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Depois de críticas de Israel, polícia britânica investiga cânticos anti-IDF no festival de Glastonbury

Este artigo tem mais de 1 ano

O festival foi palco de cânticos pela "Palestina Livre" e de "Morte às IDF" na atuação do duo Bob Vylan. A atuação dos Kneecap não foi transmitida por acusações criminais relativas a outros concertos.

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▲Festival de música britânico termina a 29 de junho

PA Images via Getty Images

▲Festival de música britânico termina a 29 de junho

PA Images via Getty Images

“Palestina Livre!“. O cântico fazia-se ouvir em Glastonbury, liderado pelo duo punk Bob Vylan, que atuava este sábado à tarde, no segundo dia do festival britânico. “Mas já ouviram este? Morte, morte às IDF!“, continuou um dos membros, Bobby Vylan, referindo-se ao Exército israelita. As palavras geraram uma onda de “choque” no Reino Unido, que levou a polícia local a investigar o caso.

“Estamos cientes dos comentários feitos por atuações no palco West Holts no Festival de Glastonbury esta tarde. As provas em vídeo vão ser avaliadas pelos agentes para determinar se podem ter sido cometidas ofensas que obriguem a uma investigação criminal”, escreveu a polícia de Avon e Somerset no X.

O comunicado das autoridades seguiu-se a uma publicação da embaixada israelita no Reino Unido na mesma rede social, que disse estar “profundamente incomodada com a retórica inflamatória e de ódio expressada”. Em causa não estavam apenas as declarações de “morte às IDF”, mas também a utilização do lema “do rio até ao mar”, que defende o reconhecimento de um Estado palestiniano único entre a Cisjordânia (no rio Jordão) e a Faixa de Gaza (no mar Mediterrâneo). A embaixada considera que estes cânticos “apelam implicitamente à eliminação da auto-determinação judaica”.

Este domingo, o governo britânico e os organizadores de Glastonbury responderam ao apelo da embaixada para que “organizadores, artistas e líderes públicos” denunciassem as declarações. O ministro da Saúde britânico considerou que a atitude do artista tinha sido “chocante” e que a BBC deveria ser responsabilizada por o momento ter sido transmitido em direto no canal público. No entanto, Wes Streeting argumentou que o foco das autoridades israelitas não devia ser “golpes publicitários” de artistas estrangeiros, mas os seus problemas internos.

“Ponham ordem na vossa própria casa, no que toca à conduta dos vossos próprios cidadãos e dos colonos na Cisjordânia”, respondeu à embaixada israelita, em entrevista à Sky News. “A forma como Israel está a conduzir esta guerra tornou extremamente difícil para os aliados de Israel por todo o mundo ficarem parados e a justificar [a ofensiva na Faixa de Gaza]”, acrescentou.

Já o festival de Glastonbury recorreu às redes sociais para condenar as declarações dos Bob Vylan, que disse terem “passado uma linha”, utilizando também a expressão “chocante”. Além disso, distanciou-se da posição do grupo, que disse não refletir os valores do festival.

A BBC, o governo britânico e os Kneecap

Na verdade, as declarações dos Bob Vylan não são o primeiro capítulo desta história. A BBC e Glastonbury já tinham tomado medidas para prevenir que acontecessem momentos como este ao proibir a transmissão em direto de uma outra atuação no mesmo palco: a do trio irlandês de hip-hop Kneecap.

A decisão foi justificada com o cumprimento das “linhas editoriais” do canal, mas a atuação foi, posteriormente, disponibilizada na plataforma online da BBC. Na origem da decisão estará a acusação de terrorismo contra o membro da banda, Liam Óg Ó hAnnaidh — conhecido como Mo Chara — por ter levantado uma bandeira do Hezbollah em palco, em novembro do ano passado. Mo Chara nega as acusações e a banda declarou estar a ser alvo de “campanha de difamação”.

No sábado, o primeiro-ministro Keir Starmer pronunciou-se contra a atuação dos Kneecap, que considerou não ser “apropriada” para o festival de Glastonbury, dado o processo judicial que um dos membros enfrenta. Horas depois, em cima do palco, também eles gritaram pela “Palestina Livre” em coro com milhares de fãs e centenas de bandeiras da Palestina e da Irlanda. Os cânticos foram precedidos de uma resposta sucinta às críticas do primeiro-ministro: “Os Kneecap não são a história. O genocídio é a história. Vai-te f**** Keir Starmer“.

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