É o grande nome do ciclismo moderno. Foi a principal figura da última Volta a França. Tadej Pogacar continua a encantar os adeptos da modalidade e, nas últimas três semanas, adicionou, pela quarta vez, o troféu da corrida francesa ao seu palmarés, juntando-lhe ainda, pela terceira ocasião, a conquista da classificação da montanha. O esloveno caminha a passos largos para eternizar o seu nome no lote de lendas do ciclismo e, apesar dos seus 26 anos, já conquistou praticamente tudo o que tinha para conquistar. A Volta a Espanha, os Jogos Olímpicos, a Paris-Roubaix e a Milão-Sanremo são as competições mediáticas que lhe faltam e é por aí que vai passar o seu futuro… mas sem descartar o Tour.

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Para já, o líder da UAE Team Emirates encontra-se de férias e já foi oficializada a sua não presença na Vuelta, que arranca a 23 de agosto, em Turim, e tem em João Almeida um dos cabeças de cartaz. O português é um dos líderes da equipa árabe e será acompanhado por Juan Ayuso, que vai “substituir” o esloveno. Em setembro, o calendário de Pogacar volta a passar pelo Canadá, com as clássicas de Quebéc e Montréal, seguindo-se, depois, os Campeonatos do Mundo do Ruanda e a Lombardia, o último Monumento do ano e aquele em que Tadej pode chegar ao inédito quinto triunfo seguido, igualando as cinco conquistas de Fausto Coppi.

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Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, Tadej Pogacar analisou a Volta a França, descartando o cansaço psicológico que foi tema ao longo da última semana. “Sinto-me bem. É uma sensação incrível chegar a Paris com a camisola amarela. Obviamente, estamos todos cansados, mas também muito felizes por trazê-la de volta. Quando olhamos para este Tour, foi um grande sucesso, em todos os pontos de vista, e podemos ficar orgulhosos. Momento decisivo? É difícil escolher um em específico. O ambiente dentro da equipa, a maneira como abordámos este Tour, unidos, permitiu-nos alcançar o nosso objetivo. Talvez o tempo [ganho] no contrarrelógio [1.13 minutos a Jonas Vingegaard, em Caen, na quinta etapa] foi um dos momentos. Também há, claro, os Alpes, onde consegui responder a todos os ataques e garantir o meu primeiro lugar na classificação geral”, começou por dizer.

“Termino numa forma muito boa, mas o meu corpo sofreu muitos golpes. Ele precisa de se recuperar porque foi um dos Tours mais difíceis de correr, para todos no pelotão. Fomos a fundo da primeira à última etapa, todos os dias. Não houve dias fáceis e infligimos muitas coisas aos nossos corpos [risos]. Mas, mentalmente, estiva muito bem. Se eu não estivesse cansado depois de 21 dias de corrida, estaria a acontecer algo. Tive muitas perguntas sobre a minha forma. Respondi honestamente que sim, que estava cansado. Talvez tenha havido um dia em que me senti um pouco menos bem, o que é humano, acho. Não podes estar bem todos os dias. Mas depois desse dia, todos os jornalistas fizeram-me a pergunta de novo e de novo. Na 19.ª etapa [final em La Plagne], ainda respondi que sim, que estava cansado. Na etapa 20, obviamente que estava ainda mais cansado… Para ser honesto, a etapa de La Plagne foi muito difícil. Estava exausto depois da corrida e as pessoas não me viram tão feliz como de costume. Parece-me normal não ter um grande sorriso e estar feliz todos os dias. Às vezes não estás no melhor e podes passar por um momento difícil”, acrescentou.

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Questionado novamente sobre o seu estado físico, o esloveno respondeu que “é normal” estar cansado e criticou aqueles que “não o entendem”. “Se não estivesse depois de 21 dias de corrida, havia algo errado. Imagino que todos estejam exaustos, incluindo vocês jornalistas. Acho que os corredores também têm o direito de estar cansados [risos]. A saúde mental é importante no geral, não apenas no desporto. As piores coisas que afetam a nossa saúde mental são as redes sociais, a imprensa e a internet, que afetam a nossa confiança. No desporto devemos prestar atenção a isso. Muitas equipas trabalham com psicólogos, o que ajuda aqueles que querem falar sobre os seus problemas. É certo que é difícil estar constantemente sob pressão de todos os lados. É preciso falar sobre isso, é preciso aceitar que possa haver um problema de saúde mental e, se alguém tiver esse problema, não há nada de errado em pedir ajuda”, lembrou.

“A primeira semana não foi a mais engraçada. As etapas foram realmente agitadas e brutais para os corredores que lutavam pela classificação geral. Era preciso estar super concentrado e motivado. Havia muitos ataques, da Visma em particular. Foi uma semana realmente difícil. Mesmo sem a alta montanha, havia sempre armadilhas. Preferi a segunda semana [nos Pirenéus] porque a equipa alcançou grandes prestações e conseguiu grandes diferenças. A terceira semana serviu para garantir esse avanço e para aproveitar a camisola amarela”, sublinhou Tadej Pogacar, que assumiu estar “impacientemente à espera” do Critério da Komenda, a sua terra natal, “por ser algo diferente”. “Ainda tenho objetivos até ao final da temporada. Vou aproveitar o período de descanso e pensar em preparar o próximo. Em particular a Paris-Roubaix, que quero ganhar. Este ano, para a minha primeira participação, achei a corrida louca e o meu segundo lugar foi incrível. Quero voltar”, recordou.

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Quanto ao futuro, Pogacar sublinhou que “não planeia muito”, visto que “tem um contrato longo”, até 2030. “Não acho que vá parar imediatamente, mas também não me vejo a continuar durante muito tempo. Os Jogos de Los Angeles, em 2028 [terá 30 anos], são um dos meus objetivos, o que me mantém durante mais três anos. [Nessa altura] Talvez comece a pensar na reforma, vamos ver. Se continuar a correr assim, com uma equipa tão forte e uma equipa muito presente… O futuro não me interessa muito. Estou a tentar aproveitar o momento”, acrescentou o ciclista de 26 anos.

Por fim, o campeão do mundo garantiu que vai estar “no Tour do próximo ano para defender o título”, embora pense em não disputar a segunda Grande Volta da temporada durante um ano, de modo a “experimentar outras corridas”. Quanto aos recordes, Pogacar diz que chegou a “um ponto em que provou” a si mesmo “que pode ter ótimos resultados”. “Concentro-me noutras coisas da minha vida enquanto aproveito a bicicleta. Se bater recordes históricos, será formidável, mas não é o meu objetivo”, finalizou.