O Mont Ventoux voltou a ser o palco do caos e da imortalidade. Que o diga Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step) que, esta terça-feira, deu a França uma notável vitória no topo do “Gigante da Provença”. Para além disso, Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) voltaram a protagonizar um duelo intenso, que voltou a terminar ao sprint e com vantagem para o camisola amarela. Tobias Johannessen (Uno-X Mobility), que segue no oitavo lugar, caiu no chão após a meta, mas está apto para prosseguir em prova. Quem também caiu foi Vingegaard, que chocou com um fotógrafo e ficou queixas nos ombros. Outro dos focos da 16.ª etapa foi Nils Politt, gregário de Pogacar, que impediu alguns ciclistas de chegarem à fuga, como foi o caso de Iván Romeo (Movistar) e

França ganha um herói, extraterrestre reforça capa de líder: Valentin Paret-Peintre conquista Mont Ventoux, Pogacar reforça amarela

“O Jonas realmente tentou de tudo. Eles trabalharam muito bem como equipa e subiram muito rápido. Felizmente não tive as mesmas pernas de 2021, pelo que estou feliz com o dia de hoje [terça-feira] e com este bom desempenho. Consegui defender a camisola amarela como imaginei esta manhã. Cheguei ao limite em alguns momentos, mas hoje foi apenas uma subida e foi com tudo do início ao fim. Foi realmente um dia difícil, especialmente depois do dia de descanso. É mais uma etapa concluída e isso dá-me muita motivação para os próximos dias. Vitória? A verdade é que esta etapa não nos interessou muito. No final, com a aceleração da Visma, chegámos muito perto do grupo da frente. A 800 metros talvez pudéssemos tê-los alcançado se o Jonas ou eu tivéssemos acelerado novamente, mas é assim que as coisas são. Eles mereciam lutar pela vitória”, disse Pogacar após a etapa.

“Estou feliz pela forma como me senti hoje e com os ataques que tentei fazer. Não ganhei tempo, mas tirei muita motivação. Também queríamos fazer alguma coisa na fuga. A equipa esteve incrível hoje. Todos trabalharam e deram tudo o que tinham. Tive o comprometimento de todos e quero agradecer aos meus colegas. Pogacar seguiu-me em todos os ataques que eu fiz e eu segui-o em todos os ataques que ele fez. Não sei se consegui ver alguma fraqueza nele. Ao menos isso deu-me motivação e, como disse, vou continuar a tentar”, reiterou Vingegaard.

Com os Pirenéus cada vez mais para trás e os Alpes à frente, esta quarta-feira ficou marcada como a provável última oportunidade para os homens mais rápidos do pelotão. A 17.ª etapa do Tour começou em Bollène e terminou, 160,4 quilómetros depois, em Valence. Apesar de não ser totalmente plana, a tirada era a mais acessível da terceira semana, com “apenas” 1.650 metros de desnível acumulado. As duas contagens de montanha, de quarta categoria, apareceram antes dos últimos 40 quilómetros. A aproximação a Valence revelava-se fácil, apesar de ter quatro rotundas nos últimos quatro quilómetros. A última curva aparecia ainda longe da meta, a 700 metros.

[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

Já sem Danny van Poppel (Red Bull-Bora-hansgrohe), que está prestes a ser pai, e à semelhança das etapas anteriores, a fuga voltou a formar-se desde cedo, deixando Vincenzo Albanese (EF Education-EasyPost), Quentin Pacher (Groupama-FDJ), Mathieu Burgaudeau (TotalEnergies) e Jonas Abrahamsen (Uno-X Mobility). Já depois de Louis Barré (Intermarché-Wanty) ter caído, Abrahamsen foi primeiro no sprint intermédio, com Jonathan Milan (Lidl-Trek) a liderar, uma vez mais, o pelotão, à frente de Biniam Girmay (Intermarché). No Col du Pertuis, a Ineos Grenadiers decidiu intensificar o ritmo no pelotão e Romeo aproveitou para desferir um forte ataque que partiu o pelotão, deixando para trás Milan, Tim Merlier (Soudal), Dylan Groenewegen (Jayco AlUla), Arnaud Démare (Arkéa-B&B Hotels) e Pascal Ackermann (Israel-Premier Tech).

Com o grupo dos sprinters um minuto atrasado, a Movistar continuou a impor o ritmo, mas o reagrupamento aconteceu a 77 quilómetros da meta, depois de a Lidl ter pedido ao pelotão para abrandar o ritmo. Pouco depois, Carlos Rodrígues e Tobias Foss (Ineos), Julian Alaphilippe (Tudor), Magnus Cort (Uno-X) e Paul Penhoët (Groupama-FDJ) caíram na retaguarda do pelotão, aparentemente sem impacto na corrida. Quem começou a ter impacto foi a chuva, que apareceu na aproximação a Valence e obrigou os ciclistas a terem uma atenção mais redobrada. A 11 quilómetros da meta, Abrahamsen atacou e partiu o grupo, mantendo-se na dianteira até aos últimos cinco quilómetros. À entrada para o último quilómetro, uma queda atirou Girmay ao chão. Apesar de não ter caído, Merlier ficou cortado e falhou a discussão.

O sprint foi lançado pela Lotto, com Jonathan Milan a assumir de pronto a dianteira e a chegar à segunda vitória neste Tour, a 23.ª da sua carreira. Jordi Meeus (Red Bull) foi segundo e Tobias Lund Andresen (Picnic PostNL) completou o pódio. Este triunfo permitiu ainda a Johnny dar um passo importante rumo à conquista da camisola verde, onde tem agora 72 pontos de vantagem para Pogacar (312 contra 240), que chega aos Pirenéus com 4.15 minutos de vantagem para Jonas Vingegaard.