Onde se poderia imaginar um copo meio vazio, saiu um copo meio cheio. Na primeira de três finais que vai realizar no Campeonato do Mundo de Milão, Fernando Pimenta, de 36 anos, liderou a disciplina preferida do K1 1.000 até aos últimos 200 metros mas acabou por não aguentar a ponta final do campeão olímpico de 2020, Balant Kopasz, e Thomas Green, terminando com uma medalha de bronze depois do título ganho em 2023. Apesar de falhar a revalidação do ouro, o limiano mostrava-se sobretudo satisfeito por manter essa “regra” de não falhar o top 3 das finais A que disputa, apontando de imediato aos próximos objetivos.

Uma noite mal dormida, outro dia para recordar: Fernando Pimenta falha revalidação do título mas conquista bronze mundial no K1 1.000

“Em dez anos, tirando os dois em que não houve Mundiais, não falhei nenhum pódio. Sem dúvida que conseguir títulos atrás de títulos me deixa contente, super feliz porque tenho sido muito consistente e acho que na canoagem mundial – ou no desporto em geral – é raro isso acontecer. Claro que queria mais mas também tenho que saber valorizar a excelente competição e a excelente prova que os meus adversários fizeram. Os meus adversários também trabalham todos os dias para conseguir conquistar pódios e chegar ao título e tenho que saber valorizar e dar valor à minha medalha de bronze”, apontou à Lusa.

“Se calhar sou como o vinho do Porto, quanto mais velho melhor. Pelo menos mais feliz a competir e a fazer o que faço. Sem dúvida que tenho que continuar o meu trabalho e deixar um legado não só dentro de água, mas também fora dela”, acrescentou, antes de prometer “dar o melhor” nas duas finais que tinha este domingo, onde estaria a defender a prata em K1 500 e em K1 5.000 – desejando, em paralelo, ter uma noite mais tranquila do que a anterior, após ter sido obrigado a mudar de quarto durante a madrugada pelo barulho que existia num bar perto do local onde estava. Era um dia novo e vida… velha.

Chorou, levantou a cabeça, treinou, voltou aos pódios: Fernando Pimenta vice-campeão mundial de K1 500

Como aconteceu em muitas outras competições, Fernando Pimenta chegava ao último dia de Mundiais em Milão com mais duas decisões pela frente. A primeira, logo às 9h40 (10h40 na cidade italiana), era aquela que poderia trazer mais problemas, não só por ser uma disciplina não prioritária no percurso do canoísta português mas também por ter adversários de peso como o húngaro Ádam Varga ou o checo Josef Dostal, campeão mundial em título na distância. E, depois de dois bronzes em Darmouth-2022 e Duisburgo-2023 e da prata em Samarkand-2024, agora poderia chegar também a quarta medalha seguida em K1 500.

Tentou, esteve perto, não conseguiu: a correr na pista 9 de fora, Pimenta teve um bom arranque mas foi perdendo ritmo para os principais favoritos, terminando na quarta posição. A correr na outra pista lateral, a pista 1, Josef Dostal, campeão olímpico em Paris no K1 1.000, revalidou o título mundial de K1 500 ganho em Samarkand com o tempo de 1.38,43, batendo o húngaro Ádam Varga (1.38,52) e o espanhol Alex Graneri (1.39,05). O português terminou com o registo de 1.39,71, à frente do alemão Tom Liebscher-Lucz.