Serviu como tenente na Marinha dos EUA antes de embarcar no negócio da família, em 1958. Nascido em 1933, Leonard Lauder era o filho mais velho de Estée Lauder (1908-2004), a imperatriz da cosmética e única mulher coroada pela revista Time entre os nomes mais influentes do século XX. Com o marido, Joseph Lauder, a pioneira nova-iorquina de raízes húngaras, lançou um negócio de beleza cujo volume de vendas, à época, não ia além de um milhão de dólares, o equivalente a 11 milhões atualmente. Quase cem anos depois, a marca é um gigante global do segmento, operando em mais de 150 país e faturando 15.6 mil milhões de dólares.
Para este desempenho em boa parte contribuiu o empresário que morreu este sábado, aos 92 anos, rodeado pela família. Leonard liderou a expansão da empresa na Europa e Ásia e criou seu primeiro laboratório de pesquisa e desenvolvimento. Assumiu o cargo de diretor executivo até 1999, quatro depois depois de a Lauder se ter tornado pública, com seu preço de ação a subir 33% no primeiro dia de negociação em Nova York.
Presidente emérito do grupo até à sua morte, Leonard Lauder permaneceu envolvido no negócio mesmo depois da reforma. “Ele foi um ícone e pioneiro, ganhando respeito em todo o mundo. A sua energia e visão ajudaram a moldar nossa empresa e continuará a fazê-lo por gerações futuras”, defende Stephane de La Faverie, chefe executivo da Estée Lauder.
Negociador por excelência, com uma fortuna estimada pela Forbes de 10.1 mil milhões de dólares, coube ainda ao empresário liderar a aquisição de marcas como a Clinique, Bobbi Brown e MAC. Quando à fundadora Lauder, tem hoje uma linha que vai muito para lá dos quatro produtos originais com quem Estée se lançou no rescaldo da II Guerra, em 1946, numa fábrica em Midtown, Manhattan, e que incluíam óleo de limpeza ou um creme super rico multifunções. Dois anos mais tarde, abriam a primeira loja nos armazéns Saks Fifth Avenue. Ao longo dos 15 anos seguintes, expandiram a gama e continuaram a vender os seus produtos nos Estados Unidos. Em 1960, a Lauder hasteava uma bandeira nos famosos Harrods, em Londres, e em 1961 abria um escritório em Hong Kong.
Segunda maior empresa de cosméticos do mundo depois da L’Oréal, o conglomerado The Estée Lauder Companies Inc possui um portfólio diversificado de marcas, incluindo La Mer, Jo Malone London, Clinique e Tom Ford Beauty, entre muitos mais, distribuídos internacionalmente, tanto através do comércio digital como através de canais de retalho. Mas os tempos são de incerteza também no mundo da cosmética. Nos primeiros meses de 2025, a empresa de cosmética anunciava que se preparava para cortar até sete mil postos de trabalho, tendo alertado para uma forte queda nas vendas.
As memórias de Leornard Lauder, The Company I Keep: My Life in Beauty, foram publicadas em 2020. Ao longo da sua vida, o empresário ficou também associado a uma série de benfeitorias, da prevenção do Alzheimer à investigação sobre o cancro. De resto, a sua primeira mulher, Evelyn Lauder (1936- 2011) ficou creditada como uma das criadoras e popularizares do simbólico laço cor de rosa associado a esta causa.
Ávido colecionador e filantropo, Leonard acreditava na importância do acesso do público à arte e museus, que inspirou sua filosofia que o papel principal de um colecionador era conservar, não possuir. Foi um defensor de longa data do Metropolitan Museum of Art (the Met) e, em 2013, prometeu confiar a sua coleção de 78 peças de arte cubista para o museu no maior presente filantrópico único da história do Met. Paralelamente, ajudou a estabelecer o Leonard A. Lauder Research Center for Modern Art no Met para apoiar um programa robusto de bolsas, exposições focadas e palestras públicas. Também serviu como Presidente emérito do Whitney Museum of American Art’s Chairman Emérito, tenso sido administrador de 1977 a 2011. Ao longo de sua vida, doou obras de arte e dotou cargos curatoriais e departamentos de pesquisa a inúmeras instituições.