A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa realiza na terça-feira uma iniciativa de solidariedade para com o estudante palestiniano Tarek Al-Farra, admitido nesta instituição e impedido de viajar de Gaza para Portugal.

O jovem, de 23 anos, foi admitido no Mestrado em Estudos Ingleses e Norte-Americanos, mas continua impedido de sair da Faixa de Gaza, por falta de autorização para viajar, anunciou esta segunda-feira a instituição de ensino superior portuguesa.

A faculdade vai, assim, marcar uma posição no campus da Avenida de Berna, que contará com declarações da direção e do conselho de faculdade.

Estarão também presentes representantes da Associação de Estudantes e os Estudantes por Justiça na Palestina da NOVA FCSH.

A Nova pretende reafirmar o compromisso com os valores da liberdade, da dignidade humana e da cooperação internacional, “dando voz a uma situação que exige resposta urgente por parte da comunidade internacional”, lê-se no documento.

Tarek Al-Farra reside na Faixa de Gaza, onde concluiu a licenciatura e se encontra com a família, enfrentando “restrições severas de mobilidade e condições de grande vulnerabilidade devido ao conflito” com Israel, especificou a faculdade.

Têm sido possíveis as saídas do território palestiniano de jovens estudantes através de bolsas de estudo em universidades em que os países de acolhimento têm um papel fundamental para que consigam chegar à Europa.

A Irlanda, por exemplo, recebeu neste início de setembro 52 palestinianos para prosseguirem estudos em instituições de ensino superior do país. O anúncio da chegada dos jovens palestinianos foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês, Simon Harris.

Ao Observador, Inês Franco, do Grupo de Apoio a Refugiados Palestinianos em Portugal (GARP), descreve todo o processo, que começa sempre pela candidatura do jovem palestiniano que quer sair a uma bolsa de estudo no estrangeiro.

Se a resposta for afirmativa, “os estudantes contactam as embaixadas do país em que ficam inscritos na Jordânia e no Egito”.”São esses países [que acolhem] a puxar os cordelinhos que há para mexer para tirar essas pessoas de Gaza”, explica.

Inês Franco nota que estes jovens não podem sair de Gaza autonomamente. Precisam de ONG’S — como a Cruz Vermelha, as Nações Unidas ou os Médicos Sem Fronteiras — para percorrer os corredores humanitários. A maioria destes estudantes saem pela Jordânia, mas há também quem o faça pelo Egito.

Nos pontos fronteiriços conseguem que o visto seja emitido, mas até lá chegar é preciso que tudo esteja organizado para que a viagem decorra com segurança. “Israel tem sempre que aceitar que estas pessoas saiam, mas os países que recebem os estudantes, a partir do momento que se disponibilizam, têm que se pôr em contacto com as entidades israelitas e acordar a saída deles”, esclarece a representante do GARP.

Inês Franco crítica Portugal por não fazer o mesmo em relação a Tarek Al-Farra que até já pagou parte das propinas, mas não consegue ir buscar o visto para estudar em Portugal devido à guerra na Faixa de Gaza que já causou mais de 64.600 mortos no território governado pelo Hamas desde 2007.

A ofensiva seguiu-se ao ataque do Hamas no sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, que provocou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.