A melhor forma de reconhecer um grande resultado, mesmo que não seja o tão desejado primeiro pelo qual todos lutam, é olhar para o lado, perceber que alguém foi melhor e encarar isso como motivação para chegar a outro epílogo na tentativa seguinte. Em resumo, foi isso que aconteceu com João Almeida na penúltima etapa da Volta a Espanha. Bem ou mal, não colocando homens na fuga como alguns apontavam mas tendo um ritmo forte que partiu o pelotão desde o início das subidas, a UAE Team Emirates tinha uma estratégia para arriscar um milagre e colocar o português a ganhar 44 segundos a Jonas Vingegaard na Bola del Mundo. Não conseguiu. Na fase mais inclinada da ascensão diabólica, até foi o dinamarquês que arriscou o ataque e ganhou a etapa, batendo o Bota Lume por 22 segundos. O duelo que apaixonou os amantes de ciclismo nas últimas três semanas caiu para o extraterrestre, o corredor nacional foi o melhor entre os “humanos”.
O abraço emotivo que ambos trocaram no final da etapa, quando se cruzaram nos bastidores da chegada com os protocolos à mistura, acabou por ficar como última imagem entre dois corredores que se respeitam, que tentaram de tudo para assegurar a vitória e que deixaram o que tinham e o que não tinham para chegar a essa coroação. Perante o antigo vencedor do Tour por duas ocasiões, que nesta altura perde apenas para um outro ET chamado Tadel Pogacar, o português valorizou aquele que foi o melhor resultado de sempre de um português numa grande volta a par do segundo lugar de Joaquim Agostinho na Vuelta de 1974 e assumiu que a concorrência foi melhor num dia em que Emirates e Visma apostaram tudo.
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???? @cabotmedia #LaVuelta25 pic.twitter.com/BSo2Q3YB3C
— La Vuelta (@lavuelta) September 13, 2025
“Não tenho qualquer arrependimento, fizemos tudo o que pudemos. Parabéns ao Jonas, que foi super forte. E, afinal, acho que não é assim tão mau acabar atrás dele. Esta etapa da Bola del Mundo foi super difícil, já vinha no limite ao longo da etapa. Mas tínhamos de tentar, não tinha nada a perder. A estratégia passava por fazer a etapa o mais rápido e com a maior intensidade possível. Infelizmente também estive doente esta semana, por isso a sensação não foi a melhor. Mas ainda assim tentámos e acho que é isso que importa. Foi uma luta com respeito e muito agradável, sempre com surpresas a cada dia. Tentei vencer mas não foi possível bater o Jonas. Vinha no limite, ele foi o melhor corredor hoje [sábado]”, assumiu Almeida.
He gave it everything he had, and more.
We are so proud of you, @JooAlmeida98 ❤️ #WeAreUAE #LaVuelta25 pic.twitter.com/He0uRV54Mx
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“Foi uma Vuelta muito dura, ficámos em segundo e podemos ficar satisfeitos. Demos o nosso melhor. Igualar o melhor resultado de um português numa grande volta? É um orgulho terminar a Volta a Espanha em segundo, ainda por cima atrás do Vingegaard, que é muito bom. Demos o nosso melhor. Era darmos tudo hoje. Esta semana não me senti no meu melhor, tenho estado doente, mas são circunstâncias que acontecem. É o que temos e há que lidar com o que temos. Sinto sempre o apoio de todos os portugueses e estou muito agradecido por tal. Fizemos o que era possível. Considerámos um ataque mas simplesmente não tinha pernas para tal. Ainda tentámos colocar um ritmo mais forte mas não consegui o suficiente. Cada corrida é uma hipótese. Foi uma de muitas, haverá mais no futuro”, acrescentou mais tarde à CMTV.
Through pain, suffering and on seven occasions, glory, this #LaVuelta25 has been a pleasure ????????
We are looking forward to entering Madrid for one final hit out tomorrow! ???? #WeAreUAE pic.twitter.com/7ZL7OujCyb
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Também Jonas Vingegaard, que ganhou a Vuelta com a vantagem de 1.16 sobre o português, valorizou toda a luta que teve para alcançar pela primeira vez o triunfo na Volta a Espanha. “Queria ganhar em Bilbau e também no Angliru mas a Bola del Mundo também é muito especial. Para ser sincero, começo a sentir-me um pouco melhor. Hoje [Sábado], senti-me melhor do que nas anteriores chegadas em alto, por isso estou contente pela forma como as coisas me saíram e como a equipa se comportou nas últimas três semanas. Não diria que me sentia confortável no ritmo que o João [Almeida] e o Jay [Vine] impuseram mas percebi que ainda não estava no meu limite e que tinha uma boa oportunidade de ganhar a etapa. Houve um momento em que decidi que ia tentar e imediatamente consegui uma diferença. Os últimos metros foram incrivelmente difíceis, quase bati nas barreiras”, comentou também o dinamarquês, primeiro do país a ganhar a Vuelta.
???? Jonas Vingegaard guardó fuerzas para el momento clave y se llevó el triunfo en solitario en la Bola del Mundo
❤️ El danés ganará mañana #LaVuelta25 tras llevarse 3 etapas y ser el más regular de la carrera
???? Revive lo mejor de la etapa 2️⃣0️⃣ pic.twitter.com/6vblwCp9xA
— La Vuelta (@lavuelta) September 13, 2025
Mais tarde, Sepp Kuss, norte-americano da Visma que ganhou a Vuelta em 2023 num ano de sonho para a equipa, explicou os problemas que Vingegaard tinha enfrentado. “É um dia especial. Foi a subida que me deu a primeira vitória numa grande volta, foi também a subida onde ganhei a primeira grande volta numa equipa com o Primoz [Roglic]. Ganhar aqui com o Jonas é algo especial, ainda para mais em dia de aniversário. Ele andou doente, a tossir imenso, a lutar imenso para ter a respiração própria. Quando estamos no final de uma grande volta, precisamos estar a 100% e ele sofria todos os dias. Nesta terceira semana melhorou e agora vimos esse resultado”, contou o corredor da Visma, que acabou em segundo a etapa.
???? Special jersey for the occasion ❤️
???? Maillot especial para la ocasión ❤️@vismaleaseabike #LaVuelta25 pic.twitter.com/fBIaOcKZpt
— La Vuelta (@lavuelta) September 14, 2025
Agora chegava a etapa da coroação, que seria quase um pro forma para a festa de Vingegaard e da Visma apesar das sete vitórias alcançadas em etapas pela Emirates, que ganhou também por equipas. Aliás, mais até do que quem conseguiria ganhar a chegada a Madrid, as atenções estavam centradas na forma como se iria chegar a Madrid, tendo em conta as muitas manifestações pró-Palestina contra a Israel Premier Tech que voltavam a estar marcadas (e que, antes da subida à Bola del Mundo, voltaram a condicionar a etapa). Para isso, além das habituais medidas de segurança na chegada e nos locais com mais público, havia um reforço estratégico com tanques de água, polícia a cavalo e um dispositivo humano reforçado entre alguns planos alternativos que estavam estudados. “Devemos ter reconhecimento e respeito absoluto pelos corredores. Ao mesmo tempo, admiramos um povo que de mobiliza em defesa de causas justas como a da Palestina”, tinha comentado Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, na antecâmara do início da etapa.
???? Who will join the list today? | ¿Quién se sumará hoy?#LaVuelta25 pic.twitter.com/HKgUZH2pse
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Three weeks, 21 stages, four countries, 3166km, seven victories as a team ???????? #WeAreUAE
As we head into Madrid to celebrate the ???? place of @JooAlmeida98, we pay tribute to all the hard work which has made it happen ???????? #LaVuelta25
This year’s @lavuelta was one to remember! ???? pic.twitter.com/sQbrpJUHpD
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Primeiros quilómetros, primeiros números típicos de uma última etapa de consagração: muitos sorrisos, a habitual fotografia da equipa do vencedor com os números dos dois corredores que acabaram por desistir na edição deste ano (Alex Zingle e Victor Campenaerts), ambiente descontraído de quem só tinha de seguir em frente sem grandes andamentos depois de três semanas duríssimas que pareciam não ter fim. Dava para tudo até à chegada ao circuito de Madrid, com 50 quilómetros finais que já eram levados mais “a sério”. Contudo, e mais uma vez, fatores externos acabaram por travar outra vez a corrida com carga policial à mistura.
???? Stage 2⃣1⃣ | Etapa 2⃣1⃣ ????
???? Alalpardo???? Madrid
⏰ 16:40 CET > 19:30 CET
???? 103 km
???? Madrid+ info ➡️ https://t.co/Ob4rzH1aHt#LaVuelta25 pic.twitter.com/9basj8hEwo
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???? And we’re off! The peloton starts the last stage of #LaVuelta25
❤️ ¡Salida lanzada de la etapa final de #LaVuelta25!
???? @ComunidadMadrid pic.twitter.com/pemm7KmVPE
— La Vuelta (@lavuelta) September 14, 2025
???? Men in Black (and Red) ❤️
⚫️ Los Hombres de Negro (Y Rojo, claro) ❤️#LaVuelta25 pic.twitter.com/lFpgtFVvSL
— La Vuelta (@lavuelta) September 14, 2025
❤️???????????? Your jersey wearers, everyone! ¡Los hombres de #LaVuelta25! pic.twitter.com/8UCvdwgRjv
— La Vuelta (@lavuelta) September 14, 2025
A pouco menos de 60 quilómetros do final, uma das manifestações pró-Palestina conseguiu mesmo furar as baias e impedir que o pelotão seguisse a sua marcha, o que levou mesmo à intervenção da polícia presente para acalmar os ânimos. Os corredores foram depois encaminhados por outra estrada num plano alternativo que já estava preparado caso acontecesse o que se veio mesmo a confirmar mas começava a perceber-se que a Volta a Espanha teria mesmo o final que ninguém queria, com a última etapa a ser neutralizada ainda a quase 60 quilómetros da meta perante a incapacidade de garantir condições de segurança para que a tirada fosse concluída perante a autêntica invasão feita à zona do circuito onde deveria acabar a Vuelta.
We all feared that it will happen and it happened, the Vuelta had to be stopped because of these "protests". #LaVuelta25 pic.twitter.com/G2UhNsLLlf
— Lukáš Ronald Lukács (@lucasaganronald) September 14, 2025
????ÚLTIMA HORA | La Policía carga contra los manifestantes propalestinos tras irrumpir estos en el recorrido de la Vuelta a la altura de Atocha, Cibeles y Gran Vía. Sigue la última hora de la etapa https://t.co/HNDVruwZ06
???? @juanjoglar pic.twitter.com/xpEeOMDwBj
— EL PAÍS (@el_pais) September 14, 2025
Así se vivieron desde dentro las protestas propalestina que propiciaron el final de #LaVuelta
???? @JLAllegue92 pic.twitter.com/exSEQMSp3Y
— MARCA (@marca) September 14, 2025
???? ¡SE ACABÓ #LAVUELTA! La organización toma la decisión de dar por finalizada la última etapa a falta de casi 60 kilómetros ante la imposibilidad de avanzar con seguridad por los manifestantes pic.twitter.com/iIsyYYH9TS
— MARCA (@marca) September 14, 2025
Cuando el presidente de la Nación jalea el boicot contra la Vuelta Ciclista a España, en su propia capital, se convierte en responsable directo de cada altercado que se produzca.
Tanto de si se para la carrera como si hay una sola agresión.
¡Qué daño a nuestro deporte y a…
— Isabel Díaz Ayuso (@IdiazAyuso) September 14, 2025
#LaVuelta25 | Official statement – Comunicación oficial
For security reasons, stage 21 of La Vuelta has been ended early. There will be no podium ceremony.
La etapa 21 de La Vuelta finaliza por motivos de seguridad. No habrá ceremonia protocolaria de podio.
— La Vuelta (@lavuelta) September 14, 2025
A classificação geral não sofreu qualquer alteração, com Jonas Vingegaard (Visma) a ganhar com 1.16 de vantagem em relação a João Almeida (Emirates) e 3.11 de Thomas Pidcock (Q36.5), que fechou o pódio de forma surpreendente. Jai Hindley (Red Bull-Bora) acabou em quarto a 3.41, ao passo que Matthew Riccitello (Israel Premier Tech) ficou em quinto a 5.55 e ganhou a camisola branca da juventude. Giulio Pellizzari (Red Bull-Bora, 7.23), Sepp Kuss (Visma, 7.45), Felix Gall (7.50), Torstein Taaen (Bahrain, 9.48) e Matteo Jorgensen (Visma, 12.16) fecharam o top 10, com vitórias para Jay Vine (Emirates) na montanha, para Mads Pedersen (Lidl-Trek) nos pontos e para a UAE Team Emirates na classificação por equipas.
Your #LaVuelta25 stage 20 slideshow ????️????????
Digging deeper than ever before, @JooAlmeida98 left absolutely everything on the road in @lavuelta ????????????
With his efforts, he is on the brink of his best Grand Tour result to date.
There will be more to say, but for the moment, enjoy a… pic.twitter.com/ibzcfagRS8
— @UAE-TeamEmirates (@TeamEmiratesUAE) September 13, 2025
Já João Almeida, que atravessa o melhor ano de sempre na carreira, irá agora descansar e depois estará no Campeonato do Mundo de estrada, que se vai realizar no Ruanda. O português começou 2025 com um segundo lugar na Volta à Comunidade Valenciana (fazendo três top 3 em etapas), teve depois outro segundo lugar na Volta ao Algarve (com uma segunda posição no Alto da Fóia), um sexto posto no Paris-Nice a ganhar a etapa de La Loge des Gardes e três vitórias consecutivas no País Basco, na Romandia e na Suíça antes da queda que levou à desistência na Volta à França na nona etapa e a este segundo lugar na Volta a Espanha.
He gave it everything he had, and more.
We are so proud of you, @JooAlmeida98 ❤️ #WeAreUAE #LaVuelta25 pic.twitter.com/He0uRV54Mx
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