O partido Reagir, Incluir, Reciclar (RIR) vai concorrer pela primeira vez à Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de outubro, apresentando como cabeça de lista Luís Mendes, que é também candidato à presidência da junta lisboeta de Marvila.

“Esta é quase uma candidatura de protesto”, afirmou o cabeça de lista do RIR, referindo que o partido tentou dialogar com outras candidaturas à Câmara de Lisboa, em particular com as protagonizadas por Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/IL) e Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN), mas ficou sem resposta.

Em declarações à agência Lusa, após ter recebido informação de que a candidatura do RIR foi aceite pelo Tribunal Cível de Lisboa, Luís Mendes disse que entra nesta corrida à câmara com uma visão “muito realista” do peso do partido na capital, sem a expectativa de eleger, mas “com alguma esperança que as pessoas vejam que Lisboa não pode ser dividida entre duas frentes políticas, a esquerda e a direita”.

Referindo-se às coligações encabeças pela socialista Alexandra Leitão e pelo social-democrata Carlos Moedas (atual presidente da câmara), o cabeça de lista do RIR considerou que “qualquer uma delas que ganhe vai virar a cidade para os interesses políticos”.

“O RIR, apesar de ser um partido político, o que quer é, sinceramente, o benefício dos munícipes de Lisboa e não benefícios políticos”, declarou, defendendo que, neste momento, a cidade para melhorar e para continuar a ser uma das mais importantes a nível da Europa tem de “ter uma política moderada, ou seja, em prol dos munícipes”.

Apresentando-se como um alfacinha de gema, Luís Mendes, de 48 anos, trabalha na Câmara Municipal de Lisboa há 30 anos, desempenhando atualmente a função de assistente operacional no departamento de higiene urbana.

“Por uma Lisboa limpa, justa e viva” é o mote da candidatura do RIR à Câmara de Lisboa, que tem como 2.º lugar da lista a presidente do partido, Márcia Henriques, e que junta várias pessoas sem experiência política.

Para o cabeça de lista do RIR, um dos principais problemas atuais de Lisboa tem a ver com a higiene urbana, porque “a cidade está imunda, em qualquer canto existe lixo e, neste momento, já não há lavagens de ruas”.

“Este mandato de Carlos Moedas foi muito mau para a limpeza”, apontou o candidato do RIR, acusando o atual presidente da câmara de fazer “muita campanha” quanto à contratação de assistentes operacionais, motoristas e cantoneiros, assim como quanto à aquisição de veículos.

“Lança números daquilo que é feito, mas depois o que é concretizado é mentira. Não é real e isso está visível nas ruas e é um dos principais problemas que os munícipes se têm queixado”, expôs.

No sentido de promover uma Lisboa justa e viva, o RIR propõe o reforço dos apoios municipais no âmbito do acesso à habitação, para evitar que os lisboetas sejam obrigados a sair da cidade devido ao custo das casas, e o investimento em respostas destinadas à população idosa, inclusive a aposta na criação de lares.

Nas eleições autárquicas de 12 de outubro, o RIR tem também uma lista candidata à Assembleia Municipal de Lisboa, encabeçada por Bruno Rios, e uma candidatura a uma das 24 juntas lisboetas, concretamente a de Marvila.

A candidatura do RIR à presidente da Junta de Freguesia de Marvila é protagonizada pelo também cabeça de lista do partido à Câmara de Lisboa, Luís Mendes, isto porque a lei permite candidaturas a dois órgãos municipais em simultâneo dentro do mesmo município, mas, depois da eleição e no caso de ser eleito para os dois órgãos, é preciso optar por exercer funções exclusivamente num deles.

Além de Luís Mendes (RIR), concorrem à Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de 12 de outubro Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/IL), Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN), João Ferreira (CDU — coligação CDU e PEV), Ossanda Líber (Nova Direita), Bruno Mascarenhas (Chega), José Almeida (Volt), Adelaide Ferreira (ADN) e Tomaz Ponce Dentinho (PPM/PTP).