Mariana Vieira da Silva não quis integrar a direção que o novo líder do PS está a compor para levar a votos este sábado, na Comissão Nacional do partido. “Contribuirei para ajudar o PS na direção do grupo parlamentar”, diz a própria ao Observador, assumindo ter recusado o convite que lhe foi feito por José Luís Carneiro para fazer parte do secretariado nacional do PS. Também Marina Gonçalves está indisponível para se manter na equipa.

O novo líder pretendia integrar na sua direção elementos da anterior equipa de Pedro Nuno Santos, tal como noticiou o Observador na semana passada, mas esta já é a segunda nega que leva. Mariana Vieira da Silva argumenta com o tempo que já leva no secretariado para sair agora: “Já estando desde 2018, entendi que não era este o contributo que agora queria dar” ao partido. Já esta segunda-feira, a rádio Renascença avançou que António Mendonça Mendes tomou a mesma decisão.

Também Marina Gonçalves, outro membro da anterior direção e muito próxima de Pedro Nuno Santos, disse ao Observador que não está disponível para se manter na direção — para a qual também não chegou a ser convidada por Carneiro. “É um novo ciclo, tem de ter novas caras”, justifica. Tal como Vieira da Silva e Mendonça Mendes, a deputada aceitou, no entanto, manter-se na direção da bancada parlamentar do PS.

Antes mesmo das diretas, Alexandra Leitão e Duarte Cordeiro (mais dois elementos da anterior direção) tinham anunciado que não pretendiam continuar na direção nacional do partido depois de eleito o novo secretário-geral.

Mariana Vieira da Silva entrou para a direção do PS na era de António Costa, de quem foi sempre braço direito no Governo. Mais recentemente tem estado entre os críticos a José Luís Carneiro, tendo feito parte do grupo — com Fernando Medina, Duarte Cordeiro e Ana Catarina Mendes — que tentou encontrar uma alternativa à sua candidatura. Este grupo defendia também uma reflexão interna anterior à disputa pela liderança, que diz não ter sido feita tendo em conta o avanço imediato de Carneiro depois da demissão de Pedro Nuno Santos.

O avanço rápido para a substituição do líder do PS fez com que parte da reorganização interna fosse empurrada para depois das autárquicas, nomeadamente a realização do Congresso onde será eleita uma nova Comissão Nacional, que é o órgão que elege o secretariado (direção reduzida) e a Comissão Política Nacional (direção alargada). Mas Carneiro entendeu apresentar já uma nova direção, deixando para depois do congresso a Comissão Política Nacional.

O presidente do PS, Carlos César, já convocou para o próximo sábado, uma semana depois da eleição do novo secretário-geral do PS, uma reunião da Comissão Nacional do partido para proceder às alterações da direção.

Carneiro vai “renovar” direção do PS, mas quer manter alguns nomes do passado

Artigo atualizado às 12h15 com declarações da deputada do PS Marina Gonçalves.