À primeira vista, é difícil não gostar do novo Mazda 6e, uma berlina eléctrica com quase cinco metros de comprimento (4,92 m), espaçosa e com um design atraente, em linha com o estilo apurado a que este construtor japonês nos tem vindo a habituar. Porém, há algumas cartas escondidas na manga deste modelo eléctrico, que se assume como um dos mais acessíveis do mercado, proposto por valores que arrancam nos 40.050€ e que é oferecido com dois níveis de potência e duas capacidades de bateria.

Elegante e agradável à vista, a berlina 6e surge como uma evolução notável face à anterior geração do Mazda 6, então exclusivamente com motores a combustão. Sucede que este modelo eléctrico chega ao continente europeu vindo da China, onde é produzido pela joint-venture formada pela Mazda e pelos locais da Chongqing Changan Automobile, com base no Deepal SL03. Contudo, a marca garante que foram os seus engenheiros que adaptaram o chassis às necessidades dos condutores europeus e que foram igualmente os seus estilistas a esculpir a berlina topo de gama nipónica.

Por dentro, o Mazda 6e é espaçoso e o habitáculo agrada pelos materiais e acabamentos, sendo o modelo comercializado com dois níveis de equipamento, o Takumi e o Takumi Plus, separados por quase 2000€. Os sistemas de segurança mais pretendidos estão presentes, bem como as soluções de conforto e de infoentretenimento, que veremos se funcionam de forma eficiente quando tivermos oportunidade de testar este Mazda eléctrico.

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Como é normal neste segmento do mercado, o D, o Mazda 6e é proposto com dois níveis de bateria, uma com menor capacidade (68.8 kWh) para ser mais leve e barata, e outra mais generosa (mas não muito…) com 80 kWh, para lhe permitir ir mais longe entre carregamentos. Já não é tão habitual que as baterias recorram a químicas distintas, com a pequena a utilizar as LFP (fosfato de ferro-lítio) tão queridas dos chineses por serem baratas apesar de usufruírem de uma densidade energética inferior, enquanto a grande monta células NMC (níquel manganês cobalto), as mais frequentes nos países ocidentais. Mas as surpresas não ficam por aqui, pois as LFP são capazes de carregar até potências de 200 kW — elas que têm mais dificuldade com potências mais generosas —, enquanto as NMC se ficam pelos 95 kW. Isto significa que a bateria maior, que era pressuposto recarregar mais depressa em corrente contínua (DC), é a que armazena energia a menos de metade da potência do acumulador mais pequeno e barato. Em corrente alternada (AC), ambas garantem carregamentos a 11 kW.

Para motorizar o Mazda 6e, o construtor japonês alinhou dois motores, um com 245 cv e outro com 258 cv, mas ambos com 320 Nm, uma “curta” diferença que nos leva a pensar que estamos perante a mesma unidade, mas com diferentes quantidades de enrolamento de cobre. Já é mais difícil de explicar o motivo que levou o construtor a montar o motor mais potente na versão com menos bateria e necessariamente mais barata (tanto mais que são células LFP) e reservou o motor com menos 13 cv para a versão mais cara e com maior autonomia.

Como as encomendas para o novo eléctrico da Mazda estão abertas desde Março, agora que estamos a pouco mais de um mês da chegada das primeiras unidades do 6e ao nosso país, é altura de recordar os preços das diferentes versões, que figuram entre as mais acessíveis para berlinas deste comprimento e espaço interior. Com uma garantia de seis anos e até 150.000 km (e 160.000 km para a bateria com mais de 70% de capacidade de carga), o Mazda 6e com bateria de 68,8 kWh (Standard) e uma autonomia de 479 km é proposto por 40.050€, com o nível de equipamento Takumi. A mesma mecânica no nível Takumi Plus eleva o valor para 42.000€. Já as versões Long Range Takumi (com 80 kWh e 552 km de autonomia) exigem 42.550€, enquanto os Long Range Takumi Plus elevam em 1950€ o investimento inicial.