre “processos de fabrico e manutenção abaixo do padrão” que testemunhou.

Acabou a ser despedido poucos meses depois, de acordo com as queixas apresentadas pelos seus advogados e obtidas pela CNN. Na altura, a Boeing reagiu às alegações de Cuevas com a garantia de que tinha investigado o processo de produção e que as alegadas falhas apontadas não existiam, pelo que não representavam um problema de segurança para as aeronaves em circulação.

A Boeing já emitiu um comunicado a informar que está a acompanhar todo o processo, desde que tomou conhecimento do acidente na Índia desta quinta-feira.