O Porto de Lisboa está a investir em infraestruturas elétricas em terra desde 2023 num plano “robusto e faseado” que estará concluído em 2027 e no qual já gastou 2,7 milhões de euros, anunciou esta terça-feira a entidade.

Num comunicado a Administração do Porto de Lisboa (APL) faz um balanço do que está a ser feito para tornar a estrutura mais sustentável, depois da divulgação de um estudo que punha em causa o combate à poluição do ar em vários portos da Europa, incluindo o da capital portuguesa.

A APL não coloca o estudo em causa, mas nota que os dados divulgados são do ano passado e de 2023. E diz que “tem em curso um conjunto abrangente de projetos e iniciativas que demonstram” o compromisso ativo com a sustentabilidade.

Segundo o estudo divulgado na semana passada pela agência Lusa os portos europeus, incluindo o de Lisboa, estão a falhar no combate à poluição do ar, continuando sem investir nas infraestruturas elétricas necessárias em terra.

De acordo com o documento, Lisboa e outros portos não fizeram qualquer investimento e só quatro dos 30 maiores portos da Europa investiram em, pelo menos, metade das infraestruturas elétricas necessárias. Sem esses investimentos a maioria dos navios porta-contentores, navios de cruzeiro e ferries continuam a funcionar com combustíveis fósseis enquanto estão atracados.

A APL responde que está em curso um plano para instalar essa capacidade, “Onshore Power Supply” (OPS), que criará a infraestrutura necessária “para fornecer energia elétrica aos navios no Terminal de Cruzeiros de Lisboa e nos terminais de carga da Zona Oriental”.

Segundo a APL o projeto está a ser executado em duas fases, a primeira com um custo de 20 milhões de euros e a segunda será suportada pelos concessionários e respetivos terminais.

Dentro da primeira fase já foram investidos 2,7 milhões de euros para a concretizar, nomeadamente na instalação da linha de alta tensão e nos projetos para a construção da subestação principal e da rede interna de média tensão.

“Este investimento permitirá uma redução significativa de emissões de CO2 (dióxido de carbono), NOx (óxido de azoto), SOx (óxido de enxofre) e partículas, melhorando a qualidade do ar na zona ribeirinha da cidade e aumentando a atratividade do Porto de Lisboa para operadores que valorizam a sustentabilidade”, diz-se no comunicado.

O Porto de Lisboa também foi o primeiro do sul da Europa a integrar uma rede lançada em 2019 que permite monitorizar em tempo real as emissões atmosféricas dos navios durante a sua permanência em porto, e promover a responsabilização ambiental das companhias marítimas.

Segundo o comunicado, também instalou uma turbina eólica urbana numa infraestrutura portuária nacional, um contributo para reduzir a pegada energética do Porto, e mantém parcerias para apoiar a inovação e sustentabilidade.

A APL tem ainda “assumido um papel proativo na monitorização e divulgação de dados sobre a qualidade do ar”, e implementou e lidera o Comité de Sustentabilidade da Atividade de Cruzeiros em Lisboa.