Antes da pausa de verão, a Fórmula 1 chegou a um dos palcos mais icónicos da sua história. Foi no mítico Hungaroring, na Hungria, que os pilotos se despediram da primeira fase da temporada. Instalado em Mogyoród, nos arredores de Budapeste, o circuito de 4,381 quilómetros é o sexto mais curto deste ano e apresenta-se como um traçado técnico, bastante exigente e sinuoso, dando aos pilotos poucas oportunidades claras de ultrapassagem. Hungaroring tornou-se, em 1986, no primeiro Grande Prémio a ser realizado atrás da “Cortina de Ferro” e, atualmente, é o único que acontece no leste da Europa. No passado foram muitos os momentos memoráveis que aconteceram no Grande Prémio da Hungria, como o título de campeão do mundo conquistado por Nigel Mansell, em 1992 ou a “guerra” entre Michael Schumacher e Rubens Barrichello, em 2010.
Para além disso, o circuito húngaro tem a particularidade de o terceiro em que mais pilotos se estrearam a vencer na Fórmula 1 (seis), apenas atrás de Monza (oito) e do Mónaco (nove). O último a consegui-lo foi Oscar Piastri (McLaren), que venceu o Grande Prémio da Hungria em 2024, já depois de Esteban Ocon (Haas) também ter entrado para essa lista, em 2021. Para já, o atual líder do Mundial de pilotos ia largar da segunda posição, depois de Charles Leclerc (Ferrari) ter chegado à pole position na Qualificação, num resultado que acabou por ser surpreendente e terá sido motivado pela mudança do vento e um drástico abaixamento da temperatura do asfalto. O campeão do mundo, Max Verstappen (Red Bull) partiu de oitavo, atrás de Gabriel Bortoleto (Kick Sauber), que voltou a surpreender.
Charles Leclerc conquista pole position inesperada no GP da Hungria de F1
“Hoje não entendo nada na Fórmula 1. Honestamente, toda a Qualificação foi extremamente difícil. Quando digo extremamente difícil, não estou a exagerar. Foi difícil para nós chegar à Q2 e foi difícil chegar à Q3. Na Q3, as condições mudaram um pouco. Tudo ficou muito mais complicado e eu sabia que tinha de fazer uma volta limpa para chegar ao terceiro lugar. No final das contas, é a poleposition. Definitivamente, não esperava isso. Senti muito a mudança na aderência e também estava com menos downforce. Quando começou a chover na Q2, só esperava que não continuasse assim. Não continuou, as condições mudaram, o que tornou tudo muito complicado e, no final, estamos na pole position. Honestamente, não tenho palavras. É provavelmente uma das melhores pole positions que já consegui. É a mais inesperada, com certeza. A largada e a curva 1 serão fundamentais. Não tenho ideia de como será, mas uma coisa é certa: farei absolutamente tudo para manter o primeiro lugar. Se conseguirmos fazer isso, deve facilitar a nossa vida no resto da corrida”, assumiu o monegasco, que viu o seu companheiro Lewis Hamilton (12.º) dizer que tem sido “absolutamente inútil” e que a Ferrari “provavelmente precisa de mudar de piloto”.
“Acho que o vento mudou bastante. É sempre patético culpar o vento pelas coisas, mas o vento virou 180 graus entre a Q2 e a Q3, o que fez com que muitas curvas parecessem completamente diferentes. Era difícil avaliar nessas condições e talvez não tenha sido a melhor execução. Fiquei surpreendido por não termos conseguido ir mais rápido do que isso. O segundo lugar ainda é uma boa posição para começar, por isso vamos ver o que podemos fazer amanhã [domingo]. O Charles tem sido rápido durante todo o fim de semana e, esta manhã, estava mais perto do que esperávamos. As coisas mudaram um pouco. Ele fez um ótimo trabalho dou-lhe os parabéns. Não esperava ficar em segundo lugar atrás de um Ferrari neste fim de semana. A corrida de amanhã vai ser divertida, com um pouco mais de emoção”, perspetivou o australiano.
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Desta forma, a estratégia de pit stops, com uma ou duas paragens, e as condições climatéricas prometiam animar a corrida, que começou com ventos fortes e algumas trovoadas no horizonte, bem como a chuva. Leclerc arrancou bem e segurou a liderança perante o ataque de Piastri e, ligeiramente mais atrás, Fernando Alonso (Aston Martin) aproveitou o arranque para subir a quarto, com Lando Norris (McLaren) a cair para o quinto lugar. Contudo, na terceira volta, o britânico reagiu na reta da meta e voltou a adiantar-se face ao espanhol. Na volta sete, o Ferrari já tinha quase três segundos de vantagem, na dianteira, para o McLaren, que começou a forçar. Já com Norris a pressionar George Russell (Mercedes), Leclerc, Piastri, Verstappen e Russell pararam pela primeira vez, colocando pneus duros. Desta forma, o inglês da McLaren subiu à liderança, assumindo a estratégia de um pit stop.
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Com Oscar Piastri em terceiro, Max Verstappen a galgar posições no comboio de entrada no top 10 e George Russell em quarto, Charles Leclerc começou a ganhar tempos na ordem de um segundo por volta a Lando Norris. Na volta 30, Lewis Hamilton e o neerlandês reeditaram um duelo de outros tempos, com o Red Bull a levar melhor. Leclerc começou a criticar a estratégia da Ferrari, embora tenha regressado ao primeiro lugar pouco depois, quando Norris colocou os pneus duros na 32.ª volta, saiu à frente de Alonso, que também estava com a estratégia de uma paragem, no quarto lugar, e começou a voar, aproximando-se bastante de Russell. Na volta 41, Leclerc inaugurou a segunda mudança de pneus na frente, montou duros e caiu para o quarto lugar, com Piastri a assumir a dianteira. O Mercedes foi chamado às boxes quatro voltas depois, também para colocar duros, e desceu ao quarto posto. O novo líder trocou para os novos duros à 46.ª volta, numa soberba paragem de 1,9 segundos, saindo cinco segundos atrás de Leclerc.
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O companheiro de equipa saltou, então para a liderança, com a McLaren a assumir os dois primeiros lugares a 19 voltas do fim, quando Piastri forçou Leclerc e passou para o segundo posto. Com a discussão em aberto e a envolver os três primeiros, que seguiam separados por dez segundos, o monegasco voltou a insurgir-se contra a sua equipa, criticando as decisões erradas ao lidar com “as situações”, referindo que estava a “perder competitividade” e que seria “uma sorte terminar no pódio”. Nesse sentido, Piastri começou a afastar-se de si e a aproximar-se de Norris e, por outro lado, Russell reentrou na luta pelo pódio. Na reta final da corrida, o Mercedes colou-se ao Ferrari e, depois de um duelo bastante agressivo, mas sem toques, levou a melhor. A partir daí, a luta cingiu-se aos McLaren, com Piastri a pressionar na penúltima volta e a ser obrigado a forçar a travagem, numa altura em que tentava surpreender. Apesar do aperto, Lando Norris segurou a primeira posição e estreou-se a vencer na Hungria, naquele que foi o seu nono triunfo e o 38.º pódio na Fórmula 1. A equipa laranja chegou ao seu 13.º triunfo em Budapeste. Russell foi terceiro, com Leclerc e Alonso a completarem o top 5.
Norris vence e aproxima-se de Piastri no mundial de pilotos ????
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No que concerne ao Mundial de pilotos, Norris, que somou a sua terceira vitórias nos últimos quatro Grandes Prémios, voltou a aproximar-se de Oscar Piastri, que segue na liderança, agora com 284 pontos, contra os 275 do colega de equipa. Assim, o australiano vai entrar na pausa de verão com uma vantagem de apenas nove pontos. Na terceira posição continua Max Verstappen, com 187 pontos, ao passo que George Russell é quarto, com 172, e Charles Leclerc fecha os cinco primeiros, com 151. No Mundial de construtores, a McLaren vai dominando, com 559 pontos, contra os 260 da Ferrari e os 236 da Mercedes.