O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) baixou os níveis de aviso meteorológico nos Açores, devido à passagem da tempestade pós-tropical Gabrielle. As ilhas do grupo Central (Terceira, Faial, Pico, São Jorge, Graciosa) estavam sob aviso vermelho (o mais grave de três) devido a vento e agitação marítima até às 12h00 locais (13h00 em Lisboa). Com a atualização do IPMA, passam a estar, nesse período, sob aviso laranja devido à agitação marítima, e sob aviso amarelo devido ao vento.

Estava também previsto para essas ilhas um aviso laranja por agitação marítima, entre as 12h00 e as 18h00, que baixou para amarelo e apenas no período entre as 12h00 e as 15h00.

Já no grupo Ocidental (Flores e Corvo), o IPMA tinha emitido um aviso laranja para agitação marítima, entre as 09h00 e as 15h00, que baixa para amarelo, terminando às 12h00.

Nas ilhas do grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria) mantêm-se avisos laranja para vento até às 12h00 e para agitação marítima até às 15h00. Anteriormente, estava previsto que vigorasse o aviso laranja para vento até às 15h00, que baixa para amarelo nesse período.

Até às 18h00 mantém-se também o aviso amarelo relativo à agitação marítima nestas duas ilhas. O aviso amarelo previsto devido à precipitação também termina mais cedo, no grupo Oriental, às 12h00 e não às 18h00.

A tempestade pós-tropical Gabrielle estava já pelas 8h30 locais (mais uma hora em Lisboa) de sexta-feira, a afastar-se do arquipélago dos Açores, segundo fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Num ponto de situação à Lusa, a meteorologista Elsa Vieira, da Delegação Regional dos Açores do IPMA, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, disse que “a partir de agora vai começar a haver um aumento gradual [da melhoria] do estado do tempo” na região.

A Gabrielle chegou a evoluir para um furacão de categoria 1, mas reverteu para uma depressão pós-tropical. “Isto não significa necessariamente — e é o que é válido neste caso -, que tenha perdido intensidade ou que as rajadas de vento passem a ser menores”, chegou a dizer também à Lusa a meteorologista Tânia Viegas.

A rajada máxima foi registada às 2h10 locais [mais uma hora em Lisboa], com 123 quilómetros por hora, no Faial, onde perto de meia centena de pessoas foram deslocadas de casa por precaução. Os maiores valores acumulados de precipitação foram registados na ilha Graciosa. “Até ao momento, o valor máximo acumulado numa hora é de 21 milímetros, e foi registado entre as 1h00 e as 2h00”, revelou o IPMA.

O período mais crítico verificou-se entre a madrugada e as 9h, segundo indicou o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores. Num ponto de situação às primeiras horas, em Angra do Heroísmo, Rui Andrade deixou um apelo para que a população respeitasse os alertas em vigor. Já no mais recente briefing, pelas 9h40, a Proteção Civil dos Açores adiantou que o “pior já passou”.

Há registo de 16 desalojados e 255 ocorrências em várias ilhas

A Proteção Civil dos Açores contabilizou 255 ocorrências, “sem feridos ou danos pessoais a registar”, na sequência da passagem do ciclone tropical Gabrielle, tendo sido realojadas 16 pessoas, segundo um comunicado final.

“O Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) informa que foram totalizadas 255 ocorrências, sem feridos ou danos pessoais a registar”, a maioria “relacionada com a queda de árvores, colapso de estruturas e danos em coberturas”, lê-se no comunicado. A Proteção Civil especificou ainda que foram realojadas 16 pessoas nas ilhas Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Graciosa.

Num primeiro balanço o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) adiantou que tinham sido registadas 59 ocorrências: 22 na ilha do Faial, dez em São Jorge, nove no Pico e também na Terceira, seis na Graciosa e três em São Miguel. O número subiu entretanto para 196. também 16 pessoas

“A maioria das situações reportadas está relacionada com a queda de árvores, queda de estruturas e danos em coberturas”, explicou. “Registou-se a necessidade de realojar 16 pessoas (nas ilhas Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Graciosa), não havendo, até ao momento, registo de feridos”, acrescentou.

A tempestade também provocou danos na aerogare da Graciosa, revelou o secretário regional do Ambiente e Ação Climática. “Temos uma informação de última hora que se prende com impactos verificados na cobertura da aerogare da Graciosa”, indicou.

“Verificou-se a cedência de uma chapa impermeabilizante, situação que não afeta a estrutura da aerogare. A SATA já tem uma solução técnica que será relativamente rápida e que será feita nos próximos dias, assim que as condições meteorológicas o permitem”, disse mais tarde uma fonte da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas disse à agência Lusa.

Explicando que esta “foi uma ocorrência com danos relativamente pequenos”, a mesma fonte acrescentou que a SATA Aeródromos, que gere o aeródromo da Graciosa, tem estado “a fazer um levantamento da situação”.

Ainda segundo a fonte governamental, a aerogare está encerrada desde quinta-feira preventivamente, devido ao mau tempo, mas às 13h00 locais (14h00 em Lisboa) de hoje, “reabre à operação”.

(Atualizada às 19h31)