A final da Liga dos Campeões foi há menos de um mês, mas parece que já passou uma vida para o Inter Milão. De lá para cá, já com a bagagem de também ter perdido a Serie A para o Nápoles nas últimas jornadas, a equipa italiana perdeu o treinador Simone Inzaghi para a Arábia Saudita, viu chegar Cristian Chivu e preparou-se para o Mundial de Clubes onde vai querer afogar mágoas.
Já na madrugada desta quarta-feira, o antigo jogador do Inter Milão estreava-se como treinador do mesmo Inter Milão, cumprindo o sonho de orientar a equipa que ajudou a conquistar três Campeonatos, uma Liga dos Campeões, duas Taças de Itália, duas Supertaças de Itália e ainda um Mundial de Clubes. Na antecâmara da estreia na competição que está a decorrer nos Estados Unidos, o romeno de 44 anos não escondeu a emoção.
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“Esta é uma competição que deve ser honrada. O Inter tem o dever de vir aqui e dar o melhor de si. Não devemos procurar desculpas, nem físicas nem mentais. Nestes dias trabalhámos precisamente nisso, em construir um grupo forte, pronto, com serenidade mental e condição física suficiente para ter um bom desempenho. No futebol moderno, nunca se deve dar pontos de referência ao adversário. Temos de criar dificuldades à organização defensiva do adversário, quer joguem homem a homem ou defendam de forma mais passiva. Esta equipa sempre teve estes princípios. Vamos tentar acrescentar algo mais, embora isso leve tempo”, explicou Chivu, que esteve no Parma até ao fim da temporada.
Ora, contra o Monterrey, na primeira jornada do Grupo E, o Inter Milão sabia que estava obrigado a ganhar para responder ao River Plate, que tinha vencido o Urawa Reds horas antes e assumido a liderança provisória do grupo. No mítico Rose Bowl, em Los Angeles, Cristian Chivu deixava Marcus Thuram no banco e apostava no jovem Sebastiano Esposito ao lado de Lautaro Martínez, com Carlos Augusto e Darmian a surgirem nas alas. Do outro lado, nos mexicanos onde Domènec Torrent era o treinador apenas desde maio, Sergio Ramos era titular e o ex-FC Porto Óliver Torres também, com o também ex-FC Porto Jesús Corona a começar no banco.
O Inter Milão não demorou muito a criar perigo, com Pavard a protagonizar a primeira oportunidade do jogo com um remate de fora de área que passou ao lado (8′), e o Monterrey também parecia não ter qualquer prurido na hora de cerrar fileiras atrás para depois explorar o contra-ataque. Sebastiano Esposito atirou contra um adversário (14′), Darmian teve uma grande ocasião para marcar com um pontapé que passou por cima (22′) e a verdade é que, completamente contra a corrente da partida, acabaram por ser os mexicanos a inaugurar o marcador.
Acerbi já sabia o que vinha aí e Sergio Ramos fez o que tinha a fazer ????
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Lautaro na área ????
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Óliver Torres cobrou um canto na direita e Sergio Ramos, depois de fugir à marcação, saltou mais alto do que todos os outros e cabeceou para bater Yann Sommer (25′). Os italianos reagiram de imediato e intensificaram a superioridade, com Esposito a ver Esteban Andrada roubar-lhe um empate com uma grande intervenção (28′), e conseguiram mesmo chegar ao empate: lance estudado na sequência de um livre, com Asllani a abrir em Carlos Augusto e o brasileiro a deixar em Lautaro, que só teve de encostar (42′). Ao intervalo, Inter Milão e Monterrey estavam empatados no Rose Bowl.
Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a lógica manteve-se, com os italianos a terem mais bola e os mexicanos a demonstrarem muitas dificuldades para sair a jogar de forma apoiada, face à intensa pressão que o adversário aplicava. Barella teve a primeira oportunidade da segunda parte, com um remate de primeira que passou por cima (55′), e Chivu mexeu pela primeira vez à passagem da hora de jogo para lançar Marcus Thuram e Luis Henrique.
O Monterrey ficou muito perto de recuperar a vantagem com um remate de Sergio Canales que acertou em cheio no poste (64′) e Lautaro voltou a colocar a bola no fundo da baliza (68′), mas o lance foi anulado por fora de jogo do argentino. O jogo ficou mais equilibrado nos últimos 20 minutos, mesmo já com Dimarco em campo e com um forcing italiano nos derradeiros instantes, e já nada mudou: Monterrey e Inter Milão empataram no Rose Bowl e deixaram o River Plate isolado na liderança do Grupo E, com o Urawa Reds afundado no quarto lugar.
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A pérola
Tal como quase sempre que está em campo, Lautaro Martínez. Aos 27 anos, o capitão do Inter Milão continua a ser o verdadeiro líder dos italianos — para além de marcar e construir, é imprescindível para Christian Chivu tal como já era para Simone Inzaghi e nem uma temporada desgastante como a que agora o terminou o tornaram mais apagado. O grande problema de Lautaro, neste momento, é a necessidade de estar muitas vezes na assistência e na finalização, faltando sempre a sua presença num dos sítios.
O joker
O imortal Sergio Ramos. Aos 39 anos, o central espanhol continua a ser o patrão das defesas por que vai passando e não está a fazer diferença no Monterrey, onde assume a natural liderança da linha recuada dos mexicanos. Pelo meio, continua a ter a capacidade de saltar mais alto do que todos os outros para fazer importantes golos de cabeça, deixando a ideia de que o tempo passa, mas nunca passa por ele.
A sentença
Com o empate entre Monterrey e Inter Milão no Rose Bowl, o River Plate assume a liderança isolada e confirmada do Grupo E. Em sentido oposto, os japoneses do Urawa Reds estão afundados no quarto e último lugar, já que foram a única das quatro equipas a perder na primeira jornada. Na próxima semana, o Inter Milão cruza com o Urawa Reds, enquanto que o River Plate defronta o Monterrey.
A mentira
O Inter Milão não está destruído emocionalmente. Apesar do sofrimento das últimas semanas da temporada, com a Serie A perdida para o Nápoles e a goleada contra o PSG na final da Liga dos Campeões, os italianos mantêm a intensidade e a qualidade a que nos têm habituado na história mais recente do futebol europeu e têm óbvias possibilidades de serem felizes no Mundial de Clubes. Adicionalmente, Cristian Chivu parece estar completamente identificado com a equipa e os jogadores, sem que se note uma enorme diferença na sequência da saída de Simone Inzaghi.