O presidente da Autoridade Palestiniana (AP), Mahmoud Abbas, aplaudiu esta segunda-feira a decisão de Portugal de reconhecer o Estado da Palestina, considerando-a “um passo importante e necessário” para alcançar “uma paz justa e duradoura, baseada na legitimidade internacional”.
Abbas sustentou que “reconhecer o direito do povo palestiniano à autodeterminação, liberdade e independência abre caminho para a implementação da solução de dois Estados, permitindo ao Estado da Palestina conviver com o Estado de Israel em segurança, paz e boa vizinhança”, segundo a agência de notícias palestiniana WAFA.
O presidente da AP enfatizou que a prioridade atual é alcançar um cessar-fogo na Faixa de Gaza, a entrada de ajuda humanitária no enclave, a libertação dos sequestrados durante os ataques de 7 de outubro de 2023 e dos prisioneiros palestinianos, e garantir a retirada total das tropas israelitas do enclave para permitir ao Estado palestiniano “assumir todas as suas responsabilidades”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Palestina aplaudiu também a decisão de Portugal, que descreveu como “um passo corajoso, consistente com o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas”.
“(Esta decisão) encoraja os esforços para alcançar a paz e promover a solução de dois Estados”, explicou o Ministério palestiniano num comunicado publicado na rede social X.
Ministry of Foreign Affairs Welcomes Portugal’s Recognition of the State of Palestine ???????? ????????
The Ministry of Foreign Affairs and Expatriates welcomes the decision of the Republic of Portugal to recognize the State of Palestine, regarding it as a courageous step consistent with… pic.twitter.com/kiJkzI6Ry7
— State of Palestine – MFA ???????????????? (@pmofa) September 21, 2025
O Ministério expressou a sua gratidão a Portugal por esta medida e reafirmou “a determinação da Palestina em desenvolver relações bilaterais mais fortes e profundas e em melhorar a coordenação conjunta em todas as áreas”.
O chefe da diplomacia palestiniano pediu ainda aos países que não reconheceram ainda o Estado da Palestina que “tomassem esta medida para salvaguardar a solução de dois Estados” e, para tal, pediu que “se empenhassem ativamente nos esforços internacionais que visam alcançar um cessar-fogo imediato, proteger os civis e lançar um processo político genuíno para pôr fim à ocupação e permitir que o povo palestiniano exerça o seu direito à autodeterminação”.
“Estas medidas são essenciais para garantir a segurança, a estabilidade e a prosperidade de todos os Estados e povos da região”, afirmou após o anúncio de Portugal.
Portugal, Reino Unido, Canadá e Austrália reconheceram no domingo formalmente o Estado da Palestina, num contexto de crescente pressão diplomática para avançar com uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano, marcado por décadas de impasse nas negociações de paz.
Israel rejeitou o reconhecimento e argumentou que é uma “enorme recompensa ao terrorismo”. Em palavras dirigidas aos líderes ocidentais, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, avisou que não haverá um Estado palestiniano.
Já o movimento islamita Hamas afirmou que o reconhecimento representa “uma vitória” para os direitos dos palestinianos.
A Arábia Saudita e o Qatar saudaram decisão de Portugal e dos outros países em reconhecer o Estado da Palestina no domingo.
A Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e Implementação da Solução de Dois Estados, copresidida pela França e Arábia Saudita, decorre hoje em Nova Iorque, no âmbito da 80º. Assembleia-Geral da ONU, na qual vários países reconhecerão o Estado palestiniano.
Quase 150 países já reconheceram o Estado palestiniano em todo o mundo.