O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou esta terça-feira o seu apoio a Jair Bolsonaro, que qualificou como “homem bom”, e insistiu que o seu julgamento no Brasil é uma “caça às bruxas” com o qual “ninguém está contente”.

Antes de uma viagem para o Estado da Pensilvânia, Trump disse aos jornalistas: “Bolsonaro é um homem bom. Conheci muitos primeiros-ministros, presidentes, reis e rainhas e sei que sou muito bom nisto: Bolsonaro não é um homem desonesto. Ama o povo brasileiro. Lutou com afinco pelo povo brasileiro.”

Segundo a procuradoria brasileira, Bolsonaro e outros sete réus, num julgamento que transitou para o Supremo Tribunal, são acusados de “golpe de Estado”, “organização criminosa armada”, “tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito”, “destruição qualificada por violência grave ou ameaça” e “destruição de património protegido”.

“Conheço-o. Não é meu amigo. É um conhecido. Conheço-o como representante de milhões de brasileiros. São gente maravilhosa. Ele ama o seu país, lutou com afinco por essa gente e querem metê-lo na prisão. Creio que é uma caça às bruxas e que é muito lamentável. Ninguém está contente com o que o Brasil está a fazer, porque o Bolsonaro era um Presidente respeitado, muito respeitado”, acrescentou.

Na semana passada, Trump ameaçou aplicar taxas alfandegárias de 50% a todos as importações vindas do Brasil a partir de 1 de agosto e citou explicitamente o processo contra Bolsonaro na carta em que anunciou a sua decisão.

Na sua opinião, Bolsonaro é vítima de uma “caça às bruxas” por uma justiça que também dita “ordens secretas” e “ilegais” contra empresas da internet baseadas nos EUA, que foram punidas no Brasil por violarem as leis do país.

O procurador-geral do Brasil pediu esta terça-feira a condenação do ex-Presidente Jair Bolsonaro e de sete antigos colaboradores por tentativa de golpe de Estado contra o atual Presidente, Lula da Silva.

Indústria brasileira apoia Governo face à ameaça de Trump e quer negociações

As principais associações patronais da indústria brasileira manifestaram apoio à posição do governo perante a ameaça tarifária dos Estados Unidos e mostraram-se favoráveis a uma negociação que evite uma escalada do conflito comercial.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Álvarez Alban, disse, após uma reunião com as autoridades, que os empresários rejeitam as ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo Álvarez Alban, os empresários sugeriram ao governo que solicite um adiamento de 90 dias dessas sanções, para dar mais tempo para possíveis negociações.

Na reunião, o governo foi representado pelo vice-Presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, segundo o qual a posição dos empresários é a mesma do seu gabinete, que, desde abril — quando Trump anunciou o início de sua guerra comercial contra o mundo —, tenta negociar.

Alckmin referiu-se a vários encontros que funcionários de seu gabinete tiveram nos últimos meses com membros do governo americano e disse que o Brasil está “determinado” a manter esse diálogo para “reverter uma situação” que não favorece nenhum dos dois países.

O ministro insistiu que, de acordo com dados dos EUA, a potência do norte mantém um superávite comercial com o Brasil há pelo menos 15 anos.

A reunião, que antecedeu uma outra a ser realizada com representantes do setor agrícola, contou com a presença das direções da CNI, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e de todas as principais associações patronais da iniciativa privada.

Os Estados Unidos são o destino de 12% das exportações do Brasil, que no ano passado totalizaram 40,3 mil milhões de dólares (34,7 mil milhões de euros), enquanto as importações da maior economia do mundo atingiram 40,5 mil milhões de dólares.