Chegou o dia de todas as decisões. Pela primeira vez nas suas carreiras, Iga Swiatek e Amanda Anisimova apuraram-se para a final de Wimbledon, torneio que, pela oitava edição consecutiva, sabia de antemão que ia ter uma vencedora inédita. No caso da polaca, que ocupa o quarto lugar no ranking mundial, esta era a sua sexta final de um Grand Slam, sendo que, nas cinco anteriores, nunca tinha perdido. Já a norte-americana, número 12 do planeta, ia disputar a sua primeira final de sempre de um Major, logo no All England Club e depois depois de ter eliminado a número um, Aryna Sabalenka, nas meias-finais.

A mão de Amanda agarrou aquilo que a cabeça estava a ceder: Anisimova vence Sabalenka e chega à primeira final de um Grand Slam

“Sinceramente, se me dissesses que eu estaria na final de Wimbledon, não acreditaria… É indescritível estar aqui. Quando parei, muitas pessoas disseram-me: ‘Nunca voltarás à época de ouro se te afastares tanto do ténis’. O simples facto de poder mostrar que se pode regressar ao topo se se priorizar a si mesmo é incrivelmente especial para mim. Significa muito. Demonstrar que podes regressar ao topo se deres prioridade a ti mesma… Isso tem sido incrivelmente especial. Ela [Swiatek] consegue jogar um ténis incrível e adora superfícies rápidas, porque tem um jogo muito plano. Portanto, tens de estar preparada para pancadas rápidas e a sua proatividade. Mas vou focar-me em mim”, perspetivou Anisimova.

“Nunca sequer sonhei que fosse possível para mim disputar a final. Estou super entusiasmada e orgulhosa de mim mesma. Achei que já tinha vivido tudo e experienciado tudo em campo, mas não tinha jogado bem em relva. Sentia-me confiante e simplesmente arrebatei com tudo. Não sou o tipo de pessoa que define esse tipo de objetivos. Vivo torneio a torneio. Não acordo a pensar: ‘Vou vencer três Grand Slams este ano’, porque não é assim que funciono. Tenho metas mais realistas e treino dia após dia. É isso que sempre funcionou. Anisimova? Não acompanhei tantos jogos dela, mas de certeza que ela tem estado a jogar muito bem. Com o estilo que ela tem, esta superfície encaixa-lhe bem. Vai ser um desafio”, assumiu Swiatek.

Deste modo, num court central a rebentar pelas costuras, o primeiro set foi de sentido único, com Swiatek a entrar com a corda toda e conseguir o primeiro break logo no primeiro jogo, depois de ter somado os três primeiros pontos. A partir daí, a polaca esteve quase irrepreensível no seu jogo de serviço e voltou a conseguir um break ao 3-0, num jogo de serviço em que Anisimova deu mais luta. Os três últimos jogos foram de domínio de Iga Swiatek, que só consentiu dois pontos e fechou o primeiro parcial com um dominador 6-0, em apenas meia-hora. Pela negativa, a norte-americana cometeu 14 erros não forçadas, contra apenas dois da adversária, que foi bem mais consistente.

Esperava-se uma reação de Anisimova no segundo set, mas a toada manteve-se, com Swiatek a chegar ao break logo no início. A norte-americana continuou a cometer erros não forçadas e, apesar de ter igualado a polaca no seu jogo de serviço, consentiu o 2-0. De novo a servir, o ligeiro relaxamento de Swiatek levou a nova recuperação de Anisimova que, ainda assim, cedeu novo break com um golpe contra a rede (3-0). O quarto jogo foi o mais equilibrado do encontro até então, com a polaca a chegar ao 4-0 apenas segundo momento das vantagens. Anisimova voltou, então, a servir e, uma vez mais, mostrou-se aquém do esperado e somou vários erros. Por fim, o derradeiro jogo até começou com um erro de Iga Swiatek que, ainda assim, conseguiu a remontada e fixou a vitória num histórico parcial de 6-0 e 6-0. Pela primeira vez na história uma tenista da Polónia conquistou Wimbledon. Sem fazer parte do lote de favoritas há duas semanas, Swiatek sai de Inglaterra com o sexto major da sua carreira e está agora a um Open da Austrália de completar os quatro Grand Slams.