Na sua primeira longa entrevista desde que foi eleito Papa, Leão XIV assume que a maior novidade dos últimos meses foi habituar-se à ideia de que é agora um “líder de nível mundial”. Não se sente “esmagado” pelas exigências da função, mas há uma clara sensação de “desafio”: “Como se tivesse tido de saltar muito rapidamente para a zona mais profunda da piscina”, ilustra, em conversa com a correspondente vaticanista do jornal Crux, EliseAnn Allen, que se prepara para lançar uma biografia do novo Papa.

A entrevista ao jornal especializado nas questões da Igreja Católica foi divulgada no dia em que Robert Francis Prevost celebra 70 anos de vida — e num momento em que passam pouco mais de quatro meses sobre a sua eleição como chefe da Igreja Católica. Na conversa, o Papa Leão XIV assume que tem “aprendido muito sobre o papel que a Santa Sé tem tido no mundo diplomático durante muitos anos”. “Tudo isso é novo para mim do ponto de vista da prática”, refere.

Na primeira mensagem que levou ao mundo, logo após a sua eleição, a 8 de maio, Leão XIV falou sobre a paz. Agora, insiste, por um lado, na ideia de que a “paz é a única resposta” aos conflitos armados. Diz, sobre as várias guerras em curso, que “as pessoas têm de ser despertas para dizer que há outra forma de resolver isto”, que não pela força das armas.

Em relação ao papel da Igreja como mediadora, Leão XIV sublinha o esforço que tem sido feito para manter uma postura “verdadeiramente neutra”, por exemplo, à situação na Ucrânia.

Desse ponto de vista, o Papa diz que o seu papel, agora que está aos comandos da Igreja, é o de “continuar a incentivar as pessoas a olhar para os valores mais elevados, os valores reais, que fazem a diferença. Podes ter esperança e continuar a pressionar e a dizer: façamos isto de uma forma diferente.”

Leão diz, de resto, que mantém “grandes esperanças na natureza humana” e que se mantém alerta para ir recordando outros do “potencial que tem a humanidade para superar a violência e o ódio que nos divide cada vez mais”. “Vivemos tempos em que a polarização parece ser uma das palavras do dia, mas não está a ajudar ninguém. Ou, se está a ajudar alguém, é a muito poucos, enquanto todos os outros estão a sofrer.”