Quinze elefantes morreram no último mês nos arredores do Parque Nacional de Amboseli, no sul do Quénia. Entre os animais encontrados, contam-se sobretudo fêmeas e crias, tendo sido identificado apenas um macho. Após abrir uma investigação urgente, o Serviço de Vida Selvagem do Quénia (KWS, sigla em inglês) informou que as mortes poderão ter sido provocadas pela ingestão de pesticidas utilizados em plantações de tomate nas proximidades, segundo o The Guardian.
O diretor-geral do órgão estatal responsável pela conservação e gestão da fauna e flora selvagens nos parques e reservas nacionais do país, Erustus Kanga, disse que a análise das amostras recolhidas das carcaças dos animais encontrou vestígios de cianeto, “uma substância química altamente tóxica” utilizada na agricultura para controlo de predadores. “Se os elefantes ingerirem cianeto, não sobrevivem nem um ou dois dias”, afirmou.
Kanga alertou ainda para a possibilidade de os efeitos da substância se estenderem para além da população de elefantes, uma vez que o gado da região também pode alimentar-se de produtos provenientes das explorações agrícolas locais. “Temos cabras e gado lá. Eventualmente, se este cianeto for realmente o que está no organismo, então veremos um maior impacto”.
Na quarta-feira, o KWS informou, citado pelo jornal britânico, que 10 dos elefantes apresentaram sinais de paralisia parcial nos dois dias que antecederam a morte. O órgão estatal acrescentou que as carcaças dos restantes cinco encontravam-se em avançado estado de decomposição ou tinham sido parcialmente devoradas por outros animais, o que impossibilitou determinar a causa das respetivas mortes.
Os animais foram encontrados no Santuário de Kimana e nas áreas de pastagem do Grupo Kuku, nos arredores do Parque Nacional de Amboseli. A região, juntamente com as reservas vizinhas, alberga mais de 1600 elefantes. Kimana é também uma importante zona de produção de tomate, onde investigadores da Route to Food Initiative, uma organização dedicada aos direitos alimentares no Quénia, já tinham denunciado a utilização de cianeto nas terras agrícolas.
Entretanto, outras organizações que trabalham na região manifestaram preocupação com a morte dos elefantes e alertaram para os potenciais riscos da utilização de substâncias tóxicas nas explorações agrícolas próximas das áreas de conservação.
Benson Leyian, diretor da Big Life Foundation, considera que “a população de elefantes de Amboseli é uma das mais bem protegidas em África”, tendo a caça furtiva sido “praticamente eliminada” na região. “Além das perdas durante períodos de seca severa, há algum tempo que não víamos um conjunto de mortes de elefantes como este“, admitiu.
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