Dois dos principais acionistas da Martifer, a I’M (dos irmãos Martins) e a Mota-Engil, convocaram uma assembleia geral extraordinária com a intenção de distribuir 4 milhões de euros de reservas da empresa a quem detenha ações.
São 4 milhões que vão ser diminuídos às reservas da empresa e, como tal, ao seu capital próprio. Na proposta, divulgada esta quinta-feira no site da CMVM, os dois acionistas justificam que após essa distribuição “o capital próprio da sociedade manter-se-á superior à soma do capital social e das reservas cuja distribuição aos acionistas não é permitida por lei”. E assim cada ação terá direito a 0,04 euros (quatro cêntimos).
A proposta é assinada pela I’M, dos irmãos Martins, e pela Mota-Engil, que tinham, no final de 2024, respetivamente, 38,01% e 37,5%.
A assembleia geral extraordinária foi marcada para 10 de outubro de 2025, o que significa que acontece em plena OPA (Oferta Pública de Aquisição) lançada pela Visabeira e que tinha sido feita de acordo com os outros dois acionistas. Esta distribuição pode levar a Visabeira a rever o valor proposto a pagar, de acordo com o anúncio preliminar da OPA, que ainda não recebeu o registo da CMVM. Pode, também, caso a Visabeira o pretendesse, ser motivo para retirar a oferta.
Contactada pelo Observador, fonte oficial do Grupo Visabeira comenta que “é uma decisão da empresa que respeitamos”. Sem dizer se isso levará a alterações na OPA.
De acordo com o anúncio preliminar da OPA, a contrapartida oferecida é de 2,057 euros “deduzida de qualquer montante (ilíquido) que venha a ser atribuído a cada ação, a título de dividendos, de adiantamento sobre os lucros do exercício ou de distribuição de reservas. Essa dedução será efetuada a partir do momento em que o direito ao montante em causa seja destacado das ações e desde que esse momento ocorra antes da liquidação da oferta”.
Por outro lado, esse mesmo anúncio indica que a Visabeira decidiu o lançamento da Oferta no “pressuposto que, entre a data do presente Anúncio Preliminar e a data de encerramento da Oferta, não ocorreu ou ocorrerá, designadamente e sem limitar, nenhuma das seguintes circunstâncias, com impacto significativo na situação patrimonial, económica e financeira da Sociedade Visada, a nível consolidado”. Nas circunstâncias indicadas de seguida no anúncio está referida a “distribuição de bens da Sociedade Visada”.
Ora, é precisamente isso que vai acontecer. No entanto, não há qualquer indicação que a OPA não avance.
A Visabeira anunciou o lançamento da OPA no início de agosto depois de ter feito um acordo parassocial com a I’M e a Mota-Engil. Este acordo tripartido, por parte de um núcleo de acionistas que vão assumir mais de 85,59% do capital da Martifer, que levou à obrigatoriedade de lançamento de OPA, tendo ficado acordado que seria feito pela Visabeira, a empresa de Viseu, detida por Fernando Nunes. A este valor somam-se mais 2,2% de ações próprias detidas pela Martifer.
Antes do lançamento da OPA, a Visabeira comprou 5% da Martifer a uma sociedade de Carlos Martins (Black and Blue Investimentos) e comprometeu-se a comprar 18% de ações detidas pela família Martins até 30 de abril de 2026 por 1,6 euros. Menos do que o valor da OPA.