A decisão foi anunciada pela própria equipa de ciclismo, em resposta aos vários protestos que têm decorrido durante a Volta a Espanha e que, inclusive, já causaram disrupções na prova.

“Com o objetivo de priorizar a segurança dos nossos ciclistas e de todo o pelotão, tendo em conta a natureza perigosa de alguns protestos na Vuelta, a Israel–Premier Tech forneceu aos ciclistas equipamento com o monograma da equipa para o resto da corrida”, lê-se numa publicação feita na rede social X.

“O nome da equipa continua a ser Israel–Premier Tech, mas o equipamento com o monograma está agora alinhado com as decisões de branding que adotámos anteriormente para os nossos veículos e vestuário casual”, adianta ainda a equipa, propriedade do bilionário israelo-canadiano Sylvan Adams.

Principal prova de ciclismo espanhola e uma das mais prestigiadas do mundo, a Volta a Espanha tem sido palco de várias ações pró-Palestina e contra a participação da equipa israelita.

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A 3 de setembro, inclusive, a 11ª etapa teve de ser cancelada devido a questões de segurança, já que vários vários ativistas estavam concentrados na zona de meta a empunhar bandeiras palestinianas, com as barreiras de proteção quase a cederem.

Kiko García, diretor técnico da Volta a Espanha, chegou mesmo a sugerir que a Israel–Premier Tech devia abandonar a prova para por termo aos protestos. “Vamos tentar, todos juntos, forçar… que as pessoas entendam que a situação não é fácil e que, juntos, possamos encontrar uma solução. Para mim, só há uma e todos sabemos qual é, que seria a própria Israel perceber que estar aqui não facilita a segurança de todos os outros. A Israel tem recebido um tratamento especial em termos de proteção, na corrida, nos hotéis, ao redor do autocarro e ao redor dos ciclistas. Agora, o que está em risco é a vida dos atletas que estão a fazer o seu trabalho”, afirmou à imprensa espanhola.

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A equipa, porém, recusou-se a abandonar a prova “A Israel-Premier Tech é uma equipa profissional de ciclismo. Assim, a equipa continua comprometida com a sua participação na Vuelta a España. Qualquer outra decisão ou ação cria um precedente perigoso no ciclismo. Não apenas para a Israel-Premier Tech, mas para todas as equipas. Os organizadores da Vuelta e a polícia estão a fazer tudo o que podem para criar um ambiente seguro. A equipa está-lhes muito grata por isso. No entanto, o comportamento dos manifestantes em Bilbau não foi apenas perigoso, mas também teve um efeito contraproducente, privando os adeptos bascos do final que merecem”, reagiu numa nota.

Com a recusa da Israel-Premier Tech em desistir da prova, a única forma de impedir a equipa israelita de competir seria por ação da União Ciclista Internacional, que tutela internacionalmente a modalidade. A UCI, no entanto, apoio a sua permanência, condenando “firmemente os atos que provocaram a neutralização” da 11ª. etapa e frisando “a importância fundamental da neutralidade política das organizações desportivas reunidas no Movimento Olímpico, bem como o papel unificador e pacificador do desporto”.

“Os grandes eventos desportivos internacionais encarnam um espírito de união e diálogo, para além das diferenças e divisões. Nesse sentido, a UCI reafirma o seu compromisso com a neutralidade política, a independência e a autonomia do desporto, em conformidade com os princípios fundadores do Movimento Olímpico. A UCI deseja também recordar que o desporto, e o ciclismo em particular, tem a vocação de aproximar e superar as barreiras entre os povos e não deve, em caso algum, ser instrumentalizado como ferramenta de sanção. A UCI expressa toda a sua solidariedade e apoio às equipas e ao seu staff, bem como aos ciclistas, que devem poder exercer a sua profissão e a sua paixão em condições ótimas de segurança e serenidade”, escreveu em comunicado.