O novo secretário-geral do Partido Socialista deslocou-se esta quarta-feira a Bruxelas para um encontro com os restantes líderes da sua família europeia. No final da reunião, José Luís Carneiro declarou que ainda aguarda que o Governo tome “iniciativa” para o diálogo, em particular sobre as alterações à lei da imigração. Além disso, o líder socialista também quer encontrar-se com os restantes titulares da soberania.
“Ontem pudemos dialogar com o senhor Presidente da República que estávamos disponíveis para dialogar com o Governo nas matérias de soberania e naquelas que são dimensão de regime”, afirmou na conferência de imprensa do Partido dos Socialistas e Democratas da Europa (S&D). “Vamos aguardar que o Governo se coloque à disposição para esse diálogo. Vamos aguardar pela iniciativa de Governo, porque é ao Governo que compete essa iniciativa”, acrescentou.
Mas o foco de Carneiro não está só no Executivo de Luís Montenegro. “Irei fazer uma reunião de trabalho com o senhor presidente da Assembleia da República, a quem pedirei uma audiência. Irei também reunir com os tribunais superiores e tenho também em vista pedir uma audiência com o senhor primeiro-ministro”, elencou.
“Talvez seja esse o momento oportuno para podermos conversar sobre as várias matérias que têm estado em cima da mesa”, concluiu, recusando alongar-se sobre temas da política nacional. Neste sentido, recusou pronunciar-se sobre as eleições presidenciais, preferindo pôr a tónica nos temas que unem o S&D, como a Defesa e a segurança na Europa e a crise da habitação.
Questionado pelos jornalistas sobre um eventual anúncio de uma candidatura presidencial de Augusto Santos Silva, José Luís Carneiro pediu para “aguardar pela reflexão e pela comunicação que irá ser feita sobre essa reflexão”.
Face à insistência na pergunta, o socialista insistiu que a prioridade do PS são as eleições autárquicas no final do ano e que apenas depois desse ato eleitoral é que o PS vai pronunciar-se sobre um eventual apoio a uma candidatura à Presidência da República: “É um assunto que será objeto de uma análise e de uma decisão depois das eleições autárquicas.”
“As candidaturas presidenciais são um ato unipessoal e de cidadania, devemos respeitar o tempo, e o modo e a decisão daqueles que querem habilitar-se a essa tão importante e relevante função”, comentou.
Notícia atualizada às 11h50 com as declarações sobre as eleições presidenciais