Índice
Índice
Há mais de um ano, em abril de 2024, o Irão lançou o seu primeiro ataque em massa contra solo israelita. Em outubro, voltou a disparar mísseis contra Israel. Por detrás dos dois ataques esteve o mesmo homem: Hossein Salami, comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o ramo mais poderoso das Forças Armadas iranianas. Na madrugada desta sexta-feira, Salami foi morto por um ataque israelita contra vários pontos do Irão.
O líder do IRGC não foi a única baixa de peso no regime de Teerão durante esta noite de ataques. Os media iranianos avançaram ainda a morte de outros dois líderes militares, Mohammad Bagheri e Gholam Ali Rashid, que foram confirmadas pelo ayatollah Ali Khamenei. O líder iraniano declarou que “os seus sucessores e colegas vão assumir imediatamente as suas funções”.
Um dos conselheiros do ayatollah, Ali Shamkhani, ficou “ferido de forma crítica” e chegou mesmo a ser dado como morto por alguns meios de comunicação, mas a sua morte não foi confirmada por Teerão. Shamkhani é um dos homens mais próximos do líder iraniano e um dos responsáveis pela diplomacia do Irão, principalmente nas relações com a Arábia Saudita.
Já este sábado foi confirmada a morte de mais dois generais iranianos de peso: Gholamreza Mehrabi, adjunto da chefia dos serviços de informações do Estado-Maior das Forças Armadas; e Mehdi Rabbani, vice-chefe das operações.
Para além dos militares, o ataque israelita matou ainda vários civis e pelo menos dois cientistas nucleares, segundo os media iranianos citados na imprensa internacional. Um dos cientistas, Fereydoon Abbasi, era o antigo responsável da Organização de Energia Atómica do Irão, enquanto o outro, Mohammad Tehranchi, era um físico e presidente da Universidade Islâmica Azad em Teerão.
Mohammad Bagheri
O major-general Mohammad Bagheri foi, desde 2016, o chefe do Estado-Maior iraniano, sendo por isso a figura no topo das Forças Armadas do Irão. À sua frente na hierarquia militar só está uma pessoa: o Líder Supremo Ali Khamenei.
Bagheri nasceu em 1958 e criou nome dentro do Exército iraniano durante a primeira guerra do Golfo. Depois disso, construiu currículo no combate aos grupos curdos no Irão. Em 2019, já depois de estar à frente das Forças Armadas, fez parte de uma lista de dez líderes iranianos que foram sancionados pelo Departamento do Tesouro norte-americano (Khamenei também estava na lista).
▲ Mohammad Bagheri, chefe das Forças Armadas iranianas
ABEDIN TAHERKENAREH/EPA
O grupo era responsabilizado por “exportar terrorismo e avançar políticas de destabilização no mundo inteiro“, segundo o documento citado pela CNN. O trabalho de Bagheri em particular era descrito como “a implementação de políticas e monitorização e coordenação de atividades dentro das Forças Armadas”.
Em abril deste ano, Bagheri foi um dos oficiais que se reuniu com o ministro da Defesa da Arábia Saudita, numa rara visita do saudita a Teerão. O ministro terá avisado o Irão de que devia aceitar o acordo nuclear proposto por Donald Trump — e que Washington e Teerão estavam a negociar — como forma de evitar uma guerra com Israel, relatou a Reuters.
Hossein Salami
Tal como com Bagheri, Hossein Salami destacou-se entre os militares iranianos durante a primeira Guerra do Golfo, quando se juntou ao IRGC. Chegou a segundo comandante da Guarda Revolucionária em 2009 e ao topo do comando militar desta ala militar em 2019. À mesma data, os Estados Unidos impuseram sanções contra todos os comandantes da IRGC — Salami ja era alvo de sanções norte-americanas deste o início do século XXI.
Washington classifica o IRGC como responsável pela promoção do poder do Irão do estrangeiro nomeadamente através do apoio às milícias alinhadas como os Houthis, o Hezbollah ou o Hamas — o chamado “Eixo da Resistência”. Ao mesmo tempo, está encarregue de dominar divergências internas. Na qualidade de líder, terá sido Salami a coordenar os dois ataques iranianos contra Israel no ano passado.
Em janeiro, foi gravado pelos media estatais iranianos a visitar uma instalação militar que disse ter sido utilizada para lançar estes ataques. Nestas imagens, Salami saudou os soldados iranianos e caminhou por cima de bandeiras israelitas e norte-americanas.
▲ Hossein Salami, líder da Guarda Revolucionária Iraniana
ABEDIN TAHERKENAREH/EPA
Foi esta mesma retórica anti-americana e anti-israelita que acelerou a sua subida na hierarquia militar, descreve a BBC. No mês passado, Salami tinha dito que Teerão iria “abrir as portas do inferno” caso fosse atacado. Na véspera dos ataques que o mataram, voltou a avisar que o Irão está “completamente pronto para qualquer cenários, situação ou circunstância”. “O inimigo pensa que pode lutar contra o Irão da mesma forma que luta contra palestinianos indefesos que estão sob cerco israelita. Nós somos testados e experientes em guerra”.
Gholam Ali Rashid
É o mais veteranos dos três militares. Gholam Ali Rashid nasceu em 1953 e durante a primeira Guerra do Golfo era já uma das principais mentes por detrás da estratégia militar iraniana e um dos líderes da Guarda Revolucionária. Depois da guerra, foi comandante de operações do IRGC, segundo comandante dos serviços de informação iranianos e segundo comandante do Estado-Maior iraniano.
Desde 2016, passou a comandante do quartel de Khatam al-Anbiya, o comando unificado das Forças Armadas iranianas, responsável por planear e coordenar operações militares. Ao mesmo tempo, foi ocupando cargos nas áreas da Defesa e da Segurança Nacional. Distingue-se dos outros comandantes mortos pelo longo currículo em múltiplos cargos. Mas tem em comum uma coisa com Salami e Bagheri: também fazia parte das listas de sanções dos Estados Unidos. Ali Rashid foi sancionado pelo Departamento do Tesouro em 2018.
Atualizado às 10h10 com a informação de que o Irão confirmou a morte de mais dois generais