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epa11283753 Islamic Revolutionary Guard Corps military commander General Mohammad Bagheri (R) and head of Iranian revolutionary guard corps (IRGC) Hossein Salami (L) attend the Army Day in a military base in Tehran, Iran, 17 April 2024. According to Iranian state media, Raisi described the recent attack launched towards Israel as 'limited' and 'punitive', adding that any act of aggression against Iran will be dealt with a 'powerful and fierce' response. Iran's Islamic Revolutionary Guards Corps (IRGC) launched drones and rockets towards Israel late on 13 April.  EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
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ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

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Ataque israelita matou três dos comandantes mais poderosos do Irão. Quem eram estes militares?

Ataques israelitas contra o Irão mataram vários civis e dois cientistas nucleares. Mas Teerão também perdeu 3 militares de topo, incluindo o Chefe do Estado-Maior e o líder da Guarda Revolucionária.

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Há mais de um ano, em abril de 2024, o Irão lançou o seu primeiro ataque em massa contra solo israelita. Em outubro, voltou a disparar mísseis contra Israel. Por detrás dos dois ataques esteve o mesmo homem: Hossein Salami, comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o ramo mais poderoso das Forças Armadas iranianas. Na madrugada desta sexta-feira, Salami foi morto por um ataque israelita contra vários pontos do Irão.

O líder do IRGC não foi a única baixa de peso no regime de Teerão durante esta noite de ataques. Os media iranianos avançaram ainda a morte de outros dois líderes militares, Mohammad Bagheri e Gholam Ali Rashid, que foram confirmadas pelo ayatollah Ali Khamenei. O líder iraniano declarou que “os seus sucessores e colegas vão assumir imediatamente as suas funções”.

Um dos conselheiros do ayatollah, Ali Shamkhani, ficou “ferido de forma crítica” e chegou mesmo a ser dado como morto por alguns meios de comunicação, mas a sua morte não foi confirmada por Teerão. Shamkhani é um dos homens mais próximos do líder iraniano e um dos responsáveis pela diplomacia do Irão, principalmente nas relações com a Arábia Saudita.

Já este sábado foi confirmada a morte de mais dois generais iranianos de peso: Gholamreza Mehrabi, adjunto da chefia dos serviços de informações do Estado-Maior das Forças Armadas; e Mehdi Rabbani, vice-chefe das operações.

Para além dos militares, o ataque israelita matou ainda vários civis e pelo menos dois cientistas nucleares, segundo os media iranianos citados na imprensa internacional. Um dos cientistas, Fereydoon Abbasi, era o antigo responsável da Organização de Energia Atómica do Irão, enquanto o outro, Mohammad Tehranchi, era um físico e presidente da Universidade Islâmica Azad em Teerão.

Mohammad Bagheri

O major-general Mohammad Bagheri foi, desde 2016, o chefe do Estado-Maior iraniano, sendo por isso a figura no topo das Forças Armadas do Irão. À sua frente na hierarquia militar só está uma pessoa: o Líder Supremo Ali Khamenei.

Bagheri nasceu em 1958 e criou nome dentro do Exército iraniano durante a primeira guerra do Golfo. Depois disso, construiu currículo no combate aos grupos curdos no Irão. Em 2019, já depois de estar à frente das Forças Armadas, fez parte de uma lista de dez líderes iranianos que foram sancionados pelo Departamento do Tesouro norte-americano (Khamenei também estava na lista).

epa11283753 Islamic Revolutionary Guard Corps military commander General Mohammad Bagheri (R) and head of Iranian revolutionary guard corps (IRGC) Hossein Salami (L) attend the Army Day in a military base in Tehran, Iran, 17 April 2024. According to Iranian state media, Raisi described the recent attack launched towards Israel as 'limited' and 'punitive', adding that any act of aggression against Iran will be dealt with a 'powerful and fierce' response. Iran's Islamic Revolutionary Guards Corps (IRGC) launched drones and rockets towards Israel late on 13 April.  EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

▲ Mohammad Bagheri, chefe das Forças Armadas iranianas

ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

O grupo era responsabilizado por “exportar terrorismo e avançar políticas de destabilização no mundo inteiro“, segundo o documento citado pela CNN. O trabalho de Bagheri em particular era descrito como “a implementação de políticas e monitorização e coordenação de atividades dentro das Forças Armadas”.

Em abril deste ano, Bagheri foi um dos oficiais que se reuniu com o ministro da Defesa da Arábia Saudita, numa rara visita do saudita a Teerão. O ministro terá avisado o Irão de que devia aceitar o acordo nuclear proposto por Donald Trump — e que Washington e Teerão estavam a negociar — como forma de evitar uma guerra com Israel, relatou a Reuters.

Hossein Salami

Tal como com Bagheri, Hossein Salami destacou-se entre os militares iranianos durante a primeira Guerra do Golfo, quando se juntou ao IRGC. Chegou a segundo comandante da Guarda Revolucionária em 2009 e ao topo do comando militar desta ala militar em 2019. À mesma data, os Estados Unidos impuseram sanções contra todos os comandantes da IRGC — Salami ja era alvo de sanções norte-americanas deste o início do século XXI.

Washington classifica o IRGC como responsável pela promoção do poder do Irão do estrangeiro nomeadamente através do apoio às milícias alinhadas como os Houthis, o Hezbollah ou o Hamas — o chamado “Eixo da Resistência”. Ao mesmo tempo, está encarregue de dominar divergências internas. Na qualidade de líder, terá sido Salami a coordenar os dois ataques iranianos contra Israel no ano passado.

Em janeiro, foi gravado pelos media estatais iranianos a visitar uma instalação militar que disse ter sido utilizada para lançar estes ataques. Nestas imagens, Salami saudou os soldados iranianos e caminhou por cima de bandeiras israelitas e norte-americanas.

epa12103388 Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC) head Hossein Salami delivers a speech during a ceremony marking the first death anniversary of late Iranian President Ebrahim Raisi, in Tehran, Iran, 15 May 2025. Iran's former president Raisi died in a helicopter crash on 19 May 2024.  EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

▲ Hossein Salami, líder da Guarda Revolucionária Iraniana

ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

Foi esta mesma retórica anti-americana e anti-israelita que acelerou a sua subida na hierarquia militar, descreve a BBC. No mês passado, Salami tinha dito que Teerão iria “abrir as portas do inferno” caso fosse atacado. Na véspera dos ataques que o mataram, voltou a avisar que o Irão está “completamente pronto para qualquer cenários, situação ou circunstância”. “O inimigo pensa que pode lutar contra o Irão da mesma forma que luta contra palestinianos indefesos que estão sob cerco israelita. Nós somos testados e experientes em guerra”.

Gholam Ali Rashid

É o mais veteranos dos três militares. Gholam Ali Rashid nasceu em 1953 e durante a primeira Guerra do Golfo era já uma das principais mentes por detrás da estratégia militar iraniana e um dos líderes da Guarda Revolucionária. Depois da guerra, foi comandante de operações do IRGC, segundo comandante dos serviços de informação iranianos e segundo comandante do Estado-Maior iraniano.

Desde 2016, passou a comandante do quartel de Khatam al-Anbiya, o comando unificado das Forças Armadas iranianas, responsável por planear e coordenar operações militares. Ao mesmo tempo, foi ocupando cargos nas áreas da Defesa e da Segurança Nacional. Distingue-se dos outros comandantes mortos pelo longo currículo em múltiplos cargos. Mas tem em comum uma coisa com Salami e Bagheri: também fazia parte das listas de sanções dos Estados Unidos. Ali Rashid foi sancionado pelo Departamento do Tesouro em 2018.

Atualizado às 10h10 com a informação de que o Irão confirmou a morte de mais dois generais

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