Acompanhe o nosso liveblog sobre a crise no Médio Oriente.
O Pentágono apresentou esta quinta-feira novos pormenores sobre os bombardeamentos a três instalações nucleares iranianas, uma operação descrita como o culminar de 15 anos de preparativos para destruir as capacidades atómicas do Irão.
Na operação “Midnight Hammer”, participaram cerca de 125 aviões, entre os quais bombardeiros B-2 que lançaram bombas antibunker de 13.600 quilos sobre duas unidades iranianas de enriquecimento de urânio consideradas essenciais, Fordow e Natanz, ao passo que um submarino disparou mísseis Tomahawk sobre a central nuclear de Isfahan, indicou o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o general Dan Caine.
Num relato das cerca de 36 horas de duração da operação, o general Dan Caine disse que esta foi “o culminar de mais de 15 anos de desenvolvimento e testes” para conseguir penetrar em instalações como Fordow, várias dezenas de metros abaixo do solo. Segundo Caine, vários militares norte-americanos “comiam, respiravam e sonhavam” com os preparativos para aquele momento.
“Nesta missão havia pilotos homens e mulheres”, precisou o general, acrescentando que um dos militares participantes a comparou à “Super Bowl” (jogo final do campeonato da principal liga de futebol americano dos Estados Unidos), devido à envergadura e que, de acordo com os testemunhos dos pilotos, a explosão em Fordow “foi a mais brilhante que já viram”.
O chefe do Estado-Maior Conjunto mostrou um vídeo sobre a capacidade das bombas antibunker lançadas sobre as instalações iranianas e disse que, durante o desenvolvimento, os cientistas militares foram “os maiores utilizadores de horas de supercomputador nos Estados Unidos”.
NO OTHER COUNTRY IN THE WORLD HAS THE WEAPONRY OR THE CAPABILITIES THAT THE UNITED STATES HAS. pic.twitter.com/7lqcsUFe3a
— DOD Rapid Response (@DODResponse) June 26, 2025
“Cada arma tinha um impacto, ângulo, alcance, trajetória final e configuração de espoleta únicos. A espoleta é, na verdade, o que indica à bomba quando deve ser ativada. Quanto maior for o atraso na espoleta, maior será a penetração da arma e o impacto no alvo”, explicou.
O general indicou que decidiram apontar a dois poços de ventilação em Fordow que os iranianos tentaram cobrir com betão “para tentar impedir um ataque”, e garantiu que os planos norte-americanos tiveram em conta as dimensões das coberturas, que foram penetradas, deixando à vista uma abertura para a unidade de produção nuclear.
“Ao contrário de uma bomba de superfície normal, não se verá uma cratera de impacto, porque são concebidas para se enterrarem profundamente e depois funcionarem. Sei que houve muitas perguntas a este respeito. As seis armas em cada conduta de ventilação de Fordow funcionaram exatamente onde deviam“, insistiu.
Caine também afirmou que o comando militar “não avalia o seu próprio trabalho”, perante perguntas sobre um relatório preliminar dos serviços secretos que limitou a seis meses o atraso causado pelo ataque norte-americano na capacidade do Irão para desenvolver armas nucleares. “Isso é o que faz a comunidade dos serviços secretos”, comentou.
Já o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, defendeu o “êxito retumbante“ da operação e atacou as “notícias falsas” divulgadas pela comunicação social “para prejudicar” o Presidente norte-americano, Donald Trump, e diminuir as suas vitórias.
“Se querem saber o que está a acontecer em Fordow, é melhor irem buscar uma pá grande, porque não há ninguém lá em baixo neste momento”, concluiu Hegseth.
A conferência de imprensa em tom irritado de Caine e Hegseth realizou-se depois de a comunicação social norte-americana ter noticiado, na quarta-feira, que a Casa Branca está a planear reduzir a troca de informações confidenciais com o Congresso.
Isso, após considerar que a comunicação social desvalorizou a eficácia da operação “Midnight Hammer”, ao divulgar após a missão um relatório preliminar dos serviços secretos, enviado do interior do Congresso à estação televisiva CNN ou ao diário The New York Times, que informava que o Irão não estava a desenvolver armas nucleares, e que Trump decidiu ignorar.