Quem entra no Centro de Saúde de Rio Tinto, em Gondomar, nota desde logo que o espaço está repleto de ventoinhas. São, nesta altura, a única forma de refrigeração do espaço. Naquela Unidade de Saúde Familiar, os aparelhos de ar condicionado deixaram de funcionar há um ano, no verão de 2024.
O problema é de tal forma significativo que o Centro de Saúde colocou, no início do mês, um aviso à porta a alertar que “há um ano que a Câmara Municipal de Gondomar tem conhecimento” deste problema, que persiste. Também era possível ler um outro aviso: “Pode ser necessário ponderar o encerramento da prestação de cuidados programados, na medida em que não estão asseguradas as mínimas condições de segurança”. Mas os avisos foram, entretanto, retirados depois de o caso ter sido notícia em vários órgãos de comunicação social.
O caso é do conhecimento público e da instituição que tutela o edifício do centro de saúde. O Observador falou com a vereadora com o pelouro da saúde na Câmara Municipal de Gondomar, Cláudia Vieira, que confirma ter tido conhecimento da situação aquando da notificação enviada pela Unidade de Saúde Familiar. “Foi um problema que nos foi reportado há cerca de um ano. Na altura, a equipa técnica, que se deslocou, conseguiu mitigar o problema fazendo substituição de peças, ou seja, deixou o equipamento a funcionar razoavelmente, mas, efetivamente, não é um problema que se resolva com uma intervenção técnica” desta natureza, explica. Para resolver o problema será necessária a “remoção de todos os equipamentos e a instalação de um equipamento novo em todo o edifício”. Todavia, Cláudia Vieira salienta que “o equipamento está a funcionar, só não tem capacidade para fazer o frio necessário para arrefecer as salas devidamente”.
Mas o que está na génese do problema? De acordo com a vereadora da saúde, é uma “situação que tem um histórico”. “Recebemos a transferência de competências há cerca de dois anos e recebemos edifícios com mais de 20 anos, como é o caso deste centro de saúde. Estes edifícios há muito não recebiam qualquer intervenção de requalificação. O ar condicionado que lá está tem, precisamente, a mesma idade do edifício”, esclarece.
A Câmara Municipal diz estar empenhada em resolver o problema, mas explica que vai ser precisa uma “obra estrutural”, que pode levar algum tempo. Garante, contudo, estar em contacto permanente com a Unidade de Saúde Familiar. “Já tivemos uma reunião com os coordenadores, com a unidade de gestão e a direção do centro de saúde para explicar quais as diligências que estamos a adotar. Temos de obedecer ao processo de contratação pública”, acrescenta ao Observador.
Os utentes e funcionários são obrigados a lidar com o calor intenso, que agudiza com as cada vez mais frequentes sequências de dias muito quentes. Há relatos de indisposições entre os utentes devido às temperaturas elevadas dentro de portas. “No email que os coordenadores dirigem à Câmara Municipal reportaram que tiveram pessoas que, na sala de espera, se sentiram mal e desconfortáveis com o excesso de calor”, adianta a vereadora. Por isso, sublinha que compreende a “insatisfação tanto dos profissionais de saúde como dos utentes” e que “se fosse um processo de resolução simples já estava resolvido há muito tempo”.
Solução pode chegar só no próximo inverno
O verão ainda vai a meio e não há perspetivas de quando o problema possa ter uma solução. Neste momento, as várias salas do Centro de Saúde de Rio Tinto estão a ser arrefecidas por ventoinhas. Mas a própria vereadora ressalva que “não são uma solução em termos de climatização para aquele edifício” e explica que “as ventoinhas são uma situação de último recurso para procurar mitigar o problema”.
Apesar de não haver data concreta para a “obra estrutural” da climatização, Cláudia Vieira, deixa uma certeza: “Nunca antes de três meses teremos resposta para solucionar definitivamente o problema”. Com isto em mente, a Câmara Municipal está a trabalhar numa solução para o inverno. “Já acautelamos os aquecedores, porque sabemos que podemos, eventualmente, no período mais frio, não ter ainda a situação totalmente resolvida”, assume a vereadora com o pelouro da saúde.
Sobre o aviso colocado à entrada do estabelecimento, Cláudia Vieira, aponta que foi colocado por “iniciativa dos coordenadores que o assinaram, mas que não foi dado conhecimento à unidade de gestão nem à direção do centro de saúde bem como à Câmara Municipal”. A vereadora admite que, apesar de compreender a posição, manifestou “algum desagrado relativamente ao modelo de comunicação” e justifica que a Câmara Municipal “nunca fechou as portas” existindo um “contacto muito direto”.
À porta do centro de saúde de Rio Tinto os utentes admitem, ao Observador, não sentir grandes diferenças relativas aos sistemas de climatização, uma vez que as ventoinhas ajudam a combater o calor. Alguns, porém, confirmam também os relatos de casos de indisposições na sala de espera causadas pelas altas temperaturas. O Observador tentou ouvir a Unidade de Saúde Familiar, mas os responsáveis daquela estrutura não responderam à solicitação.