As autoridades tailandesas detiveram uma mulher que terá tido relações sexuais com monges durante três anos, chantageando-os depois com fotografias e vídeos para lhes extorquir dinheiro.
O ponto de partida para que o caso fosse descoberto foi o súbito desaparecimento de um abade, de 67 anos, de um templo budista no centro da capital tailandesa. De acordo com o Bangkok Post, Wilawan Emsawat, a mulher de 35 anos, alegou estar grávida do abade e exigiu-lhe o pagamento de uma pensão de alimentos no valor de sete milhões de baths (cerca de 183 mil euros). As autoridades começaram a seguir o rasto financeiro da mulher, o que permitiu identificar o esquema de chantagem — e a detenção ocorreu esta terça-feira.
Segundo a polícia, Wilawan terá mantido relações sexuais com pelo menos nove monges budistas ao longo dos últimos três anos. Esses encontros foram cuidadosamente registados em fotografias e vídeos que, mais tarde, serviriam de base para a extorsão. Ao todo, a mulher terá conseguido arrecadar cerca de 385 milhões de bahts (cerca de 10 milhões de euros) através de pagamentos exigidos em troca do silêncio dos monges. No entanto, grande parte do dinheiro terá sido gasto em jogos de apostas online.
Quando a polícia revistou a sua casa, localizada num condomínio de luxo, foram encontrados mais de 80 mil ficheiros multimédia com conteúdo sexual. No telemóvel, estavam registadas várias conversas trocadas com os monges de diferentes templos do país.
“Depois de lhe apreendermos o telemóvel, verificámos e descobrimos que há vários monges envolvidos e vários [vídeos] e conversas no Line [aplicação de mensagens]”, explicou a polícia tailandesa, numa conferência de imprensa. “Verificámos o seu rasto financeiro e descobrimos que envolve muitos templos“, acrescentou. No entanto, no momento da detenção, Wilawan tinha apenas oito mil bahts (cerca de 210 euros) na conta bancária.
Emsawat acabou por ser acusada de extorsão, branqueamento de capitais e receção de bens roubados. Numa entrevista aos meios de comunicação social tailandeses, a mulher confirmou ter mantido relações com dois monges e um professor de Religião, além de confirmar que recebeu dinheiro e presentes valiosos, como um Mercedes-Benz SLK200.
Com mais de 90% da população tailandesa identificada como budista, este episódio contribui para o escrutínio crescente sobre a origem e a gestão dos donativos que chegam aos templos. De acordo com o The Guardian, os monges recebem subsídios de alimentação mensais entre os 2500 e os 34.200 bahts (entre os 66 e os 908 euros), consoante a sua posição, e é preciso ter em conta os donativos recebidos pelos templos, que podem revelar-se especialmente lucrativos para monges com estatutos mais elevados. De acordo com o Bangkok Post, o governo tailandês ordenou uma revisão das leis que regulam a vida monástica.
O Conselho Supremo do Sangha, órgão máximo do budismo no país, prometeu, também, criar um comité especial para rever os regulamentos que regem o comportamento dos monges. A polícia criou, ainda, uma linha direta para permitir que os cidadãos denunciem monges que violem os preceitos da sua ordem.