José Luís Carneiro prepara-se para ser eleito, este sábado, secretário-geral do PS e vai propor uma nova direção à Comissão Nacional do partido. A ideia do futuro líder socialista passa por “renovar” a equipa que vinha de Pedro Nuno Santos com objetivos concretos, mas a intenção é também manter alguns elementos da anterior equipa. Uma linha que pretende seguir também na direção da bancada parlamentar que está a ser ultimada pelo futuro líder, Eurico Brilhante Dias.

Ao resolver já a questão da liderança do partido, com eleições diretas este sábado e deixando o congresso para depois das autárquicas, ficariam pendentes alterações nos restantes órgãos nacionais do PS, como é o caso da Comissão Nacional que elege os dois órgãos de direção nacional: o secretariado e a comissão política nacional. Mas José Luís Carneiro vai querer convocar uma reunião desse órgão máximo entre congressos para propor a sua própria direção. A ideia da mudança na direção é, segundo apurou o Observador, “renovar” o que está e ter, na direção, “uma representação de todo o território“, “competências políticas diferenciadas” e também “várias gerações” do partido.

Já quanto à comissão política nacional, o socialista vai esperar pela nova Comissão Nacional que for eleita no congresso do partido — que vai ocorrer em data a determinar pela nova direção — para compor um novo órgão de direção alargada.

A ideia genérica que Carneiro tem defendido junto de alguns elementos do partido é a de tentar “coesão”, como descreve um dos socialistas com que o Observador falou. Ou seja, pretende integrar elementos de outras alas, nomeadamente da que esteve ao comando nos últimos tempos, nos órgãos de decisão do partido, seja o secretariado, seja a direção da bancada parlamentar. Mas já houve alguns nomes importantes dessa era que se colocaram fora antes mesmo de qualquer decisão do futuro líder.

Duarte Cordeiro disse, no seu espaço de comentário no canal Now, que no futuro preferia “participar noutro tipo de órgão nacional” e que ia aguardar pelo congresso “para saber como pode participar na vida do partido sem ser na direção”. Na mesma altura, em entrevista à Antena 1, a candidata do PS à Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão, anunciou a sua saída do secretariado, considerando que “depois da eleição do novo secretário-geral, o PS deve ter a sua direção, o seu grupo”.

Cordeiro tinha sido um dos elementos que tinha estado ativamente a procurar uma solução alternativa à candidatura à liderança de José Luís Carneiro, bem como Fernando Medina, Ana Catarina Mendes ou Mariana Vieira da Silva. Deste grupo que se posicionou como crítico logo de início, existem alguns elementos que podem fazer parte das contas de Carneiro.

Há cerca de um mês, numa entrevista à rádio Renascença, Eurico Brilhante Dias — que é um dos principais conselheiros de Carneiro — defendia de forma clara que estes socialistas fossem integrados numa futura direção do partido. “Não vejo razões para que muitos deles não sejam membros do Secretariado Nacional, se isso for entendido como pertinente. O Secretariado Nacional é um órgão executivo do partido, o Grupo Parlamentar terá uma direção. São gente de muita qualidade, que faz muita falta ao PS”, argumentava o socialista que Carneiro escolheu para liderar a bancada parlamentar do PS na Assembleia da República.

No caso de Medina, não se tem mostrado disponível para estar na linha da frente do partido nesta fase. Mariana Vieira da Silva tem sido uma das vozes mais ativas na crítica a Carneiro — a começar logo pela pressa no lançamento de uma candidatura à sucessão de Pedro Nuno Santos –, está no secretariado que está em funções e também na direção da bancada parlamentar, sendo apontada no partido como uma das figuras que o futuro líder quererá manter.

Vieira da Silva não tinha apoiado Carneiro (nem Pedro Nuno) nas diretas de 2023, mas acabou por entrar para os órgãos nacionais do partido na quota de 35% indicada então por Carneiro. Já Ana Catarina Mendes, que é atualmente eurodeputada, é um dos nomes que no partido circula como possível na nova direção — do núcleo mais crítico foi o único elemento que esteve na apresentação de candidatura de Carneiro, no início deste mês.

Mas o futuro líder socialista vai ter de tomar decisões em relação a outros nomes mais marcadamente conotados com o pedronunismo e que são membros efetivos da direção que quer alterar, como é o caso de Marina Gonçalves, João Torres, Pedro Delgado Alves (atualmente líder parlamentar interino) ou João Paulo Rebelo (que recentemente passou a diretor-geral do partido, sendo o responsável pelas finanças e recursos humanos).

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Alguns destes nomes repetem-se na direção da bancada, como é o caso Marina Gonçalves, João Torres ou Pedro Delgado Alves. É o que também acontece com os nomes vindos do costismo, como Mariana Vieira da Silva e António Mendonça Mendes que, ao que o Observador apurou, deverá manter-se, pelo menos, na direção da bancada.

Na liderança da bancada ficará, sem grande surpresa, Eurico Brilhante Dias que já tinha sido líder parlamentar do PS, mas numa configuração muito distante da que existe atualmente. Foi o escolhido por António Costa para dirigir a bancada da maioria absoluta que o PS conquistou nas legislativas de 2022.

Antes disso tinha sido secretário de Estado da Internacionalização, tendo entrado no Governo na remodelação de 2017 para uma área tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros então liderado por Augusto Santos Silva. Saiu do Governo para ficar no Parlamento a liderar a maioria absoluta, um desafio tranquilo a comparar com o bico de obra que encontrará no Parlamento esta legislatura, com o PS a ser pela primeira vez na história a terceira força política. à Renascença tinha admitido poder vir a ocupar este cargo, embora também dissesse que “não era uma cadeira de sonho”.

Iniciou-se no partido na JS, onde foi  vice-presidente da comissão política da então secretária-geral Jamila Madeira e, anos mais tarde, foi membro da direção de António José Seguro, quando este foi líder do partido, entre 2011 e 2014. Foi dos poucos nomes desse universo segurista que foi recuperado por António Costa. Depois da saída de Costa, apoiou as duas candidaturas à liderança de José Luís Carneiro.