Teerão assistiu este sábado a um enorme funeral de Estado — o maior desde a guerra com o Iraque, segundo assinala a Al Jazeera. Tratou-se do funeral dos comandantes militares, cientistas nucleares e respetivas famílias, mortos por ataques israelitas durante a Guerra dos 12 Dias. Ao todo, foram homenageadas cerca de 60 pessoas, perante milhares de iranianos.
As dezenas de caixões foram colocados em camiões e cobertos com a bandeira iraniana e com uma fotografia de cada vítima mortal. Depois, os veículos circularam pelas ruas da capital ao longo de onze quilómetros até à Praça Azadi, ladeados por multidões de luto, que ergueram bandeiras do Irão e fotografias das vítimas. As imagens e bandeiras repetiam-se ainda nas paredes de vários edifícios. As cerimónias fúnebres foram ainda um protesto contra a ofensiva israelita e o apoio norte-americano: nas ruas ouviram-se gritos e cânticos de “Morte a Israel” “Morte aos Estados Unidos”.
Ataque israelita matou três dos comandantes mais poderosos do Irão. Quem eram estes militares?
Algumas figuras de Estado também marcaram presença nos funerais, como o Presidente Masoud Pezeshkian e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Aragchi, rodeados de seguranças. Nas redes sociais, o ministro partilhou imagens em frente ao caixão de Hossein Salami, antigo comandante da Guarda Revolucionária e, na legenda das fotografias, honrou “os mártires”. “Os iranianos defenderam a sua honra e o seu orgulho através da resistência heroica contra dois regimes armados com armas nucleares. A História vai dizer: [os iranianos] ficaram debaixo de milhares de toneladas de bombas, [mas] não desistiram”, escreveu ainda.
A agência AFP destaca ainda a presença de dois oficiais que tinham sido dados como mortos no dia 13 de junho, logo após o primeiro ataque israelita. O primeiro é Esmail Qaani, comandante das Forças Quds, a elite da Guarda Revolucionária, e o outro é Ali Shamkhani, um dos conselheiros mais próximos do ayatollah Ali Khamenei, que apareceu em público apoiado numa bengala. A presença dos líderes políticos, militares e da sociedade civil é interpretada como uma demonstração de “unidade nacional” e “patriotismo” de forma a fazer frente aos ataques estrangeiros.