O que podia ter sido um fim de semana de sonho tornou-se um fim de semana de pesadelo. A Ferrari ficou muito perto de carimbar a primeira vitória da temporada, com Charles Leclerc a conquistar a pole-position do Grande Prémio da Hungria e a liderar a corrida durante grande parte do percurso, mas as últimas voltas deitaram tudo a perder — e sucederam-se as frases de descontentamento que deixam claro que existe muito por resolver na equipa italiana.
Mas é preciso recuar ao início do fim de semana para detalhar como a passagem pela Hungria pode mesmo ter sido um dos capítulos mais relevantes da temporada da Ferrari. Logo na qualificação, a mesma qualificação em que Charles Leclerc foi o mais rápido, Lewis Hamilton foi eliminado logo na Q1 e não conseguiu melhor do que o 12.º tempo. Depois das sessões, o piloto britânico foi muito autocrítico e não poupou palavras, assumindo a responsabilidade pelos pobres resultados da época de estreia na equipa.
“Sou eu o problema, sou sempre eu. O problema sou sempre eu. Sou inútil, absolutamente inútil. A equipa não tem problema nenhum. Como se vê, o nosso outro carro está na pole-position. Por isso precisam de mudar de piloto, provavelmente. Conduzi terrivelmente”, disse Hamilton em declarações à Sky Sports, acrescentando que não sentiu que poderia ter alcançado um resultado melhor “em nenhuma ocasião”.
Já depois do fim da corrida, onde Lewis Hamilton repetiu o 12.º lugar da qualificação, o team principal da Ferrari desvalorizou as palavras do piloto britânico e reafirmou a confiança no sete vezes campeão mundial. “Não preciso de o motivar. Ele está frustrado. Está frustrado, não está desmotivado. É exigente, mas também é por isso que foi sete vezes campeão do mundo. É exigente com a equipa, com o carro, com os engenheiros, com os mecânicos e comigo também. Consigo entender perfeitamente a situação. Claro que é uma situação difícil quando és heptacampeão mundial, o teu colega de equipa está na ‘pole-position’ e tu estás fora do Q3″, atirou Frédéric Vasseur.
Lewis Hamilton: “I'm just useless.”
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Do outro lado da garagem, Charles Leclerc parecia lançado para a primeira vitória da temporada na segunda pista mais lenta do Campeonato do Mundo — apenas atrás de Monte Carlo, onde o segundo lugar do monegasco é ainda o melhor resultado da equipa em 2025. Na pole-position, Leclerc liderou em 28 das 39 voltas iniciais, cedendo apenas temporariamente o primeiro lugar a Lando Norris, mas capitulou na ponta final: quebrou o ritmo de um momento para o outro, chegando a perder 37 segundos para Oscar Piastri nas últimas 30 voltas, e ficou no 4.º lugar e fora do pódio de uma prova que Norris acabou mesmo por ganhar.
Já perto do fim, não poupou ninguém e deixou uma mensagem muito dura ainda através das comunicações rádio. “É incrivelmente frustrante. Perdemos toda a competitividade. Vocês só precisavam de me ouvir. Eu teria encontrado uma maneira diferente de gerir estes problemas. Tornou-se impossível conduzir. É impossível conduzir. Será um milagre se acabarmos no pódio”, vincou o monegasco, que acabou mesmo por não conseguir subir aos três primeiros lugares.
Ainda assim, já depois de cruzar a meta, Charles Leclerc acabou por retirar grande parte das críticas que tinha feito. “Preciso de retirar as palavras que disse no rádio, porque achei que o problema estava a vir de um lado, mas depois soube muito mais detalhes quando saí do carro. Na verdade foi um problema no ‘chassis’ e não havia nada que pudéssemos ter feito de forma diferente. Comecei a sentir o problema na volta 40 e depois foi piorando, volta após volta, e no final estávamos dois segundos fora do ritmo. Era impossível conduzir o carro, é uma situação atípica. Não deve voltar a acontecer, mas estou muito desiludido. Tivemos uma oportunidade de vencer uma corrida este ano e foi neste fim de semana”, terminou.
Charles Leclerc wasn't pleased with the strategy at the Hungarian GP after starting on pole ???? pic.twitter.com/PzRDQefTtz
— ESPN F1 (@ESPNF1) August 3, 2025