Já foram capturados os dois reclusos que fugiram esta segunda-feira do Estabelecimento Prisional de Alcoentre, de alta segurança. A captura foi feita na manhã desta terça-feira pela GNR e os dois homens estão agora no posto da GNR de Aveiras, a cerca de dez quilómetros de Alcoentre, noticiou a SIC e confirmou o Observador.

Ao Observador o Comandante do Destacamento Territorial de Alenquer, João Costa, explicou mesmo que os dois homens foram capturados na zona da Espinheira, por volta das 7h da manhã, depois de terem feito cerca de 10 quilómetros a pé: “Foram procurando locais com comida e água e com base em informações que fomos recebendo, os militares da GNR capturaram-nos ao início da manhã, durante a fuga apeada”.

A fuga dos evadidos durou, assim, cerca de 12 horas.

Em comunicado, a GNR explica que “desde o conhecimento da fuga dos suspeitos, o dispositivo policial da Guarda desenvolveu um conjunto de diligências, discretas, de recolha e troca de informação e de utilização de diversos mecanismos de vigilância, que permitiram, após uma denúncia pelas 3h00, a captura e a detenção dos evadidos, por parte dos militares do Posto Territorial de Aveiras, pelas 06h40”.

Denúncia às 3h foi fundamental: drone e militares bateram terreno de madrugada

O Observador sabe que pelas 3h um morador de uma localidade próxima informou a GNR de que tinha visto duas pessoas, que não eram conhecidas, em fuga, tendo essa descrição sido levada a sério pela GNR.

Para o local foram enviados militares e um meio aéreo não tripulado, um drone, para tentar confirmar se os dois homens eram os fugitivos de Alcoentre. João Costa explica que foram feitas batidas pelos militares e com vigilância aérea, não tendo sido possível localizar ninguém.

Já mais de 3 horas depois, quando o meio aéreo já não estava a ser utilizados, dois militares acabaram por, seguindo outras pistas, localizar os reclusos na localidade da Espinheira.

Na segunda-feira Frederico Morais, dirigente do Sindicato Nacional da Guarda Prisional, tinha adiantado ao Observador que os dois reclusos “subiram um muro” do Estabelecimento Prisional de Alcoentre e “desceram-no com uma corda”. “Estava tudo programado.”

Numa nota enviada à comunicação social, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) indicava que os reclusos tinham “nacionalidade portuguesa”. “Têm 37 e 44 anos e encontram-se condenados pelos crimes de tráfico de estupefacientes e roubo em penas de 5 anos e 8 meses e de 4 anos e 9 meses.”

Serviços prisionais admitem défice de guardas devido a greve à hora da fuga de Alcoentre

A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) admitiu que, devido a uma greve às horas extraordinárias, havia um défice de guardas ao serviço quando os dois reclusos fugiram.

“A DGRSP […] reconhece que à hora que se verificou a evasão no Estabelecimento Prisional de Alcoentre havia um deficit de elementos do Corpo da Guarda Prisional ao serviço, em função da greve às horas extraordinárias que aí está a decorrer”, refere, em resposta escrita à Lusa, fonte oficial do organismo.

A mesma fonte escusou-se a indicar, por razões de segurança, quantos profissionais se encontravam a trabalhar.

Ministra admite “três falhas” de segurança que permitiram fuga, mas elogia “rápida reação”

Rita Júdice, ministra da Justiça, admitiu na tarde desta terça-feira que a “vulnerabilidade” que permitiu a fuga dos dois reclusos “estava identificada”.

“Conseguimos confirmar que não havia guarda na torre de vigia que tinha acesso e visibilidade para a zona da fuga. Não havia nenhum guarda a seguir as câmaras de videovigilância e não havia também nenhum guarda no pátio”, informou a ministra.

Admite, portanto que “houve essas três falhas” e que estas aconteceram devido à falta de “recursos disponíveis naquele estabelecimento prisional” no momento da fuga.

A ministra assinalou a “greve em curso às horas extraordinárias que teve um impacto direto nesta situação”. “Há uma falta de recursos séria no recrutamento de guardas prisionais, o processo está em atraso. Nesse estabelecimento prisional, além da falta de guardas temos 30 guardas com baixa médica”, afirmou ainda.

Segundo Rita Júdice, “deveriam [estar ao serviço] mais [guardas] do que aqueles que estavam”, referindo que aqueles que estão em baixa de saúde “são mais do dobro do que aqueles que deveriam estar”.

“Havia 17 guardas presentes naquela hora e deveriam estar mais, não consigo dizer em concreto [quantos], mas se pudermos ter mais guardas teremos mais facilidade de serviço, o que não quer dizer que o estabelecimento como um todo estivesse em risco”, assegurou.

Para a ministra, as  fugas ocorreram “porque não havia vigilância específica naquela área”, mas foram imediatamente acionados todos os meios para resolver a situação. “Houve uma rápida reação quer à tutela, quer aos órgãos de polícia criminal que permitiu a recaptura”, afirmou.