Um vídeo divulgado pela Força Aérea Portuguesa mostra o resgate de um turista no topo da montanha do Pico, na passada quarta-feira. O neerlandês de 31 anos ficou preso enquanto fazia o trilho de subida, informou a rádio militar Lajes nas redes sociais.

Foi o próprio turista a contatar o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento das Lajes, explicando que apresentava sinais de exaustão e desidratação e a comunicar a sua localização. Foram acionados os Bombeiros Voluntários da Madalena, que não conseguiram avançar com o resgate terrestre devido à posição do homem, que se encontrava numa zona de “muito difícil acesso”, na vertente norte da montanha, conhecida como “Areeiro de Santa Luzia”, a cerca de 2.134 metros de altitude.

Foi quando o helicóptero da Esquadra 752 – Fénix, da Força Aérea, foi chamado. Depois do resgate, o heli transportou o turista para o Centro de Saúde do Pico.

Governo regional diz que regulamento de acesso foi desrespeitado

A montanha do Pico tem 2351 metros de altura e é o ponto mais alto de Portugal. É necessária uma pré-autorização para subir o trilho, que tem 3,8 quilómetros, um desnível de 1150 metros, e uma duração de entre 3 a 4 horas por trecho.

Em declarações à Lusa, o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, revelou que o turista não validou o acesso na Casa da Montanha e fez a subida “sem registo de entrada prévio”, contrariando o regulamento em vigor.

“Como tal, e de acordo com o disposto no regulamento de acesso à Casa da Montanha, o acesso não autorizado, constitui uma contraordenação ambiental, pelo que será instaurado o respetivo processo”, disse.

Além disso, nos termos do mesmo regulamento, tratando-se de um resgate efetuado em resultado do incumprimento no acesso à reserva natural, “os custos inerentes ao resgate, no valor de 1.200 euros, serão também imputados ao visitante, sendo que qualquer outro custo associado a este resgate será também automaticamente imputado” ao cidadão.

“A montanha é um local protegido e, além disso, apresenta um ambiente desafiador e exigente, sobretudo fora do trilho homologado, daí a importância do acesso ser regulado e controlado e de serem observadas as boas práticas para garantir a segurança dos utilizadores e das equipas de resgate e para evitar situações desta natureza, de futuro”, explicou.

Alonso Miguel referiu à Lusa que o acesso à montanha do Pico processa-se através da Casa da Montanha, onde é feito um registo prévio e é entregue um GPS aos visitantes, situação que garante a possibilidade de os serviços monitorizarem e rastrearem o acesso e garantirem “condições mínimas de segurança”.

“Evidentemente, se as pessoas prevaricam e acedem à montanha sem ser através do local adequado e em incumprimento deste regulamento, estão automaticamente a colocar-se em risco e a colocar também a segurança de quem tem esta tarefa de os resgatar”, admitiu.

O secretário regional do Ambiente e Ação Climática dos Açores considera “importante que as pessoas saibam que há um regulamento e que há legislação a cumprir, e que essa legislação existe por uma razão”. “Que é para garantir, desde logo, a integridade deste património natural, que é protegido, mas também para garantir condições de visitação adequadas e, sobretudo, em segurança”, concluiu.

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