Joshua Foster declarou-se esta terça-feira culpado pela morte do filho de dois anos, que caiu do quarto andar de um hotel em Chipre no passado mês de julho. O homem de 37 anos, que é um dos responsáveis de inteligência artificial na KPMG, poderá ser condenado a uma pena máxima de quatro anos de prisão. A sentença só será conhecida dia 5 de outubro.
Era o primeiro dia de férias. Com as duas crianças, de cinco e dois anos, respetivamente, Joshua Foster e a mulher estavam hospedados num hotel de cinco estrelas na zona de Paphos, em Chipre. Pai e filho estavam juntos, à espera do elevador do quarto andar do Hotel King Evelthon Beach, de onde iriam seguir rumo ao restaurante onde se iriam encontrar com a outra metade da família.
Joshua, de acordo com o que partilhou posteriormente, não reparou que enquanto brincava com o filho ao colo, a janela que dava para o exterior do hotel estava aberta. Depressa um momento de brincadeira entre pai e filho se tornou num episódio trágico, quando a criança de dois anos fugiu dos braços de Joshua e acabou por cair do quarto andar do estabelecimento.
Os factos remontam ao dia 12 de julho e, desde então, Joshua Foster só abandonou o Chipre para estar presente no funeral do filho — tendo regressado imediatamente após a cerimónia. Os serviços de emergência médica foram acionados pelas 18h40 locais. A criança, que apresentava graves lesões na cabeça, acabou por não resistir à queda e o óbito foi declarado no Hospital de Paphos. A detenção só chegou quatro horas depois.
Suspeito de negligência, Joshua Foster passou oito dias numa cela cipriota. A acusação acabou por ser alterada e, dias após ter assistido à morte do filho, foi acusado pelas autoridades locais por ser o responsável através de “um ato imprudente, temerário ou perigoso”.
A audiência final aconteceu esta terça-feira e, diante de um juiz do Tribunal Distrital de Paphos, o britânico especialista em IA assumiu a responsabilidade dos factos. “Decidiu declarar-se culpado para pôr fim a esta história, para enfrentar a pena que quer que seja, para regressar à sua família, a fim de a apoiar, partilhar o luto e estar ao seu lado”, afirmou o advogado Alexandros Alexandrou ao The Telegraph.
O advogado explica que não houve “intenção” que motivasse a tragédia e que a acusação está normalmente associada a acidentes rodoviários mortais, pelo que considera que Joshua acabou numa “situação infeliz”. “Tratou-se de um lapso momentâneo de atenção, sem qualquer intenção de causar danos, que teve consequências devastadoras e inimagináveis”, acrescentou.