A polícia queniana abriu esta segunda-feira fogo sobre uma multidão de manifestantes que está a participar num protesto de grandes dimensões no centro da capital do país, Nairóbi, contra o governo, noticia a Agência Reuters. 

De acordo um comunicado do Serviço Nacional da Polícia do Quénia, pelo menos onze pessoas morreram na sequência das manifestações. Há ainda 11 civis feridos, bem como 52 polícias.

De acordo com a Agence France-Presse, que cita a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quénia, pelo menos dez pessoas morreram na sequência das manifestações. Há ainda registo de pelo menos 29 feridos.

A maioria das estradas que conduzem ao centro da cidade tinham já sido cortadas pela polícia, que montou um forte dispositivo de segurança na cidade em antecipação aos protestos e que começou por lançar gás lacrimogéneo contra os civis, como descreve a BBC.

As manifestações foram marcadas para assinalar o dia “Saba Saba” — suaíli para “Sete Sete”, em referência ao dia 7 de julho —, o histórico dia em que, em 1990, fortes protestos no Quénia conduziram à implementação de um sistema multipartidário e à queda do governo autocrático.

Para este ano, foram convocadas manifestações contra a estagnação económica, a corrupção e a brutalidade policial, o mais recente numa onda de protestos contra o governo de William Ruto, eleito em 2022, que tem sido duramente criticado pela oposição e por organizações de direitos humanos.

As manifestações acontecem poucos dias depois de 19 pessoas terem morrido e 500 terem sido detidas num conjunto de protestos a 25 de junho, convocados como forma de homenagear as dezenas de vítimas do movimento que, no ano passado, se insurgiu contra o aumento de impostos e viu a sua manifestação ser duramente reprimida pelas autoridades.